Prefeitura de São Paulo quer cobrar R$0,50 por participante em feira

[Por Revista e Eventos,  01/03/2015]
O Prefeito Fernando Haddad recentemente justificou a importância da construção de mais uma Arena na capital paulista por ser responsável pelo incremento do fluxo turístico e grande absorvedor de mão-de-obra, transformando-se em importantes ferramentas, na medida em que permitem a inserção de grandes cidades no circuito dos eventos internacionais, propiciando os consequentes benefícios, representando marcos de desenvolvimento socioeconômico, seja para os municípios que as recebem, seja para a comunidade que as adotam, ou seja, os ganhos sociais e econômicos que a implantação de tais equipamentos acarretaria para a Cidade de São Paulo (destino turístico internacional) são inegáveis.
Dita o bom-senso que empreendimentos que trazem tantos benefícios para uma cidade sejam muito bem tratados. E assim o fazem outros Destinos internacionais. Nas Américas são inúmeras as cidades e/ou países que desoneram de impostos os participantes de feiras e congressos, oferecem transporte publico de boa qualidade gratuito etc.
Enquanto a perspectiva dos benefícios de uma nova Arena é uma proposta para o futuro, as feiras são uma realidade presente, que atendem a todo enunciado pelo Prefeito para justificar a construção da Arena e, ainda mais, pois já vem proporcionando benefícios para a Capital Paulista há anos.
Desde que Caio Alcantara Machado na década de 60 implantou a primeira feira em São Paulo, elas vem gerando empregos, promovendo a produção nacional e disseminando conhecimento, não se justificando que se passe a cobrar uma taxa por participantes destes eventos. Trata-se de um desserviço, desincentivando, por exemplo, a participação de estudantes na Bienal do Livro.
Considerando recente pesquisa produzida pela Ubrafe União Brasileira de Promotores de Feiras, em sendo implantada a cobrança desta taxa, a Prefeitura deverá arrecadar no máximo R$ 8 milhões por ano (base: 15.838.709 participantes em feiras), uma receita mínima levando em conta que as feiras paulistas geram:
• R$ 1,8 bilhão em hospedagens
• R$ 1,1 bilhão em alimentação
• R$ 447 milhões em compras
• R$ 100 milhões em lazer
• 40 milhões de refeições/ano
• 6,5 milhões de unidades habitacionais utilizadas
• 50% da taxa de ocupação hoteleira
Esta é uma boa oportunidade para que o conjunto dos agentes do setor MICE paulista e, por que não dizer nacional, seguir o exemplo dos norte-americanos que quando prejudicados pelo recém-eleito presidente Obama, foram a público ocupando paginas dos principais jornais americanos com a campanha Power Travel Coalition, levando o Presidente dos Estados Unidos a voltar atras.
 

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