Para continuar entre as mais requisitadas do país, Florianópolis precisa qualificar quem organiza feiras e congressos

[Por Diário Catarinense, 11/06/2013]

A diretora da Praxis Feiras e Congressos, Maria Lúcia Camargo, trabalha desde 1994 no ramo de eventos técnico-científicos e considera essencial a qualificação dos profissionais do setor. Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS

Florianópolis entrou de vez na mira dos eventos internacionais. De acordo com levantamento da Associação Internacional de Congressos e Convenções (ICCA, sigla em inglês), a capital catarinense sediou 12 eventos desse porte no ano passado. Dessa forma, a cidade ficou em sexto lugar no ranking nacional ao lado de Porto Alegre. Foi superada apenas por Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Foz do Iguaçu, Salvador e Belo Horizonte.
Diante do aquecimento do mercado, é natural que aumente a demanda por profissionais qualificados. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC) em Santa Catarina, Marco Aurélio Floriani, a proximidade dos grandes eventos mundiais que serão sediados no país – Copa do Mundo e Olimpíadas, entre outros – devem trazer ainda mais expansão para o setor.
— A expectativa é de que o segmento cresça 13% neste ano e temos capacidade para competir com eventos a nível mundial — afirma.
Floriani explica que a área envolve diversas atividades e profissões. Ao realizar um grande evento internacional, desde as companhias áreas, taxistas e até recepcionistas estão envolvidos. Para ele, o setor está em plena expansão, mas existe carência de profissionais habilitados. Para tentar suprir isso, desde 2006 a ABEOC-SC implantou em conjunto com o Sebrae um programa de certificação e qualificação das empresas de eventos. Neste ano, o programa foi ampliado para todo Brasil.
A importância da qualificação é reforçada pela diretora da Praxis Feiras e Congressos Maria Lúcia Camargo, que trabalha desde 1994 no ramo de eventos técnico-científicos. Para ela, cada um deles é composto por um “monte de detalhes com muita chance de dar errado”. Por isso é essencial trabalhar com profissionais altamente qualificados e ter sempre um plano B na manga.
– Um evento de grande porte demora de um ano a um ano e meio para ser elaborado. Tudo tem que ser muito bem pensado. O mercado está aquecido, mas é necessário haver especialização nem que seja em um curso técnico – afirma Lúcia.
IFSC oferece curso técnico para capacitação na Capital
Segundo ela, para trabalhar no segmento é preciso saber se relacionar. Uma das opções para quem quer ingressar no ramo é fazer o curso técnico do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), oferecido desde o ano passado no Bairro Coqueiros.
Para a professora do curso de eventos do IFSC Eni Maria Ranzan, a capacitação é fundamental para atuar neste mercado, pois ele costuma ser muito competitivo.
— Algumas pessoas imaginam que, por gostar de eventos, elas serão ótimas organizadoras. Mas podem iniciar um caminho que nem sempre estão preparadas para enfrentar como imaginam. Gostar da área é um bom início, mas não é o suficiente — alerta.
Eni explica que não há uma média salarial para as pessoas que organizam eventos e atuam em Florianópolis porque depende muito da função e dos trabalhos realizados.
Curso técnico em eventos
Local: Campus do IFSC, no Bairro Coqueiros, em Florianópolis Carga horária: 1.080 horas-aula (ou três semestres de estudos)
Vagas: 36 por semestre
Período: noturno
Mensalidade: gratuita
Ingresso: os candidatos precisam ter concluído ensino médio e devem passar por um exame de admissão
Disciplinas: Cerimonial, protocolo e etiqueta; linguagem e comunicação; responsabilidade ambiental e contabilidade gerencial Mais informações: www.ifsc.edu.br
No topo do ranking
Cidades brasileiras que mais receberam eventos internacionais em 2012*
1° lugar Rio de Janeiro (88)
2° lugar São Paulo (77)
3° lugar Brasília (22)
4° lugar Salvador e Foz do Iguaçu (16 em cada cidade)
5° lugar Belo Horizonte (13)
6° lugar Florianópolis e Porto Alegre (12 em cada cidade)
* No Brasil foram realizados 360 eventos no ano passado. O país ocupou a sétima posição no ranking mundial. Os dados foram divulgados pela Associação Internacional de Congressos e Convenções (ICCA, sigla em inglês) em maio.