Onde estão os principais gargalos do turismo de eventos de Florianópolis

[Por DC, 14/06/2012]
Florianópolis tem grande rede hoteleira, restaurantes de qualidade e um apelo natural que atrai eventos. Mas a cidade precisa de um local com capacidade para públicos maiores. Joinville e Blumenau têm a mão de obra eficiente e centros de convenções compatíveis com as necessidades locais. Mas há gargalos de mobilidade, principalmente nos aeroportos, o que também é problema na Capital.
As constatações fazem parte da pesquisa sobre o setor que a Associação Brasileira de Empresas de Eventos em Santa Catarina (Abeoc) divulga nesta quinta-feira, às 19h, na Capital.
Em Florianópolis, o trabalho foi realizado entre fevereiro e abril deste ano e serve para que empresas de turismo e as administrações públicas possam se programar e enfrentar os problemas. Resolver as pendências é importante porque, somente em 2011, o turismo de eventos movimentou R$ 200 milhões na cidade, que se tornou a quarto destino nacional do setor.
O Convention & Visitors Bureau de Florianópolis informa que, no ano passado, 697,5 mil pessoas passaram pelos salões dos dois principais espaços da cidade _ o CentroSul e o Costão do Santinho.
Juntos, os dois espaços da Capital abrigaram 243 eventos em 2011. O presidente da Abeoc-SC, Marco Aurélio Floriani, afirma que Florianópolis tem bons prestadores de serviços e rede hoteleira. Os dois gargalos são aeroporto e a falta de um centro de eventos grande, limitando o tamanho dos eventos a 6 mil pessoas.
Floriani lembra que para abrigar o ápice de 6,5 mil pessoas que passaram por dia no Fórum Mundial de Educação Profissional, em maio, no CentroSul, foi preciso montar tendas na Passarela Nego Quirido porque o local não tinha o espaço necessário. Durante os cinco dias de evento, o público foi de 17 mil pessoas.
— Além do aspecto nada profissional que a improvisação causa, é preciso torcer para que não ocorram chuvas fortes ou haja vento sul.
A diretora executiva do Convention & Visitors Bureau de Florianópolis, Juliana Castanho, também cita a falta de estrutura do aeroporto. Explica que isto impede a realização de eventos na temporada, porque a capacidade é tomada pelos voos charters de turistas da América do Sul.
Cidades atraem eventos com perfis diferentes
Florianópolis sedia um perfil diferente de eventos na comparação com Joinville e Blumenau. A Capital recebe, na maioria, congressos e encontros ligados à área da saúde e ao meio acadêmico.
Nas outras duas cidades, são mais comuns feiras por causa da atividade industrial existente no Vale do Itajaí e no Norte Catarinense, afirma Juliana Castanho, diretora-executiva do do Convention & Visitors Bureau de Florianópolis.
Também há diferença no período em que os eventos podem ser realizados. Sem influência da temporada de verão, Blumenau e Joinville têm o ano inteiro disponível.
Em Florianópolis, a situação é diferente.
Além da presença de turistas, o segundo semestre representa o ponto alto para o turismo de evento, exigindo mais de aeroportos e da estrutura de mobilidade urbana. Por este motivo, existe um esforço para atrair feiras, congressos e encontros para os primeiros seis meses.
A falta de capacidade para receber voos internacionais também prejudica a cidade e, junto com a falta de um grande centro de convenções, impede a realização de grandes eventos. Em Joinville, a situação é ainda mais precária por causa da falta de voos.
Quando um palestrante estrangeiro chega a Guarulhos, o horário do voo para a cidade já passou e é preciso dormir em São Paulo.