Indústria Hoteleira diverge do Embratur em pesquisa sobre tarifas

[Por Hoteliernews, 01/02/2013]
Representantes do setor hoteleiro reuniram-se ontem (31) com Flávio Dino, presidente do Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), para debater sobre a pesquisa publicada pelo órgão sobre o aumento de tarifas nos hotéis brasileiros – no intuito de evitar abusos em cidades que vão receber os mundiais esportivos dos próximos anos.
A discussão apresentou divergências do setor sobre a metodologia utilizada para a realização da pesquisa. Segundo Ricardo Domingos, diretor executivo do Resorts Brasil, a utilização de consulta de preços em sites na internet – como a pesquisa foi elaborada -, e não diretamente com a administração dos empreendimentos, pode ter gerado distorções em relação aos preços realmente praticados.
A pesquisa feita pelo Embratur por meio de sites de busca especializados levantou a média tarifária de hotéis em 10 cidades brasileiras e as comparou com 10 cidades no exterior. Também levou em consideração os turistas que viajam a Negócios e Lazer.
Foram utilizados os seguintes parâmetros: tempo entre a data da consulta e o início da hospedagem, período de estada, destinos pesquisados no Brasil e destinos pesquisados no exterior.
Além disso, foram catalogados os dados referentes às acomodações de três categorias: econômico, médio e alto conforto levando em consideração a menor tarifa encontrada para cada hotel.
Entre os resultados apresentados pela pesquisa, as diárias para o turista de negócios do Rio de Janeiro tiveram aumento da tarifa de 59% em duas semanas, entre os dias 10 e 24 de dezembro.
Em relação aos outros destinos nacionais e internacionais do segmento, a cidade é a única que apresentou aumento considerável de tarifas para o período. Contrastando com os índices do Rio, está Nova York, que liderava com estabilidade entre as tarifas mais caras para o hóspede de negócios, mas durante o mesmo período derrubou os preços em 21%, que seguiram a tendência até acumular baixa de 39% em 21 de janeiro.
Já o turista de lazer que pretende visitar a cidade maravilhosa pode se preparar para escaladas ainda mais vertiginosas nas tarifas. No período estudado, de 14 a 28 de dezembro, o aumento acumulado foi de 115% na diária média, em contraste com o índice de 37,9% apresentado pela hotelaria de Nova York. A estimativa de aumento é de 111,6% até 8 de fevereiro, ainda que oferecendo o mesmo produto.
Flávio Dino lembrou a diminuição de impostos vivenciada pelo setor hoteleiro com o programa Brasil Maior, quando os hotéis foram contemplados com a eliminação da contribuição patronal ao INSS, de 20%, que será substituída pela alíquota de 2% sobre o faturamento das empresas.
“O governo já fez sua parte e deu o primeiro passo. Nós captamos os eventos e garantimos a infraestrutura necessária. Nada mais justo agora que o setor privado seja maleável”, ressaltou o presidente.
O Hôtelier News já dedicou atenção ao tema em editorial sobre os esperados efeitos da desoneração do setor, noticiando as ações de barganha realizados pelos hoteleiros junto ao MTur, e também a redução das tarifas de energia concedidas ao comércio e à indústria, que contemplam o mercado hoteleiro.