Empresas identificam nichos e crescem com a organização de eventos

[Por PEGN, 29/01/2013]
A proximidade da realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos no Brasil, além da presença de grandes shows internacionais, traz fôlego para o crescimento do mercado de eventos no país. Mas o que deve mexer com o setor em 2013 são os eventos corporativos. De acordo com um levantamento do Grupo Alatur – especializado em viagens corporativas – feito com gestores de eventos de grandes empresas em 2012, as companhias brasileiras devem aumentar em 12% o orçamento para congressos, feiras e convenções neste ano. Segundo o mesmo estudo, o mercado de eventos é responsável por cerca de 3% do Produto Interno Bruto brasileiro, um faturamento de mais de R$ 70 bilhões.
Esses recursos vão engordar o faturamento principalmente dos negócios de menor porte. “O mercado de eventos é formado 90% por micro e pequenas empresas”, afirma Anita Pires, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc). Muitos desses empreendimentos já aproveitam essas oportunidades. Confira, a seguir, três histórias de quem localizou bons nichos no setor.
Especialização
“Uma das principais barreiras de entrada no setor de eventos é a experiência. Quem contrata tem de confiar no prestador de serviço”, diz Gustavo Carrer, consultor do Sebrae-SP. O estudo do Grupo Alatur mostra que 85% das empresas consideram a especialização um critério fundamental para escolher uma organizadora de eventos.
Foi de olho nessa necessidade de entender a fundo o cliente que a empreendedora Meire Medeiros, da MM Assessoria, se especializou em um segmento bastante específico do mercado: eventos para a indústria farmacêutica. O setor costuma realizar congressos mais técnicos do que em outras áreas, e Meire aproveitou uma expertise prévia para ocupar esse nicho. “Quando montei a empresa, há 20 anos, já tinha contatos na área porque trabalhava em um hotel onde eles realizavam muitos congressos e convenções. Foi natural me especializar”, diz. Hoje, 80% do faturamento da MM – que cresceu 36% em 2012 – vem dos serviços prestados para os laboratórios, para quem a empresa faz a gestão de todos os detalhes do evento, como o transporte de participantes e a montagem do espaço.
Por mais difícil que seja atender a uma área como essa, o segmento escolhido pela empreendedora tem uma grande vantagem: o tamanho. “Hoje, os laboratórios são as empresas que mais demandam por eventos”, diz Sérgio Junqueira, diretor de operações da Academia Brasileira de Eventos e Turismo.
Diversificação
Eventos também costumam ser uma boa forma de diversificar as receitas de uma empresa de serviços. É o caso da Ponto Set, de criação de cenários. Quando Silvia Amaral fundou a empresa, há 15 anos, não imaginava que um dia se tornaria fornecedora do mercado de eventos. “Só fazíamos cenários para programas de televisão”, diz Silvia. O know how acumulado, porém, fez com que a Ponto Set começasse a ser procurada por empresas interessadas em incrementar eventos corporativos ou estandes em feiras de negócio com cenários mais elaborados, com decoração e mobiliário personalizados. Essa sofisticação é resultado direto do aumento do número de eventos. “O mercado está muito movimentado, o que exige uma aparência cada vez mais profissional”, diz Carrer, do Sebrae. Neste ano, a União Brasileira de Promotores de Feiras prevê que o Brasil receba 837 feiras de negócios – 14% mais do que no ano passado.
O movimento se reflete nos resultados da Ponto Set. Há três anos, quando Silvia começou a investir mais na diversificação, 80% do faturamento da empresa vinha dos cenários para televisão. Hoje, os eventos corporativos já são responsáveis por 40% do faturamento. “É um setor mais dinâmico. Por mais que a gente se dedique apenas a projetos mais elaborados, sempre há trabalho”, afirma.
Inovação
Com mais e mais eventos acontecendo a cada ano, é natural que se busquem maneiras de simplificar os processos de organização de eventos. Foi procurando uma forma de ajudar empresas que querem realizar um congresso ou uma convenção sem a necessidade de uma agência organizadora que Marcus Seves desenvolveu o site Evenka.
“Criamos uma plataforma para a venda dos ingressos ou inscrições e a organização de bancos de dados de participantes”, diz Seves. Em funcionamento há um ano e meio, a empresa já participou da organização de 2.500 eventos. São desde festas de aniversário até congressos médicos para mais de 3.000 pessoas. A Evenka fica com 6,5% do valor de cada inscrição.
Seves não divulga dados sobre o faturamento, mas conta que a Evenka chamou a atenção dos investidores do fundo HarpiaVentures, que aplicaram R$ 2 milhões na empresa. “Também estamos negociando com outros investidores, e agora vem um processo de crescimento super acelerado”, afirma. Se os humores atuais do mercado forem mantidos, os planos da Evenka – e de muitas outras companhias do setor – devem mesmo se concretizar. Segundo o Grupo Alatur, em 2012, o número de eventos realizados foi 43% do que o registrado no ano anterior. “As empresas descobriram que o evento é uma grande ferramenta de marketing”, diz Anita, da Abeoc.