Embratur diz que alto preço das passagens e hotéis prejudica o turismo

[Por Business Travel, 19/12/2012]
Ao analisar ontem o déficit recorde da conta “viagens” do Banco Central, que integra o balanço de pagamentos do setor externo de novembro de 2012, o presidente da Embratur, Flávio Dino, disse que “o preço das diárias de hotéis e das passagens aéreas para destinos nacionais tem prejudicado o crescimento do turismo interno e a consolidação do Brasil como um destino para turistas estrangeiros”. Falando à Agência Brasil, Dino afirmou: “temos que levar em conta que o turismo doméstico está muito caro. Conforme o próprio IBGE já registrou, as passagens aéreas e as diárias de hotéis estão ficando cada vez mais caras, o que é um problema para o crescimento do turismo interno e internacional”.
Segundo o presidente da autarquia vinculada ao Ministério do Turismo, e responsável por promover o potencial turístico do Brasil, muitos brasileiros optam por viajar para o exterior após pesquisar e concluírem que, em muitos casos, sai mais barato do que visitar alguns dos destinos turísticos nacionais mais procurados. Segundo Flávio Dino, muitos estrangeiros deixam de visitar o país devido aos preços, resultando em prejuízos para a criação de empregos e na exportação de serviços.
Dino descartou que o governo adote medidas restritivas e defendeu a manutenção do atual sistema de liberdade tarifária, mas deixou claro que o setor privado terá que responder às medidas governamentais que beneficiam o setor aéreo e hoteleiro, como a desoneração tributária e a redução da tarifa de energia elétrica, que entrará em vigor em janeiro de 2013. Dino ainda apontou a necessidade de maior concorrência como forma de garantir preços mais acessíveis.
O presidente da Embratur também relativizou o argumento de que o fato de mais brasileiros terem passado a viajar de avião ao longo da última década indique que as passagens não estariam tão caras. “O que aumentou substantivamente foi o poder aquisitivo da população, beneficiada também pela redução da taxa de juros. A grande demanda por passagens aéreas, hoje, vem da chamada nova classe média. E neste momento de maior demanda, precisamos de mais oferta, o que não vem ocorrendo. Podemos discutir como o governo pode ajudar as empresas, mas é incompreensível que, neste cenário, com voos lotados, as companhias estejam tendo prejuízos”, concluiu Dino.

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