Sucesso da última Olimpíada eleva pressão sobre Brasil

[Por Estadão, 10/09/2012]
Realizar uma Olimpíada dois anos depois de uma Copa do Mundo sempre será uma tarefa complicada, mas o sucesso dos Jogos Olímpicos de Londres neste ano aumentou o grau de exigência, segundo o secretário executivo do Ministério do Esporte, Luís Fernandes.
Agora que a chama olímpica foi embora de Londres, todos os olhos se voltam para o Brasil, e o relógio já está correndo para os Jogos de 2016.
Fernandes, que participou no domingo da cerimônia de encerramento da Paralimpíada, previu que o orgulho nacional vai assegurar que os Jogos do Rio serão tão bem sucedidos quanto os de Londres.
“Acho que torna as coisas mais desafiadoras, porque Londres elevou o nível”, disse ele à Reuters na segunda-feira na residência do embaixador brasileiro, no centro de Londres.
“O desempenho esperado de nós é mais alto agora do que nunca. Mas, por outro lado, o sucesso de Londres tornou os Jogos mais atraentes para investidores privados, e aumentou a boa vontade com a Olimpíada.”
Fernandes disse que comparar duas Olimpíadas seria injusto, mas ele acredita que o Brasil vai se beneficiar por realizar os dois principais eventos esportivos do mundo num intervalo de apenas dois anos.
“Há uma grande diferença entre receber a Olimpíada numa cidade como Londres ou como o Rio”, disse Fernandes, um carioca apaixonado por futebol. “Somos uma nação em desenvolvimento, e a Grã-Bretanha é um dos países mais ricos do mundo, e tem uma infraestrutura já estabelecida.”
“A Olimpíada e a Copa são uma chance para intensificarmos investimentos em infraestrutura básica, que são cruciais para o desenvolvimento nacional. Foi estabelecido um plano muito ambicioso que tornará o Rio uma cidade completamente diferente depois dos Jogos.”
GRANDE TRABALHO
Cerca de cem membros do comitê organizador brasileiro observaram de perto os Jogos de Londres, e isso, segundo Fernandes, foi uma experiência valiosa.
“O sentimento dominante foi de que Londres fez um grande trabalho”, disse ele, salientando o papel desempenhado por milhares de voluntários, que deram uma “cara simpática” à Olimpíada.
“Foram Jogos muito bem organizados, e tudo funcionou adequadamente, sem grandes problemas. O importante foi que eles tinham soluções imediatas para os problemas que apareceram, para que não virassem uma crise”, acrescentou Fernandes.
“Vivi em Londres há 20 anos, e acho que é justo dizer que os londrinos são bastante reservados e não tão abertos. Mas o entusiasmo dos voluntários contaminou os Jogos inteiros.”
O dirigente disse que, no caso do Brasil, a realização de dois eventos sucessivos poderá ser algo benéfico e prático, e que manterá o entusiasmo do público. Ele negou que os dois projetos, com um custo total de 26 bilhões de dólares, irão sobrecarregar o país.
“Muitas das iniciativas vão se sobrepor”, disse ele. “Como transportes e segurança. Tivemos problemas nos Jogos Pan-Americanos, em que…o governo federal teve de oferecer investimentos emergenciais em cima da hora. Aprendemos com isso e temos uma matriz de responsabilidade em vigor.”
“Além disso, olhei os gráficos do apoio popular aos Jogos de Londres desde a vitória da candidatura até este verão (boreal), e tem a forma de U. Não acho que veremos essa queda, porque temos a Copa das Confederações em 2013 e a Copa do Mundo em 2014, que cai bem no meio da habitual queda no apoio”, acrescentou.
“Receber esses eventos é um estímulo ao orgulho nacionalista. Não sei se se trata de competir com o sucesso da Grã-Bretanha – vamos fazer do jeito brasileiro”, disse Fernandes. “Vamos construir uma Olimpíada da maneira brasileira, com sabor brasileiro. Somos muito festivos, uma cultura muito forte, uma atmosfera de festa. Acho que o entusiasmo que estamos vendo agora será sustentável.”

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