Sem demanda após coronavírus, empresas que montam eventos dão férias coletivas em Ribeirão Preto

Proprietária de uma loja de decoração para festas no bairro Ipiranga, Rita Tibério, de 64 anos, teve 10 cancelamentos só nesta quarta-feira (18). A empresária de Ribeirão Preto (SP) vive a incerteza de atuar um ramo que teve a procura esvaziada repentinamente por conta do avanço do novo coronavírus. A única opção dela é esperar a crise passar.

 

O impacto negativo ocorre em empresas de grande e de pequeno portes do ramo de montagem de eventos da cidade. O G1 ouviu companhias que informaram que vão adotar medidas como a concessão de férias, quarentena com home office e dispensa de funcionários.

 

Além da preocupação com o negócio, Rita reflete sobre a própria saúde, já que está no grupo de risco para a Covid-19. A empresária tem uma funcionária fixa e estuda a dispensa. “Eu estou esperando que algum cliente queira marcar festas mais para o final do ano, que se Deus quiser vai passar isso”.

 

Já a empresa de José Carlos Pezarezi teve que desmontar quatro eventos que estavam prontos, mas acabaram cancelados nesta semana. A companhia dele tinha eventos preparados em outras cidades do estado e até em Minas Gerais. “Agora é desmontar e guardar material, o prejuízo é gigante”.

 

Para abril, outros dez eventos contratados já não vão ocorrer. O adiamento da Agrishow, que ocorreria entre 27 de abril e 1º de maio, também cancelou o trabalho de montagem de estruturas que seriam organizadas para marcas participantes. A dispensa de funcionários é inevitável.

 

“A estratégia é férias, dispensa de alguns, férias coletivas. A empresa vai ter que parar porque não tem trabalho. A gente vive de locação de material para o evento, então não tem o trabalho e a gente está sem perspectiva”.

‘Não cancele, prorrogue’

A empresa de Elisabete Nachtschatt, localizada no Jardim Sumaré, tinha cinco eventos para montar essa semana, mas todos foram adiados, o último nesta quarta-feira (18). A situação se estende para as próximas semanas, o que fez com que o grupo adotasse uma “quarentena” com férias coletivas ou adiantamentos, além de home office. O atendimento passa a ser feito pelo celular e WhatsApp na quinta (19).

 

Para sobreviver ao momento, a companhia iniciou uma campanha para tentar reverter cancelamentos em adiamentos. A responsável pela marca conta que o grupo foi pego de surpresa pelo grande impacto em eventos sociais, como casamentos.

 

“A gente teve um choque muito grande porque não imaginava que ia atingir tão rapidamente a parte de evento social. Nós imaginávamos que atingiria eventos de grande porte, como rodeio, Agrishow, João Rock, mas eventos sociais não. Mas o pessoal desesperou muito”.

Desde segunda-feira (16), o grupo soma dois cancelamentos e ao menos 15 adiamentos. “A gente está numa campanha forte de ‘não cancele, prorrogue’, porque é toda uma cadeia produtiva. A gente gera empregos diretos e indiretos. Não só a parte de buffet, mas decoradores, cerimonial, a parte de shows também”.

 

“A poeira vai baixar, a gente sabe, espera o tempo que for preciso do cliente, dois, três, quatro meses, mas o desespero é tanto que eles estão querendo prorrogar por seis meses”.

 

Além dos cancelamentos, Elisabete se preocupa com os novos contratos, que não estão mais entrando. “Se o governo não der um apoio, a gente não sabe como vai ser. Tanto que estamos entrando em quarentena hoje”.

 

 

Fonte: G1