"O povo brasileiro sabe receber e o país tem vocação para a realização de eventos"

[Por  Event Point, 31/10/2014]
Quem o afirma é Anita Pires, presidente da ABEOC (Associação Brasileira de Empresas de Eventos). À conversa com a Event Point, Anita partilha as expectativas para o 26º Congresso Brasileiro de Empresas e Profissionais de Eventos – Eventos Brasil 2014, que se realiza a 7 e 8 de Dezembro, em São Paulo. Num contexto de rescaldo da Copa do Mundo, Anita Pires identifica os principais ensinamentos retirados da organização do Mundial de Futebol e aponta os grandes desafios da ABEOC e do sector dos eventos no Brasil.
Quais são as expectativas para o vosso próximo congresso?
As melhores possíveis. Acabámos de lançar uma pesquisa sobre o sector de eventos no Brasil e ela será discutida durante o Eventos Brasil 2014. Hoje sabemos que esta actividade no país é responsável por 4,3% do PIB. A facturação do sector em 2013 foi de cerca de 67 mil milhões de euros, ao mesmo tempo que se criaram 7,5 milhões de postos de trabalho. Além disso, durante o Congresso estamos a oferecer ferramentas para instrumentalizar a cadeia produtiva, o turismo de negócios. É uma grande oportunidade, um momento novo e dinâmico para todos nós.
Que questões serão discutidas?
O Eventos Brasil 2014 é o evento de quem faz eventos. A nossa ideia é que as actividades oferecidas no Congresso possam actualizar os nossos associados e todos aqueles que participem. Teremos painéis com organizadores de grandes eventos no Brasil, a exemplo do “Eventos Fora de Série”, que traz a experiência de eventos colaborativos como a Jornada Mundial da Juventude, que levou mais de três milhões de pessoas ao Rio de Janeiro. Vamos ter palestras voltadas para a Economia e outras actividades que vão discutir o futuro do sector. Também teremos uma Rodada de Negócios, com o apoio do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), onde vamos criar o ambiente necessário para que empresas compradoras e fornecedoras realizem negócios e façam planos já para 2015. Uma oficina vai mostrar o papel da Academia no mercado de eventos e queremos aproximar esses mundos. Serão apresentados trabalhos acadêmicos que vão complementar a nossa discussão. Também vamos falar das tendências para este mercado. Os alunos do SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), por exemplo, vão usar o Congresso como uma oportunidade de profissionalização.
Quantas pessoas são esperadas em São Paulo?
A nossa expectativa é receber cerca de 1000 participantes entre associados, profissionais do sector, acadêmicos e estudantes.
Passados alguns meses da Copa do Mundo, que desafios se colocam ao sector dos eventos brasileiro?
Realmente, a Copa trouxe-nos uma grande visibilidade. É uma oportunidade que não podemos perder. É importante uma negociação com o sector público para construir políticas públicas e de mercado, o que nos coloca no cenário internacional e atrai eventos para o Brasil. O nosso país mostrou que é um destino privilegiado, que tem um potencial imenso, mas precisamos de implementar acções claras e efectivas de promoção no exterior. Qualificação com profissionalização tem sido uma das principais metas da ABEOC Brasil. Por conta disso, já criámos o Programa de Qualidade em parceria com o SEBRAE, que coloca à disposição das empresas oportunidades de melhoria da gestão e certificação que viabilizará uma maior visibilidade e qualidade de serviços. Cerca de 240 empresas já participam do Programa que também prevê a certificação através do Selo de Qualidade ABEOC Brasil com o apoio técnico da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Quais são os principais ensinamentos que o Brasil, e nomeadamente esta indústria, retirou desse grande evento?
O povo brasileiro sabe receber e o país tem vocação para a realização de eventos, tem capacidade de interacção com outros povos. Outra aprendizagem é que temos condições de realizar grandes eventos. O nosso próprio carnaval é um exemplo extraordinário. Mas temos que nos dotar de capacidades, qualificar os nossos profissionais, garantindo qualidade dos serviços. A Copa, e também as Olimpíadas, mostram que nosso sector está conectado com muitos outros segmentos e que precisamos de avançar em termos de legislação e infraestruturas para dar condições legais e empresariais. Outra das aprendizagens é que o planeamento tem que fazer parte da cultura do sector público e do mercado. Não houve planeamento e assim perdemos muitas oportunidades que vieram acompanhar um evento como a Copa do Mundo.
E quais são os desafios actuais da ABEOC?
O nosso principal desafio, além da profissionalização do sector, é preparar nossas cidades para sediarem eventos de todo o porte. Precisamos de melhorar a nossa infraestrutura no que diz respeito aos centros de convenções, aeroportos, hotéis, acessos viários e aéreos. A ABEOC Brasil hoje tem 500 associados e está representada em todos os assentos do mercado e conselhos nacionais. A ABEOC Brasil reinventou-se e ainda tem o trabalho de continuar a investir na cultura do associativismo empresarial e colocar à disposição do mercado as ferramentas necessárias para que este sector gere cada vez mais riqueza e trabalho para nosso país.
 

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