Ministro sul-africano dá seis dicas para a Copa do Mundo 2014

[Por PortoGente, 21/03/2013]
De passagem por São Paulo, e com a experiência de quem já venceu o desafio de organizar uma Copa do Mundo enfrentando críticas tão ou mais durasMinistro sul-africano dá seis dicas para a Copa do Mundo 2014do que as que o Brasil vem recebendo, o ministro sul-africano de Turismo, Marthinus van Schalkwyk, dá seis dicas para a Copa do Mundo de 2014 ser um sucesso:
1 – Nunca dê ouvidos aos céticos – Esqueça aquelas pessoas que não acreditam no seu evento. Você, melhor do que ninguém sabe que este mega evento será como um catalisador para o desenvolvimento do país como destino e da sua marca. Portanto, fique de olho no jogo e não deixe que outras pessoas tirem sua atenção, mudem seu foco.
2 – Adote metas de longo prazo – Não devemos pensar apenas na realização do evento, há todo um legado envolvido nesse processo. Basicamente, trata-se de uma longa jornada que vai ajudar a fortalecer o turismo como uma parte importante do desenvolvimento nacional.
3 – Tenha cuidado ao estabelecer seus preços – As pessoas que vêm para a Copa querem pagar os valores corretos – e usuais – de bens e serviços. Do contrário, eles vão perceber que estão sendo lesados e nunca mais voltarão. O setor privado deve tomar cuidado para não sair na tentação de super-investir, especialmente em serviços e produtos destinados às classes mais altas especialmente se isso levar a um desbalanço entre oferta e procura quando o evento acabar.
4 – Fique atento ao poder redes sociais e da TV – A Copa é uma excelente oportunidade para vender para o resto do mundo aquilo que você tem de melhor. Isso também significa que você terá que administrar sua imagem com muito mais cuidado. Durante quatro semanas ou mais, cada ação ocorrida em seu país será vigiada – e repercutida – em seus mínimos detalhes. Use isso a seu favor. Organizar viagens pré-evento para expor a mídia mundial ao que o país tem de melhor pode incrementar as ações estratégicas em relação à imprensa.
5 – Valorize a população – Um mega-evento bem sucedido é aquele alinhado com as necessidades e bem estar da população: é ela quem vai receber os turistas, impressioná-los e convencê-los a voltar. Durante nossa experiência, um fator muito importante foi a inclusão social e a criação de oportunidades para as pequenas empresas – elas são a espinha dorsal do turismo. Oferecer treinamento é primordial.
6 – Pense verde – A preocupação com a sustentabilidade é cada vez mais importante em grandes eventos, especialmente quando seu país acabou de sediar o Rio +20. É importante gerenciar bem a pegada ecológica da Copa, avaliando como neutralizar as emissões de carbono e como gerenciar os gastos de água e destino de resíduos sólidos.
O pronunciamento do ministro sul-africano aconteceu durante a 11ª edição do Fórum Panrotas Tendências de Turismo, que começou ontem, 19, no Centro Fecomercio de Eventos, em São Paulo. Schalkwyk, que em 2010 esteve à frente do Comitê Organizador Local (COL) para a Copa do Mundo, afirmou que o torneio foi uma peça importante para estabelecer a África do Sul como destino turístico competitivo e, por consequência, gerar melhor qualidade de vida para a população.
Naquele ano, entre os meses de junho e julho, o país recebeu 300 mil turistas interessados em ver os jogos, o que representou uma injeção de 3,6 bilhões rands (cerca de 780 milhões de reais) na economia local. O sucesso da Copa de 2010 até hoje tem ecos na África do Sul, principalmente no turismo. Em 2012 o país registrou crescimento de 10% no número de turistas estrangeiros, mais que o dobro da média global registrada no mesmo período.
“Sediar a Copa do Mudo foi motivo de muito orgulho para os sul-africanos. Tivemos uma exposição excelente da imagem do nosso país e de toda a positividade que é associada a ele. E junto com tudo isso vieram grandes investimentos públicos e privados em aeroportos, estradas, pontos turísticos e hotéis que não entrariam em pauta sem a perspectiva de receber um evento desse porte”, afirmou.
Mercado de turismo dos Brics deve superar o dos países desenvolvidos
Durante sua participação, Schalkwyk também destacou a importância dos países do bloco Brics (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) para a economia mundial e, em especial, no futuro da indústria de turismo.
Até 2015, o número de turistas estrangeiros nos países emergentes deve superar o número recebido por países desenvolvidos, com projeção de crescimento anual de 4% contra 2% dos destinos convencionais. “Estamos prestes a assumir o papel de protagonistas no cenário turístico mundial”, disse.
Atualmente, o Brics concentra 43% da população mundial, produz 1/5 do PIB Mundial e acumula reservas internacionais estimadas em US$ 4,4 trilhões.
O pronunciamento do ministro ocorre às vésperas do 5ª Cúpula do Brics, que acontece na África do Sul, nos dias 26 e 27 de março. Será a primeira vez que o evento será realizado em solo africano. Durante a cúpula, representantes dos Brics devem discutir políticas de cooperação econômica, inclusive para fortalecimento turístico dos países envolvidos.