Classificação de estádios pode ser antídoto para elefantes brancos

[Por Portal 2014, 26/10/2012]
Serão doze arenas prontas para a Copa de 2014 com a mais alta tecnologia disponível no Brasil em termos de entretenimento esportivo. Mas e como ficam as outras centenas de estádios que existem pelo país, muitos deles caindo aos pedaços?
Pensando em criar um padrão de qualidade nas praças esportivas brasileiras, o Ministério do Esporte anunciou no começo deste mês que vai passar a classificar com estrelas todos os estádios brasileiros com capacidade maior do que 10 mil lugares.
Para isso, será feito um estudo em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a um custo total de R$ 5,4 milhões, todo ele bancado pelo ministério.
O objetivo é identificar que tipo de evento cada palco pode receber e analisar, por meio de vistorias técnicas, itens como mobilidade, segurança e conforto.
“O estudo vai nos dar uma real dimensão do que é o estádio de futebol, se ele tem acesso para deficientes, se tem guarda-corpos, se tem iluminação, água potável, estacionamento para o visitante e entrada para o árbitro”, explicou o representante do Ministério do Esporte, Paulo Castilho Valendo, ao canal “SporTV”.
A metodologia remete à classificação da rede hoteleira no Brasil. No futebol, a Uefa também classifica os estádios da Europa desta forma. Lá, o palco da final da Uefa Champions League, principal torneio interclubes do mundo, só acontece em arenas com a classificação máxima, ou cinco estrelas.
Coautor do projeto do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, especialista em arquitetura esportiva e profissional ligado ao Sindicato da Arquitura e da Engenharia (Sinaenco), Vicente Castro Mello avalia que o ranqueamento do governo é importante, pois o país demorou demais para melhorar sua infraestrutura de estádios.
“O Brasil ficou muito tempo sem melhorar as instalações esportivas e agora, com os grandes eventos esportivos que está sediando, é importante que a gente coloque regras para que haja mais segurança, mais conforto”, disse.
Antídoto para elefantes brancos
O ranking do Ministério do Esporte pode ainda ter uma outra serventia, na opinião do diretor de marketing do Portal 2014.
“Os estádios da Copa do Mundo que correm risco de se tornar elefantes brancos podem passar a receber partidas de times de outras cidades a partir desse critério do Ministério do Esporte”, diz, para quem a ociosidade dessas arenas seria amenizada.
“Assim, se uma equipe de Paraíba se classificar para a semifinal da Copa do Brasil, por exemplo, ela vai poder atuar na Arena Pernambuco ou na Arena das Dunas, vamos dizer. Partindo do princípio que o Ministério do Esporte e a CBF vão exigir que os estádios das fases decisivas tenham um padrão de qualidade bem alto, caso dos estádios da Copa de 2014”, ressalta.
Prada foi um dos coordenadores do “Estudo sobre o estado de manutenção e condições dos estádios brasileiros”, realizado pelo Sinaenco em 2007, que avaliou mais de 30 instalações esportivas em todo o país.
O levantamento, na época, apontava que a Fonte Nova, em Salvador, era o que o apresentava piores condições. Trinta dias depois, sete pessoas morreram após o rompimento de uma das lajes do anel superior.
“O estudo já indicava a necessidade urgente de manutenção e reforma nos estádios brasileiros, para garantir segurança e conforto aos torcedores. Um levantamento amplo como esse que o Ministério do Esporte vai fazer, pode diagnosticar problemas para que se evitem outras tragédias”, finaliza Prada.

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