Copa no Brasil será a mais poluente da história, aponta estudo

[Por Portal 2014, 07/09/2012]
A distância entre as sedes e a dependência do transporte aéreo para promover o deslocamento entre elas são apenas alguns dos fatores que contribuirão para que o Brasil promova a Copa do Mundo com emissão recorde de carbono na história.
A conclusão é de um estudo inédito (clique aqui) no país realizado pela consultoria Personal CO2 Zero, que analisa o impacto do evento na atmosfera através da emissão de tCO2e (toneladas de CO2 equivalente, medida global para calcular a emissão de gases de efeito estufa) que a Copa vai gerar.
As estimativas do Mundial em território brasileiro impressionam: durante a competição, deverão ser gerados mais de 3 milhões de tCO2e, quando na Copa de 2010, na África do Sul, este número não passou de 2 milhões e 700 mil tCO2e.
A medição leva em conta a emissão de gás de efeito estufa gerada por deslocamento aéreo, alimentação, energia com estadias, deslocamento terrestre, resíduos sólidos, infraestrutura dos estádios, consumo de água, energia durante os jogos e geração de esgoto.
E é o primeiro destes fatores que mais pesa. “Um dos motivos é que, ao contrário da Alemanha e da África do Sul, não temos um modal de transportes bem distribuído, sem falar nas dimensões continentais do nosso país. Então, passamos a depender do transporte aéreo, que é altamente poluente”, afirma o CEO da Personal CO2 Zero, Daniel Machado, ao Portal 2014.
O estudo revela que as viagens de avião, imprescindíveis para que se realize o deslocamento entre as 12 cidades da Copa, são responsáveis por 60% dos gases que contribuem para o aquecimento global.
As viagens internacionais também são consideradas pela consultoria, que lista a Europa (2.635,8 tCO2e) e Ásia (1.804,7 tCO2e) como os continentes mais poluidores. O primeiro, por causa do número de seleções (13 das 32 vagas na Copa serão dos europeus), e o segundo, por conta da distância.
Construção poluente
Se levada em conta toda a preparação do Brasil desde 2010, incluindo a construção dos estádios, aeroportos e obras de mobilidade urbana, o Mundial de futebol fica ainda mais nocivo ao planeta e a conta quase quadruplica, chegando a 11 milhões e 173 mil tCO2e, volume equivalente a 46.946 hectares de floresta, ou a 34,5% do Pantanal.
O relatório ainda aponta “vilões” como a produção do clínquer, principal matéria-prima do cimento na construção civil, que emite muitos gases nocivos ao meio ambiente.
Segundo os especialistas, se a utilização deste material diminuísse e fosse gradualmente substituída por outras alternativas, como filer carbonático e cinzas volantes, a emissão de CO2 diminuiria em até 65%. No caso da produção do aço e do alumínio, a reciclagem dos materiais também ajudaria a reduzir a poluição.
Considerando apenas a construção de estádios e os investimentos em infraestrutura (mobilidade e aeroportos), as cidades de São Paulo, Salvador, Natal e Rio de Janeiro respondem por 56,7% das emissões estimadas.
A presença de Natal entre as sedes mais poluidoras, responsável por 11,2 % das emissões, acontece por conta dos altos investimentos em infraestrutura (só o aeroporto de São Gonçalo do Amarante, único das doze cidades da Copa que será construído do zero, vai custar cerca de R$ 650 milhões) e pela área construída da Arena das Dunas.
“O que foi levado em conta para fazer o ranking foi a área construída de cada um dos estádios e os investimentos nos projetos de mobilidade, aeroportos ou portos. Natal tem uma área construída de 412.000 m², apesar da capacidade do estádio ser inferior a muitos outros, mas terá um total de investimentos de quase R$ 2 bilhões em mobilidade e aeroporto”, diz Machado.
Para o especialista, “quanto maior o valor que você vai investir, maior o grau de complexidade da sua obra e, portanto, maior o nível de emissão de gás de efeito estufa”.
A ideia da consultoria é divulgar o estudo ao máximo para que chegue ao alcance da Fifa, do governo brasleiro e do Comitê Organizador Local (COL). Apesar de alguns pontos críticos apresentados serem irreversíveis –“a inexistência de um sistema férreo entre as cidades-sede é preocupante”, lembra Machado–, outros pontos podem, sim, serem revistos.
“A Fifa tem interesse que este seja o primeiro grande evento neutro de carbono. E essa neutralização a gente recomenda que seja executada não com o plantio de árvores, mas sim com a aquisição de créditos de carbono. Porque aí você pode fomentar projetos baseados em energia renovável ao redor do planeta”, explica Machado.

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