2º FNGH: Painel de desenvolvimento finaliza 1º dia do evento

[Por Hotelier News, 20/06/2012]
Elias Borges, proprietário do Grande Hotel Minas Wine & Spa; Eduardo Camargo, diretor de Novos Negócios do IHG (InterContinental Hotels Group); Xavier Flores, diretor de Desenvolvimento Financeiro para a América Latina da Hyatt; e Hermano Carvalho, diretor do Departamento de Financiamento e Promoção de Investimentos do MTur (Ministério do Turismo), finalizaram há pouco o Painel de Desenvolvimento do FNGH (Fórum Nacional de Gestão Hoteleira), que segue até amanhã (21) na capital paulista. Carolino Haro, sócia da Mapie Especialistas Estratégicos em Serviços, mediou as discussões.
Um dos primeiros pontos questionados pela plateia foi o modelo de franquias proposto pelo IHG em relação à qualidade dos produtos. Eduardo Camargo explicou que este respaldo é dado num site disponibilizado ao franqueado, com manuais de operação, em português e espanhol. Há auditorias duas vezes ao ano, sem o modelo de cliente oculto, e posteriormente é emitido um relatório pontuando os acertos e erros. “Não é uma multa, é apenas uma diretriz”.
A visita aos franqueados é feita com tom de inspecionar a qualidade, ele esclarece. O técnico se hospeda no hotel e faz uso de vários serviços, verificando pormenores até mesmo como o local onde o logo da marca está inserido. O relatório, pontua o executivo, terá 16 páginas – mas não avalia questões financeiras, e sim a operação.
Além desses pormenores, quando da abertura, um treinamento inicial é feito sem custo – e, se num futuro houver necessidade de repeti-lo, aí sim há ônus.
Sobre os preços, Camargo explica que eles tendem a ser específicos para cada projeto, com uma média de US$ 600 por apartamento para a marca Holiday Inn Express. A rentabilidade média, para essa bandeira, é de um desempenho acima de 40% de resultados.
Vocês vão encostar na Accor?
“Resolvemos tropicalizar nosso produto principal, que é o Holiday Inn Express. Mantemos características de produto americano, mas reduzimos os apartamentos e mantemos as conveniências da marca. Mas não vamos encostar na Accor, são trabalhos distintos”, responde Camargo, após novos questionamentos dos presentes.
Dentro do mote novos negócios, Xavier Flores falou sobre as dificuldades para programas com o investidor brasileiro. Segundo ele, um dos maiores percalços é educar o investidor sobre os requerimentos necessário quando de um novo projeto. Empresas internacionais, ele menciona, como a Hyatt, têm processos maiores e burocráticos para desenvolver algo e, por isso, é necessário paciência.
Um equívoco comum, diz o executivo da Hyatt, é que os players do mercado hoteleiro tendem a adotar a mesma perspectiva utilizada em outros modelos imobiliários, o que deve ser evitado.
“Ainda vai demorar para educar o investidor. Cada processo tem seu motivo, e as empresas terão de saber que a comunicação disso demora”, coloca Flores, lembrando que um executivo internacional, que não conhece o mercado, vai sofrer com tais detalhes.
As questões trabalhistas, o executivo da Hyatt continua, são outros pontos que complicam essa relação. De acordo com ele, os investidores comumente não compreendem o chamado “custo Brasil” – quando comparados a países com menos burocracia neste quesito.
Neste foco, o questionamento foi para Hermano Carvalho, quanto à possibilidade de o MTur intervir em pontos que ajudem o setor, como a legislação trabalhista. O representante da pasta do Turismo assume que as leis são antigas e retrógradas, pois existem demandas muito diversas do setor para isso. Ele diz que isso deve ser condensado e compilado pelo próprio governo federal, mas a única forma que pode ser feito é por meio de um projeto de lei.
O diretor do MTur comenta existir uma movimentação no parlamento em torno desta pauta, mas são só levantamentos – que precisam ser transformados em demanda, já que facilitarão a questão do emprego no País não só para o segmento hoteleiro.
Barganha hoteleira com o MTur
Aproveitando o contato com o Ministério, os hoteleiros participantes apresentaram suas principais barganhas. O executivo do IHG comenta como primordial a ser mudado as exigências de garantia para realizar um empréstimo e para refinanciar dívidas. Hermano Carvalho defende que este é um ponto bancário, que a renúncia pública deve estar amarrada com essas exigências.
Para o profissional da Hyatt, um dos detalhes chaves é que o MTur aplique a divulgação do País em mercados possíveis, agilizando o desenvolvimento econômico.
Troca de pedidos
Na mesma medida, o diretor do MTur citou algumas especificidades que ele considera primordial que a iniciativa privada adote para o desenvolvimento hoteleiro. Ele diz haver, nos eventos que o MTur participa, a percepção de que os empresários brasileiros precisam alinhar a linguagem com o que os players do mercado externo pedem. Segundo o palestrante, muitos investidores de outros países querem investir no Brasil, mas os projetos não têm boa estrutura e plano de negócios. “Eles precisam ter algo que seja bom de vender, sensato de se viabilizar”, indica.
Neste viés, Elias Borges comenta a demora para a mudança do projeto do hotel, o que foi preciso ser pensado justamente para viabilizar o investimento. Segundo ele, foi preciso chegar num limite da estrutura do meio de hospedagem, juntamente com o momento econômico certo. “A taxa de juros ajudou muito, pois isso era impensável nos últimos anos”, coloca.
O proprietário do Grande Hotel Minas Wine & Spa comenta ainda que uma reforma pequena foi feita numa das alas do hotel há alguns anos e, à época, os juros eram mais que o dobro do que é pago hoje.
Considerações finais
O debate terminou com os questionamentos do que será este setor num futuro próximo. Aplaudido pela plateia, Flores disse que uma das coisas a se evitar é essa especulação de que a hotelaria sofrerá uma bolha de superoferta após a Copa do Mundo – o que precisa ser afastado inicialmente com uma postura menos especulativa.
O representante do MTur disse que até pode haver uma oscilação do mercado, mas entende que há engajamento coletivo tanto no setor público quanto no privado para que isso não ocorra. “Temos um sistema financeiro transparente. Isso nos dá solidez, nossa sociedade cobra de cada um essa transparência”, acredita.
Para Eduardo Camargo, o momento é favorável e a “onda” é muito positiva. Ele acredita que nos próximos quatro anos tudo deve se estabilizar, e com isso a estrutura de turismo no geral terá de se readequar.
Finalizando, Borges concorda com os demais debatedores e cita que haverão ciclos na economia que deverão ser recebidos com o bom conhecimento absorvido neste momento profícuo. “O turismo tem crescido sempre acima da média. As famílias não abrem mão das férias, é algo sagrado”, conclui.
O evento
Organizada pelo Hôtelier News e pela Mapie Especialistas Estratégicos em Serviços, a 2ª edição do FNGH (Fórum Nacional de Gestão Hoteleira) segue até amanhá (21), no Pullman Ibirapuera. Além das discussões, o evento traz aos participantes a rodada de negócios com fornecedores do setor, no Hotel Solution, e tem patrocínios da Trend Operadora e da Infinity Cenografia Audiovisual.