Congresso COCAL 2026 encerra edição histórica no Brasil com foco em integração latino-americana e apresenta Carta de Fortaleza

O evento recebeu comitivas de 17 países e recorde de participantes, o maior encontro do setor MICE nas Américas apresentou diretrizes da Carta de Fortaleza para transformar o turismo de negócios em política de Estado em todo o continente latino-americano

Chegou ao fim nesta sexta-feira, 3 de julho, a 42ª edição do Congresso da Associação da Indústria de Eventos da América Latina (COCAL), realizado no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. O terceiro e último dia do encontro coroou a realização do evento, que posicionou a capital cearense e a região Nordeste como alternativas de alta competitividade, dialogando diretamente com a proposta de descentralização do turismo de negócios no tradicional eixo centro-sul do Brasil.

Ao longo de três dias de programação, o congresso consolidou-se como a edição com o maior número de participantes de toda a sua história. No total, o evento contabilizou:

● 985 participantes confirmados;
● 17 países com comitivas/representantes;
● 15 estados e 92 cidades brasileiras representadas;

Para a diretoria internacional da entidade, o formato inédito implementado no Ceará — que integrou feira e plateia no pavilhão e levou atividades para a beira-mar — passa a servir de referência para o setor.

“A COCAL do Brasil marca uma diferença total e estabelece um novo padrão. O Brasil, como líder da indústria de eventos, realizou um congresso extraordinário, planejado nos mínimos detalhes. Nossa abertura na praia, com palestras e atividades diferenciadas, coloca este evento na vanguarda dos congressos de reuniões da América Latina e do mundo. Fortaleza e o Ceará são protagonistas dessa mudança. Hoje, a COCAL está se transformando e se tornando uma referência para a indústria de reuniões. Este congresso é vital para o Brasil, que detém a liderança da indústria de reuniões na América Latina”, celebrou o presidente da COCAL, Julio César Bojórquez.

Descentralização e a vitrine do Brasil autêntico

A realização do congresso na capital cearense chancela a estratégia nacional de promoção do turismo de negócios de forma mais inclusiva e diversa. A capacidade técnica instalada na cidade foi um dos pontos mais elogiados pelas comitivas estrangeiras.

De acordo com o coordenador de Congressos e Eventos Internacionais da Embratur, Alexandre Nakagawa, o evento cumpre o papel fundamental de mostrar ao mercado global que o Brasil possui infraestrutura de ponta fora dos destinos tradicionais.

“O que queremos é sair um pouco de um eixo que hoje já está consolidado. Frequentemente, os eventos já são direcionados para Foz do Iguaçu, São Paulo ou Rio de Janeiro. Temos esse eixo consolidado de eventos internacionais, mas quero mostrar o que o Brasil tem de autêntico. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste possuem infraestrutura para pequenos, médios e grandes eventos. Queremos promover isso pela diversidade cultural e pela conectividade que já favorece, entrando de forma mais competitiva. Estar na COCAL mostra exatamente isso: um destino com infraestrutura de excelência, serviços personalizados para eventos, conectividade aérea que liga as capitais brasileiras ao mundo inteiro e a hospitalidade que só o Ceará poderia proporcionar”, destaca Nakagawa.

O apoio do trade turístico e do governo do Ceará ao evento endossa um forte posicionamento internacional e promove a geração de networking estratégico que visa abrir novas fronteiras de investimento para toda a região Nordeste.

“Esse evento, especificamente o congresso da COCAL, tem uma importância gigantesca para nós. Há muitos anos este congresso não vinha para o Brasil; no ano passado, o Ceará buscou captar esse evento e o trouxe para cá. Ele promove uma interligação gigantesca com a América Latina, além de mostrar aos idealizadores e executores a indústria de eventos e o potencial que o nosso estado possui na atração de eventos, geração de negócios e networking com todos os parceiros. Além disso, permite que os visitantes desfrutem das belezas naturais do Ceará, de sua cultura riquíssima e do povo cearense, que é sempre um dos principais atrativos.

Então, para além dos eventos corporativos, mostramos que o Ceará oferece outras ações e experiências aos que nos visitam”, destacou o secretário de turismo do Estado do Ceará, Gustavo Montenegro.

Legado técnico, humano e conexão latino-americana

Para além dos debates comerciais, o grande saldo do COCAL 2026 reside no intercâmbio de conhecimento e no fortalecimento institucional das empresas locais, que tiveram acesso direto a tecnologias e metodologias pioneiras.

A presidente nacional da ABEOC Brasil, Enid Câmara, destacou o valor intangível do conhecimento compartilhado durante a semana como o principal motor de transformação para o mercado de eventos do Ceará.

“O legado que a COCAL deixa é esse intercâmbio de políticas públicas e a capacitação do destino. Muitos nomes internacionais vieram compartilhar conhecimento, oferecendo capacitação para as empresas de eventos. São poucos os espaços onde o organizador e o promotor de eventos podem parar para assistir a novas tecnologias. A COCAL propicia isso. Os congressos têm o poder de nos desafiar a conhecer destinos além dos catálogos de vendas tradicionais. Foi gratificante conhecer esses povos e conectar o Brasil com nossos irmãos da América Latina para trocar experiências”, avaliou Enid.

Resultados reais e impacto na ponta da cadeia

A força econômica do turismo de reuniões reflete diretamente na geração de emprego e renda locais. O encerramento do evento destaca uma curva de crescimento bilionário que o setor vem desenhando na capital cearense e em todo o Estado. A diretora executiva do Visite Ceará, Suemy Vasconcelos, apresentou as projeções econômicas robustas do último biênio, evidenciando o impacto real da atividade.

“Na pesquisa de impacto econômico, que realizamos a cada dois anos, temos dados muitos positivos do turismo de negócios e eventos no Ceará. No biênio 2022/2023, foram movimentados cerca de R$975 milhões. E já nos anos 2024/2025, saltamos para R$ 1,17 bilhão. Ou seja, é um movimento muito grande na economia, envolvendo todos os setores da nossa cadeia. Sabemos que cada participante tem um impacto econômico muito grande, desde a pessoa que tem um carrinho de pipoca até o grande empresário. Quando você observa o setor dessa maneira, fica fácil perceber como o setor é relevante para a geração de emprego e renda”, concluiu Suemy.

A Carta de Fortaleza e o futuro do setor

Como principal legado político e estratégico do encontro, a diretoria da COCAL assinou e apresentou formalmente a Carta de Fortaleza. O documento estabelece 12 diretrizes fundamentais para guiar o setor nos próximos anos, com forte articulação por políticas públicas permanentes, transformação digital e a urgente melhoria da conectividade aérea na América Latina.

O manifesto eleva o status da atividade, defendendo que o mercado MICE opera como um motor de desenvolvimento que vai muito além do turismo tradicional. Entre os pontos de maior impacto, o documento recomenda que governos e iniciativa privada gerem inteligência de mercado por meio de dados unificados e facilitem a malha de voos no continente para que os destinos ganhem competitividade global.

“Essa Carta é inédita na história de todas as edições do nosso Congresso. Por isso, esse é um compromisso que estamos assumindo publicamente, o compromisso de lutarmos contra as barreiras linguísticas no continente latino-americano, fortalecer a conectividade na região e promover a indústria de eventos em setores além do turismo”, finaliza Júlio César Bojórquez, presidente da COCAL.

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