Parques podem alavancar turismo doméstico, mostra pesquisa do MTur

[Por Mercado & Eventos, 16/10/2013]
O Brasil não sabe explorar seu potencial turístico. Com essa afirmação, Roberto Klabin, presidente do LIDE Sustentabilidade e fundador da SOS Mata Atlântica, abriu o Encontro LIDE Sustentabilidade na noite desta terça-feira (15/10), que abordou o tema Turismo e meio ambiente, oportunidades para o desenvolvimento econômico e social, com respeito ambiental. “Tivemos 5,6 milhões de visitantes internacionais no Brasil em 2012. Esse número não cresce porque não sabemos explorar nossos potenciais turísticos”, afirmou.
Segundo Klabin, há uma expectativa do governo de que o contingente cresça para 7 milhões de turistas na Copa do Mundo, em 2014, e para 12 milhões em 2020. “Acho muito difícil que isso aconteça porque o turismo não é visto como prioridade para o país”.
Uma das soluções apontadas para melhor aproveitar o interesse dos turistas estrangeiros e, principalmente, dos 59 milhões de pessoas que compõem o turismo doméstico é incentivar a visitação aos parques nacionais. “Ainda se desconhece a importância dos parques nacionais e o aproveitamento que se pode fazer deles”, afirma Klabin. Atualmente, apenas 1,5% (cerca de 3 milhões de brasileiros) visitam as reservas, seja por falta de informação, incentivo ou falta de estrutura.
Dos 68 parques nacionais existentes, apenas 26 estão abertos à visitação e somente 3 concentram os turistas – Tijuca, Iguaçu e Brasília, que têm mais infraestrutura. Outros parques, como Abrolhos, que recebiam um bom número de visitantes, viu esse número cair ao longo dos anos em decorrência da piora na infraestrutura.
Para Guilherme Paulus, presidente da CVC e do LIDE Turismo, um dos grandes crimes foi o fechamento do parque de Vila Velha (ES), que recebia inúmeros grupos de turistas. Em sua opinião, essas ocorrências demonstram o descaso das autoridades em relação ao assunto e dificultam “vender” o Brasil no exterior.
“O maior problema é a falta de continuidade administrativa”, constata Caio Luiz de Carvalho, ex-ministro do Turismo e diretor da Enter Entertainment Experience. Para ele, os países bem-sucedidos na administração de seus parques nacionais têm governo, setor privado e terceiro setor trabalhando juntos.
Marcia Hirota, da SOS Mata Atlântica, disse que é possível desenvolver diversas ações para despertar o interesse das pessoas para as reservas brasileiras, em parceria com a iniciativa privada. “É preciso inovar para reverter esse quadro”, conclui. Ana Luisa da Riva, do Semeia, falou sobre o sucesso da primeira Parceria Público Privada nessa área e convidou os empresários presentes para conhecer o projeto e ajudar a criar novas oportunidades semelhantes.
João Doria Jr., presidente do LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, lembrou sobre o lançamento do primeiro programa de turismo ecológico, em 1984, época em que era presidente da Embratur, quando surgiram os lodges na Amazônia e caboclos receberam treinamento para atuar como guias da região.
Pesquisa feita pelo Ministério do Turismo mostrou que apenas 23% dos brasileiros querem viajar para o exterior, o que reforça que temos um grande potencial a ser explorado. E os parques poderiam ser grandes indutores do turismo doméstico.
Exemplos positivos
A Costa Rica foi citada como um exemplo a ser seguido, onde o turismo é a maior fonte de renda do governo, representando 7,2% do PIB, a maior parte proveniente dos parques nacionais. Esse resultado é obtido com apenas 5% de todas espécies animais e vegetais. O Brasil tem 20% da biodiversidade do planeta em cerca de 1,5 milhão de metros quadrados de área protegida (é o quarto maior do mundo nesse quesito), mas não sabe explorar economicamente seus recursos naturais. Os Estados Unidos também foi um país lembrado, pois seus parques nacionais recebem anualmente 46 milhões de pessoas e são uma importante fonte geradora de receitas.

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