Latino-americanos impulsionam turismo regional com viagem aos países vizinhos

[Diário do Turismo, 08/04/2013]
O interesse dos latino-americanos em conhecer os países vizinhos deu um novo impulso ao turismo na região, graças à boa situação econômica e aos crescentes vínculos entre as nações do continente, fato que acabou reduzindo a dependência dos turistas americanos e europeus.
De acordo com os dados oferecidos pela Organização Mundial de Turismo (OMT), a América Latina e o Caribe receberam 56,6 milhões de turistas estrangeiros no último ano, um crescimento de 4,4% em relação a 2011.
A chegada de estrangeiros no continente e em seu conjunto supôs uma receita de US$ 200 bilhões, segundo a OMT, que não divulgou dados específicos da América Latina e que prevê uma alta no turismo da região de 3% e 4% neste ano.
Apesar da crise econômica na Europa e da incerteza no mercado americano, o turismo na região segue crescendo, principalmente por causa dos fluxos alternativos de visitantes.
“Estamos tentando descobrir mercados que não eram tradicionais para nós para compensar a difícil situação europeia e americana, que se manteve bastante estável”, afirmou à agência Efe a subsecretária de Turismo do Chile, Jacqueline Plass, em uma recente visita a São Paulo.
Paradoxalmente, entre esses mercados “não tradicionais”, estão outros países latino-americanos, cujos cidadãos historicamente eram mais propensos ir a Miami do que conhecer os vales nevados chilenos, as montanhas peruanas e as Ilhas Galápagos.
No entanto, as coisas parecem estar mudando. A chegada de chilenos à Colômbia, por exemplo, cresceu 37% no último ano, enquanto o número de uruguaios no Brasil subiu 14% em 2011 e vice-versa, de acordo com os últimos dados oficiais da OMT.
Paula Meirelles, uma brasileira de 41 anos que trabalha como gerente de marketing, viajou duas vezes à Argentina somente no último ano. “Optei por conhecer a Argentina pelo baixo custo e também pelo tempo, já que consigo fazer uma viagem internacional em um fim de semana”, declarou Paula.
Em nível mundial, as viagens internacionais de curta duração – aproveitando feriados como o da Semana Santa – também aumentaram, uma tendência que também se reflete na América Latina.
Neste caso, a gerente de marketing brasileira destacou a facilidade e a economia por não necessitar de visto nem de passaporte para conhecer muitos dos países da região.
Essa tendência observada também se une à melhora das conexões e à boa situação da economia na América Latina, que está conseguindo resistir à crise mundial e que este ano crescerá 3,8%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A expansão econômica na América Latina levou 50 milhões de pessoas da região à classe média entre 1999 e 2009, uma alta de 50%, segundo um recente estudo apresentado pelo Banco Mundial, o que supõe um novo mercado de pessoas interessadas em cruzar as fronteiras.
A América Latina inaugurará 120 hotéis, destacando o potencial do Brasil, onde os projetos em andamento representarão 43,8 mil novos quartos nos próximos anos, segundo a Lodging Econometrics, uma empresa que avalia esse setor.
O grande incentivo no caso do Brasil é o acumulo de eventos mundiais: a visita do papa Francisco, na Jornada Mundial da Juventude, a Copa das Confederações deste ano, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.
Além disso, o governo ainda impulsiona a candidatura de São Paulo para abrigar a Expo 2020. “Isso fecharia um ciclo que acredito não ter visto em nenhum outro país”, declarou à agência Efe o Ministro de Turismo, Gastão Vieira.
Na contramão do exemplo brasileiro, a subsecretária de Turismo do Chile, Jacqueline Plass, cita o caso da Argentina, que, devido às restrições impostas por seu governo à compra de divisas e às despesas com cartão de crédito, se mostra fragilizada em relação às viagens ao exterior.
Neste aspecto, o maior impacto foi sentido no Uruguai, que, em resposta à queda de turistas argentinos, começou a procurar atrair mais turistas colombianos e mexicanos.
O turismo intra-regional também tem olhado mais a América Latina, como a Austrália, cujo fluxo de turistas em direção ao Chile aumentou 42% em 2012 após a abertura de uma linha aérea direta entre ambos os países, assim como fluxo de chineses e coreanos subiu mais de 30% na Colômbia.