Copa e Olimpíadas devem gerar 250 mil empregos permanentes

[Por Fecomércio, 02/09/2011]
Fecomercio debate oportunidades geradas com a realização dos maiores eventos esportivos do mundo
São Paulo, 02 de setembro de 2011 – Entender os gastos e o perfil de consumo dos estrangeiros que visitam o País é fundamental para gerar mais empregos, renda e benefícios para a população. Foi com base nesse argumento que o Conselho de Turismo e Negócios da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) realizou o evento “Turismo: Perspectivas no Brasil e o Impacto dos Megaeventos Esportivos”, na manhã de hoje (2/9), na sede da entidade. “Com a proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas, analisar o consumo dos turistas é muito importante para aproveitarmos as oportunidades de negócio que irão surgir por sediarmos os maiores eventos esportivos do mundo”, afirma Jeanine Pires, presidente do Conselho.
O economista Caio Megale, do Banco Itaú, estima que a realização dos megaeventos deve gerar 250 mil empregos permanentes, e um volume ainda maior de trabalhos temporários. “Os primeiros empregos estão surgindo no setor de infraestrutura e construção, mas depois serão beneficiados os setores de comércios e serviços”. Megale aponta que além dos benefícios em infraestrutura, os megaeventos esportivos deixarão um legado de hotéis, restaurantes e outras lojas que precisarão de funcionários. “Ao longo dos próximos quatro anos, veremos um crescimento da economia de 1,5% a mais do que veríamos se não sediássemos a Copa e as Olimpíadas”, aposta. “A corrente de comércio do País deve crescer 30%.”
Quanto ao turista que os jogos irão atrair, Luiz Gustavo Barbosa, coordenador do Núcleo de Turismo da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que os estrangeiros que vem para acompanhar a Copa tem um perfil muito diferente daqueles interessados nas Olimpíadas. “O público que virá para a Copa, na maioria é de homens, jovens, solteiros, com recursos e altamente escolarizado, que virão dispostos a gastar e gastarão mais do que a média dos turistas”, revela. “Já as Olimpíadas atraem um número menor de visitantes e na maior parte são famílias que acompanham os atletas. Ver os filhos, os irmãos, tentar quebrar recordes.”
A Visa participou do evento apresentando duas pesquisas inéditas sobre os gastos dos estrangeiros no Brasil e dos brasileiros no exterior. “Os estrangeiros gastaram US$ 2,1 bilhões no Brasil em 2010 por meio dos cartões Visa”, revela Jennifer McGowan, diretora de Relações Corporativas da Visa para a América Latina e o Caribe. “Os americanos foram responsáveis por 23% desses gastos.” Jennifer também afirma que os estrangeiros se preocupam se o País tem uma economia forte, se é fácil agendar voos e com a qualidade dos hotéis, antes de decidir seu destino. Pontos esses que o Brasil precisa progredir. O presidente da Visa no Brasil, Rúben Osta, pondera, entretanto, que o País já está fortemente inserido na economia mundial e que, com a realização da Copa e das Olimpíadas, tem uma oportunidade ímpar para progredir ainda mais.
O problema, segundo Barbosa, é que o Brasil ainda não decidiu qual a imagem que quer passar para o mundo. “Somos um País verde? Moderno? Inovador? Um País de negócios, com modernos parques tecnológicos ou algo mais lúdico, focado no turismo?”, questiona. “Ainda somos um ponto de interrogação.”