Turismo de Negócios vive boom no Brasil

Viajar a trabalho está cada vez mais comum no Brasil, impulsionando um segmento que cresce ano após ano. Mas a expansão não se reflete apenas no faturamento — o mercado também passa por uma transformação conceitual. O tradicional termo “turismo de negócios” vem cedendo espaço para a sigla em inglês MICE, que reúne Meetings (reuniões), Incentives (incentivos), Conferences (conferências e congressos) e Exhibitions (feiras e exposições). Mais abrangente, o conceito inclui desde eventos corporativos até viagens de incentivo promovidas por empresas e reforça a importância da experiência do participante.

Os números confirmam o bom momento do setor. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), o segmento faturou R$ 1,297 bilhão em abril deste ano, alta de 12,35% em relação ao mesmo período de 2025, quando movimentou R$ 1,154 bilhão. O desempenho acompanha o crescimento registrado no acumulado dos quatro primeiros meses do ano.

A hotelaria está entre as áreas mais beneficiadas por esse avanço. O Fairmont Rio de Janeiro Copacabana, por exemplo, decidiu ampliar e modernizar seu foyer voltado para convenções. A partir do segundo semestre, o espaço contará com cerca de 2,8 mil metros quadrados projetados pela arquiteta Patricia Anastassiadis. As intervenções incluem iluminação, mobiliário, acessibilidade, circulação e infraestrutura, para dar mais conforto a credenciamentos, exposições, ativações de marca, lançamentos de produtos, coquetéis e networking.

Na avaliação do diretor-geral do cluster de luxo da Accor, Netto Moreira, as empresas hoje buscam mais que um local para realizar reuniões ou convenções. Segundo ele, há uma preocupação crescente com a experiência dos participantes, o bem-estar, a personalização dos serviços e a criação de ambientes que favoreçam conexões genuínas.

— Os eventos deixaram de ser apenas encontros profissionais e passaram a representar oportunidades de relacionamento, inspiração e construção de marca — afirma.

A infraestrutura da cidade também acompanha esse movimento. Em julho, o Aeroporto Santos Dumont deverá ganhar uma nova sala VIP administrada pela agência especializada TravelCorp, para atender ao novo perfil do viajante corporativo, que, além de praticidade e conforto, busca atendimento personalizado, boa gastronomia, contato com a cultura local e, quando possível, a oportunidade de estender a viagem para momentos de lazer.

Atender a esse público exige equipes cada vez mais preparadas e uma ampla rede de parceiros. Para o sócio-diretor da TravelCorp, Vitor Raposo, a tecnologia tem papel fundamental nesse processo, especialmente em eventos híbridos. Mas os encontros presenciais seguem valorizados.

— A inteligência artificial e as novas tecnologias digitais são essenciais hoje em dia, mas, ao contrário do que se imaginava há alguns anos, os eventos presenciais continuam ganhando força. São experiências que fazem diferença na percepção das marcas e fortalecem os relacionamentos — destaca Raposo.

A transformação digital também está chegando aos bastidores do setor. A Montanari Tecnologia desenvolveu o MICE Control, sistema que integra gestão financeira, pagamentos e conciliação de despesas dos eventos. A ferramenta permite organizar todos os custos por projeto, inclusive aqueles realizados com cartão de crédito.

— O mercado de viagens e eventos corporativos já é bastante robusto, mas precisa avançar na digitalização. O MICE Control surgiu para reunir segurança, gestão e conciliação financeira em uma única plataforma — explica Fabio Montanari, CEO da empresa.

SOLUÇÕES COMPLETAS

Na ponta da operação, a busca por soluções completas também cresce. A Bureau de Eventos, com escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo, oferece serviços que vão do planejamento à montagem de estandes. Os eventos científicos, convenções e seminários estão entre os formatos mais procurados e exigem profissionais de diferentes especialidades.

A tecnologia está presente em processos como credenciamento, controle de acesso e transmissões on-line, mas a experiência presencial continua determinante. Por isso, apresentações musicais, atrações culturais e atividades de lazer costumam complementar a programação dos eventos.

— Estamos no mercado desde 1993 e sempre nos adaptamos às mudanças. Muitas vezes contamos com parceiros especializados para atender a demandas específicas. Quanto maior for a rede de empresas qualificadas de uma cidade, maior será sua capacidade de atrair eventos corporativos — afirma Ilda Brito, sócia da Bureau de Eventos.

Ao combinar negócios, tecnologia, hospitalidade e experiências cada vez mais personalizadas, o mercado MICE se consolida como um dos principais motores do turismo e da economia nas grandes cidades brasileiras.

Fonte: InfoGlobo

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