Abertura à competição

[Por Aquarela2020, 25/03/2013]
Cada vez mais brasileiros fazem turismo no exterior, gerando empregos e renda nos hotéis, parques temáticos, restaurantes e lojas dos outros países. Um dos indicadores mais expressivos dessa situação foi recentemente divulgado pelo Banco Central: o déficit na conta turismo ultrapassou em 2012 a marca de US$ 15 bilhões.
Ainda que a nossa receita tenha atingido o recorde de US$ 6,6 bilhões, mostrando que os estrangeiros nunca gastaram tanto com turismo no Brasil, um aumento ainda maior se verificou na despesa dos brasileiros no exterior.
Se, por um lado, isto nos mostra que um número cada vez maior de brasileiros está podendo viajar para o exterior pela primeira vez, seguindo a tendência do crescimento da chamada nova classe média, por outro lado nos preocupa um questionamento primordial: por que tantos brasileiros preferem viajar ao exterior, e não para destinos nacionais?
Há muitas respostas para tão complexa indagação; uma delas nos remete à competitividade. Precisamos buscar mais produtos e serviços com qualidade, e a preços justos.
A Pesquisa Internacional de Preços da Hotelaria, efetuada pela Embratur, mostra que atualmente esse é o assunto mais importante para a economia do turismo.
As últimas edições do Informativo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, que também acompanha os preços hoteleiros, apontam tarifas semelhantes para todas as cidades contempladas pela pesquisa governamental, configurando-se uma tendência bastante perigosa.
Espera-se que as desonerações tributárias e a redução das tarifas de energia produzam uma reversão de aumentos de preços hoteleiros acima da inflação e dos custos do setor.
Outro problema grave reside nas passagens aéreas.
Defendemos medidas que aumentem a concorrência no mercado aéreo, a exemplo da expansão da aviação regional, da efetivação de novos acordos de “céus abertos” e da sua extensão a todos os países da Unasul. A medida foi adotada há alguns anos na União Europeia, com ótimos resultados para os usuários.
Relacionado a uma regulação mais forte, outro caminho seria o estabelecimento de um teto tarifário a cada rota aérea, para evitar tarifas disparatadas, de R$ 6 mil ou R$ 7 mil em trechos nacionais, que lesam os consumidores e produzem danos de imagem que fazem diminuir a vontade de viajar pelo país.
É verdade que a lei da oferta e da procura é irrevogável, mas também é verdade que ela não pode ser absoluta em um estado de direito.
Até 2016 estaremos decidindo o destino do turismo no país. É fundamental que aproveitemos a oportunidade para consolidar uma imagem de destino turístico competitivo e honesto. Turismo – poderosa fonte de emprego, renda e de lazer – deve ser acessível a todos.