Especial Carnaval: Os ganhos e perdas dos quatro dias de folia para o comércio e a indústria brasileira

[Por Último Instante, 15/02/2012]
Considerada a maior festa de rua do mundo, o Carnaval brasileiro atrai turistas de diversos países e aquece a economia de praticamente todos os municípios do país, sobretudo daqueles que fazem dos quatro dias de festa sua renda anual.
Largamente beneficiada pelo crescente número de turistas que procuram pequenas e grandes cidades todos os anos, o segmento de agências de viagens encontra na festa de Momo uma fonte para incrementar suas receitas.
Turismo
De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), Edmar Bull, o percentual de pacotes vendidos para os quatro dias do Carnaval representa de dez a 11% do faturamento anual das agências de turismo.
“O Carnaval é um evento muito importante para agências. Entre os principais eventos do ano é o segundo com maior faturamento, só perdendo para o final do ano”, explica. Segundo a Abav, no período, o faturamento das agências de turismo cresceu de 13% a 14% (em reais).
Para este ano serão realizadas seis milhões de viagens, feitas por turistas nacionais e internacionais. Entre os destinos mais procurados estão as cidades de Salvador, Recife, Fortaleza e Florianópolis. No período, a movimentação financeira pode atingir até R$ 5,5 bilhões.
A importância da festa para a economia brasileira é destacada também pela presidente da Associação Brasileira das Empresas de Eventos (Abeoc), Anita Pires. Segundo ela, o evento eleva em mais de 80% o nível de ocupação das cadeias de hotéis de todo o Brasil.
“Nesse período, a ocupação hoteleira é muito grande. Os hotéis ficam com praticamente 100% de ocupação, ninguém tem menos de 80%. Para você ter uma ideia, o sindicato de hotéis do Rio de Janeiro afirmou que, para este carnaval, 80% das vagas já estão reservadas”, afirma.
Além da rede hoteleira, a executiva destaca também a influência positiva do período nas vendas dos setores de alimentos e bebidas, comércio (em especial os estabelecimentos que vendem tecidos) e bares e restaurantes.
Comércio
Responsável por mensurar a venda nos supermercados do Estado de São Paulo, a Associação Paulista de Supermercados (Apas) informou que, ao longo dos últimos anos, as vendas no mês em que ocorre o Carnaval (fevereiro ou março) sobem 9% ante o período imediatamente anterior.
Entre os itens mais comercializados, a associação destaca a boa procura por carnes para churrasco e bebidas, sobretudo cervejas e refrigerantes. Para este ano, a entidade projeta um crescimento de 5% nas vendas durante os quatro dias de festa.
Indústria
Apesar do otimismo com um aumento em sua margem de lucros ser a marca registrada de diversos setores brasileiros neste período, a indústria têxtil viu diminuir ao longo dos anos seus motivos para festa.
Aquecida pela demanda por tecidos para a confecção de fantasias no passado, a indústria nacional se vê prejudicada pela entrada expressiva de tecidos vindos de outros países, sobretudo da China.
“O carnaval sempre movimentou bem o setor têxtil, especialmente no segundo semestre que antecede a festa, quando são comprados os tecidos. Contudo, a participação dos importados têm crescido nos últimos anos. A maior parte das fantasias hoje são confeccionadas com tecidos importados da China”, diz a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), em nota.
Ainda de acordo com o texto, a agressiva participação dos asiáticos no mercado brasileiro permitiu com que o setor lucrasse apenas 10% no período, impedindo que o cenário traçado em 2011 fosse alterado. No ano passado, o setor fechou o ano com queda de 14% na produção física.
Economia
Mesmo com alguns pontos negativos, o Carnaval permanece sendo um período de extrema importância não apenas para alguns setores da economia mas principalmente para cidades que veem neste período boa parte de sua renda anual, explica o professor de Finanças do Ibmec, Eduardo Coutinho.
“O Carnaval é importante para alguns setores, como o de bebidas, turismo e vestuário, mas também para alguns estados, que investem em festas tradicionais e recebem um volume considerável de turistas, aumentando a demanda, nestes lugares, por bens e serviços”.
O período, afirma o professor, eleva também o número de empregos gerados, embora alguns dos postos criados já tenha sido aproveitado pela chegada do verão. Além deste fator, o alto nível de informalidade nos quatro dias de folia também dificulta a quantificação de postos de trabalho.
“Contudo, em contraponto, temos dois dias na semana que deixam de ser úteis e onde riquezas para o país deixam de ser produzidas. Não temos como saber até que ponto isso [o Carnaval] é bom ou não para o país”, ressalva.
A falta de dados que mensurem os gastos públicos no período também é levantado por Anita Pires, que também é coordenadora do Fórum de Entidades do Setor de Eventos.
“Em Florianópolis ano passado nós fizemos um levantamento e descobrimos que a maioria dos turistas que vieram para a cidade não estava em hotéis. Eles tinham gastos mínimos, traziam a própria bebida. Então é um problema você não ter dados que mostrem o quanto é gasto com segurança durante as festas, com a colocação de banheiros [químicos]”, explica.
No entanto, Anita afirma que já estão sendo iniciadas conversas para que seja elaborado um estudo apontando os principais indicadores econômicos do Carnaval em todo o Brasil.
Porém, destaca ela, o Carnaval permanece sendo uma festa extremamente importante dado seu alcance sobre a cadeia econômica brasileira. “Essa é uma festa muito importante, uma atividade que movimenta toda a cadeia. Os eventos acontecem em todas as cidades, grandes e pequenas”.
Um sinal de que nem a falta de indicadores econômicos precisos ou a concorrência desleal dos importados sobre os produtos nacionais apaga o brilho do Carnaval para o povo brasileiro.

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