Balanço do governo federal sobre a Copa 2014 é impreciso e traz prazos irreais

[Por Portal 2014, 20/09/2011]
Lançado na última sexta-feira (19) para marcar a contagem regressiva dos mil dias para a Copa, o balanço da União sobre as obras do Mundial contém imprecisões, prazos irreais e até mesmo erros acerca da situação dos projetos de estádios, aeroportos e mobilidade urbana planejados para 2014.
E além de trazer informações desencontradas, o relatório veio a público com cinco meses de atraso. A primeira versão foi lançada em janeiro, logo depois que a presidente Dilma Rousseff tomou posse, sendo que a intenção do governo era realizar um balanço trimestral das obras.
Desde então, três cidade começaram a construir ou reformar seus estádios (Fortaleza, São Paulo e Natal). As obras do Itaquerão, na capital paulista, começaram no final de maio, mas o relatório do governo dá conta de que a terraplanagem do terreno está concluída. Responsável pela obra, a Odebrecht afirma que o nivelamento da área exigirá a remoção de 300 mil m3 de terra e deve terminar apenas em 2013.
Mobilidade urbana
Considerando o relatório da União, cinco sedes estariam tocando obras de mobilidade urbana para a Copa. Mas, no mundo real, a situação é um pouco diferente. Apenas 1,5% dos R$ 6,6 bilhões de financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF) foi liberado. E somente para Belo Horizonte.
Com exceção da capital mineira e do Rio de Janeiro, que começou a construção de um BRT (Bus Rapid Transit) com financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), as demais cidades ainda penam para tocar projetos de grande envergadura, como corredores de ônibus e sistemas sobre trilhos.
Das 49 obras previstas para melhorar o acesso dos aeroportos a hotéis e estádios, vinte e nove ainda não foram licitadas e quatro sequer têm projeto básico.
Um exemplo é o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Cuiabá, incluído entre as obras da Copa por pressão do governo de Mato Grosso. A intenção original (firmada em acordo de 2009) previa a construção de um BRT para a Copa, obra mais rápida e com projetos concluídos.
Além de dobrar os custos, a mudança levou a capital mato-grossense para a estaca zero. O governo promete entregar os projetos básicos em outubro –um recorde em comparação com as demais cidades-sede. A licitação será feita de afogadilho, em novembro, e todas as licenças devem estar garantidas até março de 2012, data marcada para o início da construção.
Outra sede que promete bater todas as marcas do processo burocrático é Natal. Sem projeto, nem licitação, a capital potiguar promete começar obras para a Copa em novembro.
Para evitar constrangimentos, Salvador ficou fora do balanço da Copa. A capital baiana foi outra que mudou seu projeto de última hora. Em vez do BRT previsto em 2009, pretende usar os recursos na ampliação do metrô. Por enquanto, não há cronograma oficial.
Outra falha a respeito das obras de mobilidade urbana, é que o balanço do governo não distingue o custo individual dos projetos, informando apenas o total que se pretende investir em cada sede.
Aeroportos
O balanço das obras da Copa também puxa para o lado positivo a situação da infraestrutura aérea. Segundo o relatório, oito dos treze aeroportos que receberão os turistas do Mundial estariam em obras.
Os dados escondem uma realidade pouco alentadora. Levantamento do Portal 2014 publicado na última quinta-feira aponta que somente um terminal, o do Galeão, no Rio, passa por reforma.
Além disso, nos aeroportos de Brasília, Cuiabá e Porto Alegre estão sendo instalados apenas módulos operacionais provisórios, os chamados MOPs, ou “puxadinhos”, destinados exatamente a apagar os incêndios provocados pelo crescimento da demanda por voos.
Em Curitiba e Guarulhos-SP, obras somente para melhorar pistas de pouso e na construção de um terminal remoto, respectivamente. Em Natal, que também terá investimento privado, ocorre a terraplanagem, fase inicial de obras. O maior atraso ocorre nos aeroportos de Campinas-SP e Porto Alegre: ambos sem projetos contratados para os terminais.

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