Rio vai estimular eventos e voos para atrair turistas

O governo Witzel prepara um conjunto de medidas de incentivo ao turismo, que incluem ampliar o número de voos para o Rio e a captação de eventos como congressos e feiras. Entre os pontos em estudo estão descontos em restaurantes e diárias a preço de custo na baixa temporada.

 

O governo do Rio de Janeiro faz os ajustes finais em um pacote de medidas para ampliar o número de voos nos aeroportos do estado e reaquecer o turismo. O plano foi desencadeado pela redução da alíquota do ICMS sobre o querosene de aviação de 12% para 7%, aprovada em julho. A estratégia, agora, é casar essa iniciativa com estímulos aos serviços ligados ao turismo e à atração de eventos para elevar a demanda aérea e ajudar a recuperar a economia fluminense.

 

Para fazer aviação e turismo decolarem, o governo do Rio costura acordos coma iniciativa privada, sobretudo com aérea se a hotelaria carioca. Para captar mais eventos, será criado um banco de diárias apreço de custo a serem utilizadas ao longo da baixa temporada para acomodar participantes de congressos, feiras e outros eventos. Haverá ainda descontos para e lesem restaurantes que integrarem a iniciativa.

 

Outra frente para atrair visitantes, sobretudo estra ng eiros, é um incentivo aos topo ver, quando uma empresa aérea estrangeira permite que passageiros a caminho de outras cidades no Brasil passem de dois a cinco dias no Rio antes de chegar ao destino final.

 

FLUXO DE PASSAGEIROS CAI

 

Os passageiros das companhias que aderirem terão direito a descontos de 30% nos hotéis. A portuguesa TAP é a primeira a aderir ao programa, no fim do ano, mas o plano do governo é ter outras participantes.

 

— Um pacote como este é resultado de uma equação complexa ainda em formatação, porque precisa abraçar medidas que tragam mais fluxo aéreo ao estado casadas com a expansão do segmento de turismo e eventos, vocação natural do Rio e de impacto importante e ágil para a economia —diz o secretário estadual de Turismo, Otávio Leite.

 

O governo fluminense também pretende oferecer contrapartidas às aéreas que ampliarem a oferta de passagens para o Rio, o que pode ser feito com novas linhas, com o uso de aviões maiores nas existente sou em parcerias com estrangeiras,diz uma fonte. Apesar da crise fiscal, o Rio também investirá R $13 milhões em promoção turística no Brasil e no exterior na expectativa de obter retorno com mais atividade econômica. Por isso a medida foi aprovada pelo Conselho Superior do Regime de Recuperação Fiscal, diz Leite.

 

O Rio sofre coma perda de voos desde o começo da crise econômica, em 2014. Entre janeiro e agosto deste ano, o fluxo de passageiros encolheu 8,65%, para 7,4 milhões, na comparação com igual período de 2018, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil( Anac ). Em decolagens, a queda beira os 13%, somando 57,2 mil no período.

 

Os números refletem a fragilidade econômica doestado, em recuperação fiscal, que reduz as viagens de negócios. Conforme revelou O GLOBO na terça-feira, acidade do Rio perde umais de 8 mil vagas nos oito primeiros meses do ano, enquanto a maioria das capitais vive retomada do emprego formal. Boa parte do desemprego está concentrada no setor de comércio e serviços, que é impactado pelo turismo.

 

—O que vai fazer o transporte aéreo avançar no Rio é o crescimento econômico, a voltada renda às famílias, o emprego—avalia Alessandro Oliveira, especialista em aviação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica.—Sinalizara intenção de atrair negócios e eventos, em que o Rio já tem potencial, no cenário de crise, é uma estratégia bem-vinda.

 

‘ROCK IN RIO’ GERA R$ 1,7 BI

 

O Rio tem 311 eventos confirmados este ano, mais que os 288 realizados em 2018. A aposta nos eventos foi reforçada pelos resultados do Rock in Rio, encerrado no último fim de semana. Roberto Medina, idealizador do festival, afirma que o evento gerou 30 mil empregos temporários e injetou R$ 1,7 bilhão na economia da local, segundo cálculo da FGV.

 

Das 700 mil pessoas que passaram pelo festival entre 27 de setembro e 6 de outubro, 60% vieram de fora do estado. No período, houve 381 voos domésticos extras para o Rio, mais da metade do reforço em toda a temporada das férias de julho: 587 voos, incluindo 32 internacionais. Na segunda semana do Rock in Rio, a ocupação média da hotelaria carioca bateu 78%, segundo a Hotéis Rio, que representa o setor. Em algumas regiões da cidade, ultrapassou 90%. Em 2018, a média de ocupação no Rio ficou em torno de 60%.

 

— Os grandes eventos são importantes, dão visibilidade, mas o que mantém a economia são as centenas de médios e pequenos eventos realizados ao longo de todo o ano. Captamos, por exemplo, um grande congresso da área médica para 2023, com 15 mil participantes e estimativa de impacto financeiro de US$ 44 milhões para aci da de—diz Philipe Campello, diretor do Rio Convention and Visitors Bureau (Rio CV B ).— Vamos usara ociosidade dos hotéis para compor tarifas agressivas para captar eventos. Não há desconto padrão. Um hotel com 300 quartos e diária a R$300 pode botar 30 unidades no banco de diárias a R$100 por noite, por exemplo.

 

A gestão desse banco ficará coma Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), que vai integrar um conselho coma participação de entidades do setor de restaurantes, além do poder público estadual e municipal.

 

— Este ano, já há recuperação na ocupação e do preço da diária média —destaca Alfredo Lopes, da ABIH-RJ.

 

 

Fonte: O Globo

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