Prefeitura indica terreno junto ao Beira-Rio para receber Centro de Eventos

[Zero Hora, 24/08/2017]
Após quatro anos de espera, a prefeitura definiu o local onde deverá ser construído o Centro de Eventos de Porto Alegre: um terreno de 37 mil metros quadrados ao lado do Estádio Beira-Rio. Atualmente, parte da área é cedida ao Sport Club Internacional, que o utiliza como estacionamento na Avenida Padre Cacique. A indefinição sobre o endereço da estrutura era o principal entrave ao avanço da iniciativa.
O detalhamento do projeto será enviado ao Ministério do Turismo. A documentação necessária foi encaminhada à Caixa Econômica Federal, que, segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ricardo Gomes, é a gestora dos R$ 60 milhões destinados pela União ao projeto via PAC Turismo.
— A partir da análise dos documentos, a Caixa elabora um parecer e o encaminha ao Ministério do Turismo — explica Gomes, que deve deixar a pasta até semana que vem para assumir o mandato na Câmara Municipal.
No Executivo municipal, a meta é não perder o recurso conquistado em 2013 — Porto Alegre já prorrogou por três vezes o prazo para indicação do terreno. Em Brasília desde segunda-feira, o prefeito Nelson Marchezan tinha reunião marcada no Ministério do Turismo na tarde desta quinta-feira (24), mas o encontro acabou cancelado.
A Caixa Econômica Federal confirma que o recurso está liberado e ativo até dezembro deste ano e que o “termo de referência para a contratação dos projetos entregue pela Prefeitura Municipal à Caixa foi aprovado, o que dá condições de iniciar a etapa de elaboração de estudos de viabilidade e anteprojeto/projeto básico”.
A prefeitura aguarda apenas a concordância do Ministério do Turismo para iniciar os estudos de viabilidade e o projeto básico da licitação, que contratará a execução da obra. Conforme o ministério, “até o presente momento, o termo de compromisso da obra do Centro de Convenções de Porto Alegre permanece sem projeto executivo, sem licença ambiental e sem comprovação da propriedade do terreno”. A ausência desses documentos impede a retirada da cláusula suspensiva, que é a situação atual, e o início da obra. Procurado por ZH, o Inter não se manifestou até a publicação deste texto.
O setor turístico da Capital sustenta que a falta de um centro de eventos — estrutura desejada há pelo menos duas décadas entre comerciantes e empresários — dificulta a atração de eventos de grande porte como congressos e feiras. Sua construção é vista como um passo importante para incrementar o chamado turismo de negócios na cidade. A obra deveria ter sido iniciada em 2016, mas faltava apontar o local.
Quatro anos de expectativas
Em maio de 2017, Ricardo Gomes anunciou que foi autorizada a construção do empreendimento por meio de uma parceria público-privada (PPP). A ideia é que a empresa que vá executar o projeto também seja a administradora do local, que deve ser um centro de feiras e convenções.
Para o presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região (Sindha), Henry Chmelnitsky, o Centro de Eventos é assunto vencido. Segundo Chmelnitsky, a prefeitura perdeu o timing para a construção do centro, além de o momento de instabilidade econômica prejudicar a busca de investimentos para essa obra:
— Entendemos que o tempo passou. Hoje tu precisa de, no mínimo, 60 mil metros quadrados, mais uma área com estacionamento, com tudo, para fazer algo imponente em questão de estrutura. Além de um investimento de, no mínimo, R$ 300 milhões. A questão é: quem é que vai fazer esse investimento? Tem que ser a iniciativa privada, e eles não vão fazer um investimento em algo que, para ter seu equilíbrio, necessita de uma economia extremamente ativa.
Pela demora, Chmelnitsky acredita que a Capital deixou de receber eventos importantes que estimulariam a economia do município.
— A falta de um centro de convenções é um elemento que desanima os empreendedores a tratarem Porto Alegre como uma cidade-fim para eventos de grande porte, apesar da boa localização estratégica. Podemos oferecer os vinhedos e a serra gaúcha, os cânions, além da proximidade com Punta del Este e Buenos Aires — lamenta.
Chmelnitsky não defende a criação, do zero, do Centro de Eventos. Para ele, a solução seria utilizar a área do Cais do Porto:
— Tendo uma área do porto como nós temos, belíssima, deveríamos investir ali. Antes da Copa do Mundo, entendíamos que a região próxima à Arena comportava todo o espaço necessário e era mais bem localizada. Agora precisamos ser pragmáticos, trabalhar com o que temos.
Moradores do Humaitá esperavam receber estrutura
Durante este ano, a prefeitura analisou também a possibilidade de apontar outro terreno para o Centro de Eventos: uma área da Superintendência de Portos e Hidrovias que fica junto ao Centro de Treinamentos da Arena do Grêmio. A possibilidade era saudada por integrantes do 4º Distrito — com o empreendimento, poderia vir a melhoria na urbanização prometida já quando o estádio foi construído.
Em almoço na quinta-feira (17), empresários do 4º Distrito, membros da Associação das Empresas dos Bairros Humaitá e Navegantes (AEHN), já admitiam a “derrota”. Além da perda de investimentos na região, temiam que o terreno que serviria para abrigar o Centro de Eventos seja destinado ao reassentamento de comunidades da região das ilhas.
— Tememos que o local se torne uma região livre para o tráfico de drogas, e que prejudique ainda mais as pautas do 4º Distrito — lamentou um empresário da região, que não quis ser identificado.

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