O turismo como arma geopolítica: entenda o impacto das restrições de viagens no mercado

[Por Hôtelier News, 08/06/2017]
O turismo tem sido há tempos uma fonte de prazer e atividade de negócios com imenso potencial. No entanto, para alguns especialistas, o setor está inclinado a se tornar uma arma geopolítica. A atual situação de tensão no mundo implica manobras na indústria do turismo noticiadas quase que diariamente. Nunca testemunhamos tantas proibições e restrições, nem mesmo durante a Guerra Fria, embora existam exemplos de certas limitações neste período.
É surpreendente e assustador ao mesmo tempo como o turismo pode agir como uma arma influente agora e provavelmente ainda mais no futuro.
Um exemplo do passado é a proibição de viagens em Cuba, por conta do embargo. A restrição foi imposta em meados de 1963, no início do governo de Fidel Castro com todos os cidadãos norte-americanos sendo proibidos de visitar a ilha. Ao longo dos anos a situação melhorou e piorou novamente até o dia 28 de janeiro de 2011 quando um acordo definitivo foi selado entre os países. Desde então, o turismo na ilha tem sido fortemente alimentado pela presença de viajantes dos Estados Unidos.
Certas restrições ainda permanecem, motivando um grupo de 55 senadores norte-americanos a pleitearem uma lei que elimine de vez as restrições de viagens para Cuba com fins turísticos. Atualmente, os viajantes do país contam com menos de 12 categorias aprovadas, que incluem atividades religiosas, coberturas jornalísticas, entre outras.
Entretanto, o presidente Donald Trump ainda é cético sobre Cuba. No passado, Trump afirmou que promoveria mudanças na política adotada por Barack Obama em relação a ilha. A revisão das políticas dos Estados Unidos sobre Cuba deve ser divulgada nas próximas semanas.
Já é certo que uma maior flexibilização do regime de viagens seria de grande benefício para Cuba e para os Estados Unidos, criando novos postos de trabalho na indústria e fomentando o desenvolvimento da iniciativa privada cubana e da economia em geral.
Disputa Rússia-Turquia A disputa entre Rússia e Turquia é um exemplo de conflito recente que envolve a proibição e restrição do turismo. A Rússia impôs sanções, proibiu voos e restringiu viagens depois que os militares turcos derrubaram um avião de combate russo na fronteira da Síria em novembro de 2015.
Este foi um grande golpe para a Turquia porque a Rússia era um dos principais mercados emissores para o país. Em média, 3,5 milhões de russos visitavam a Turquia todos os anos e, como resultado desse episódio, o fluxo caiu 30%, totalizando 25,3 milhões de visitas em 2016.
Após um ano marcado pela tensão entre os dois países, as relações começam a dar sinal de melhora. Em agosto do ano passado, a proibição de viagens foi cancelada. Na semana passada, a Rússia firmou um acordo de livre circulação de vistos entre os dois países. Além disso, Putin encerrou a proibição de empregar trabalhadores turcos no país.
Em abril deste ano, o número de visitantes estrangeiros na Turquia aumentou pela primeira vez desde o início do conflito com a Rússia. As chegadas tiveram aumento de 18% em relação ao ano passado, encerrando um período de queda constante que vinha se desenhando desde agosto de 2015. As receitas do turismo no país podem aumentar mais do que o esperado neste ano com especialistas prevendo um aumento de 10%.
Coreia do Sul e China
A China impôs uma proibição de viagem à Coreia do Sul no último dia 15 de março, tendo como motivo a implantação de um sistema anti-míssil norte-americano em Seoul. Os Estados Unidos e a Coreia do Sul afirmam que a medida visa a defesa do país contra ameaças da Coreia do Norte, mas a China teme que esta seja apenas “uma explicação parcial”.
O impacto foi sentido quase que imediatamente, em abril, com uma queda de 66,6% de visitantes chineses na Coreia do Sul, em comparação ao mesmo período de 2016. No geral, essa queda rápida do fluxo de visitantes chineses levou a um declínio de 27,2% dos total de visitantes.
Os efeitos a longo prazo da proibição de viagem e outras restrições continuam a ser vistos. No passado, as tensões políticas entre os países asiáticos tiveram efeito a curto prazo com o mercado sendo impulsionado por fundamentos econômicos e de turismo. Mas considerando a força e a capacidade dos envolvidos, a situação pode se desenvolver de forma diferente. É certo que a Coreia do Sul buscará a diversificação da sua orientação turística. No geral, os esforços de Marketing devem ser fortalecidos no Sudeste Asiático, Oriente Médio e em toda a América.
 

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