Recursos ainda são incógnita para a "Nova Embratur"

[Panrotas, 05/04/2017 ]
“A Embratur vai virar uma agência. Já há uma acordo político para a aprovação do projeto”, disse o presidente do órgão, Vinicius Lummertz, durante reunião extraordinária do Conselho de Viagens e Eventos Corporativos da Fecomercio-SP (nas formações Executivo e Consultivo), no primeiro dia da WTM Latin America, em São Paulo. Mas ainda não se sabe de onde virão os recursos. A proposta de Lummertz é que venha do orçamento do Sebrae, que hoje é de mais de R$ 4,5 bilhões (cerca de 10% iriam para a Nova Embratur”. Também convidado da reunião, o ex-presidente do instituto e ex-ministro do Esporte e Turismo, Caio Luiz de Carvalho, apoiou a ideia da criação da agência e sugeriu a Lummertz que a questão dos recursos não seja um impedimento para a aprovação do projeto. “Se não houver definição a tempo, aprova e depois vê o que faz”, disse.
Segundo Lummertz não está sendo um processo fácil, assim como não é fácil vender o Brasil, ainda mais sem dinheiro. Com orçamento de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões, a agência teria dinheiro para promover o País lá fora e mais agilidade no fechamento de parcerias com a iniciativa privada, por exemplo. A agência teria um conselho com 13 membros, cinco representando os empresários do setor e oito o governo, pois, de acordo com Lummertz, a questão da imagem do Brasil envolve não apenas o Turismo, mas outras áreas e ministérios.
“O significado do Turismo hoje é outro. Temos de ter um outro repertório, como mostramos na abertura das Olimpíadas, com a releitura que foi feita do País. O Brasil é aquilo”, disse ele, que promete mais detalhes na próxima semana, quando o presidente da OMT, Taleb Rifai, estará no lançamento do Brasil Mais Turismo, programa do Ministério do Turismo que incluirá facilidades de vistos para algumas nacionalidades que visitam o País.
Lummertz defende os escritórios da Embratur não apenas no Exterior mas nas regiões do País e pediu a mobilização e o apoio do trade, para que o projeto seja aprovado mais rapidamente e com mais consistência. Quanto maior o lobby e o apoio da sociedade, segundo ele, mais os governantes estarão sensíveis às mudanças propostas. Ele defende ainda que esse seria um bom momento para se proporem reformas na política do Turismo do Brasil, dos impostos pagos à regularização de atividades. “A crise ajuda na aprovação dessas reformas, e depois de passar os projetos da Terceirização e da Previdência, uma proposta do setor de Turismo seria até um alívio”, disse. Mas, para ele, essa proposta precisaria vir de uma “União Brasileira de Turismo”, de uma só voz. “O setor”, sugeriu, “teria de eleger um porta-voz por mandato para pegar esses projetos debaixo do braço e ser a voz da indústria”.
Caio Luiz de Carvalho sugeriu, ainda, que o foco da Nova Embratur seja captar os 18 milhões de turistas latino-americanos, sem deixar de lado o resto do planeta, evidentemente. “Mas só chegaremos a 12 milhões de visitantes se priorizarmos nossos vizinhos”. Carvalho, no entanto, questiona se o setor precisa mesmo de um Ministério do Turismo ou de uma agência forte e que fale intimamente com todos os demais ministérios.
Lummertz citou o Rio de Janeiro e o Norte do País como destinos que se beneficiariam do modelo da nova agência. “O Rio já tem tudo pronto, depois da Copa e da Olimpíada. Precisa de dinheiro do governo federal para promoção internacional e de um projeto de segurança com presença física. Outras regiões, como o Norte a diversidade do Nordeste, e mesmo o Sul, precisam de promoção que destaque sua identidade”. “A diversidade atrapalha o Brasil a ter uma identidade para a promoção internacional”, concordou Caio Luiz de Carvalho.
Os conselheiros do Cevec se mostraram a favor da criação da agência, mas ainda têm muitas dúvidas sobre como vai funcionar, de onde virão os recursos e como eles serão administrados. As repostas podem começar a vir na próxima semana, no lançamento do Brasil Mais Turismo.