Se não definir terreno, Porto Alegre pode perder verba de R$ 60 milhões para Centro de Eventos 

[Por  Zero Hora, 20/02/2017 ]
Em 2013, prefeitura assinou contrato com governo federal para receber recursos, mas até hoje não definiu área para construção de estrutura que poderia impulsionar turismo corporativo.
Três anos depois de conquistar R$ 60 milhões do Ministério do Turismo para a construção de um centro de eventos de grande porte, a prefeitura de Porto Alegre ainda não definiu um local para realizar a obra, que deveria ter começado em 2016. Agora, corre o risco de perder a verba do governo federal e, consequentemente, a estrutura pleiteada há 20 anos por empresas e entidades.
Para garantir o repasse, o município tem até junho deste ano para apresentar ao Ministério do Turismo o terreno onde o centro de eventos será construído. Entidades relacionadas ao turismo formaram uma comissão para acompanhar o caso: se até o meio do ano a prefeitura não definir o espaço, o convênio com o governo federal será rompido.
Sem o dinheiro da União, a prefeitura afirma que não será capaz de realizar a obra, planejada para ter três vezes o tamanho da maior estrutura para eventos que a Capital possui atualmente — o Centro de Eventos da Fiergs.
— Temos receio de perder esses R$ 60 milhões pela falta de um terreno. Se a prefeitura não tiver uma proposta concreta até junho, com número da matrícula da área, vamos perder esse dinheiro — afirma a presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc), Ana Cláudia Bitencourt.
Sem um centro de grande porte, Porto Alegre vem perdendo cada vez mais feiras e congressos, argumentam os integrantes do setor turístico. Eventos que poderiam movimentar hotelaria e comércio e gerar mais arrecadação de impostos para uma cidade em dificuldades financeiras. Mais congressos na área médica, por exemplo, teriam vindo se a cidade tivesse a estrutura, diz o presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região (Sindha), Henry Chmelnitsky. O setor hoteleiro, que expandiu antes da Copa de 2014 com a promessa de incremento do turismo, agora opera com 40% da capacidade de ocupação.
— O que temos hoje é muito restrito, não conseguimos atender congressos médicos que envolvam mais de 9 mil profissionais, por exemplo. Nesse meio tempo, o Nordeste, que já tem a vantagem das praias, aparelhou-se muito melhor, construindo grandes centros com estruturas modernas, como o de João Pessoa — afirma Chmelnitsky.
Com 48 mil metros quadrados, o espaço erguido em 2015 na capital da Paraíba foi construído com auxílio da mesma fonte de verba destinada a Porto Alegre, o PAC do Turismo. Lançado em 2013, oferece R$ 660 milhões para 10 cidades criarem centros de eventos. Das 13 obras que compõem o programa (São Paulo teve três projetos aprovados) apenas três ainda não começaram: em Porto Alegre, Curitiba e Teresina.
No caso do Rio Grande do Sul, o convênio entre a Capital e o governo federal teve de ser renovado para que a verba não fosse perdida. O acordo se encerraria em dezembro de 2016 e foi prorrogado para dezembro de 2017, segundo o Ministério do Turismo.
Para apresentar o terreno até junho, a prefeitura negocia estuda obter posse de três áreas diferentes. Sem divulgar os endereços, o secretário de Desenvolvimento e Planejamento Estratégico, Ricardo Gomes, diz que negocia em paralelo para não perder o prazo. A ideia é construir o centro de eventos em parceria com uma empresa privada, que bancaria parte da obra e exploraria o local.
— Temos um terreno que a negociação está mais adiantada e outros dois que ainda estamos analisando. O meu compromisso com o setor do turismo é que viabilizaremos o primeiro terreno que for possível — afirma.