Feriados: Alexandre Sampaio pede união entre setores

[Por  Panrotas, 10/01/2017]
Presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) é do Conselho Empresarial de Hospitalidade e Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Alexandre Sampaio jogou, em artigo enviado ao Portal PANROTAS, panos quentes sobre a discussão entre varejo e Turismo a respeito dos feriados prolongados em 2017, pedindo união entre os dois setores.
Depois da FecomercioSP apontar um impacto econômico negativo do número de datas na economia brasileira e no comércio e pedir a redução do número de feriados, personalidades e entidades do Turismo reagiram reiterando que são datas como essas que potencializam as viagens ao longo do ano e fora da alta temporada.
“O setor do turismo é de suma importância para o Brasil não apenas por ser nossa principal vocação, mas também em tempos de recessão econômica. Não faz sentido suscitar polêmicas entre setores neste momento de crise, principalmente entre aqueles que são complementares”, observa Sampaio.
Para ele, a melhor solução seria trabalhista: mudar a legislação atual para que patrões e empregados negociem seus próprios acordos, diminuindo assim os prejuízos em função dos feriados. “O momento é de união em prol de um bem maior: o fortalecimento da economia nacional e a redução do desemprego”.
Veja abaixo o artigo completo de Alexandre Sampaio:
A união é luz no fim do túnel da crise
É inegável que o alto número de feriados prolongados neste ano que se inicia trará impactos à economia. Mas acredito que isso deve ser avaliado de vários pontos de vista, já que somos um país plural, com diversas vocações econômicas que se completam.
Ninguém duvida que uma das cadeias mais importantes no país é a do turismo: um a cada 11 empregos brasileiros vem dela, que movimenta cerca de 3,5% do PIB – ou R$ 182 bilhões, de acordo com dados de 2015. Para este ano, considerando a expectativa de aumento na entrada de turistas estrangeiros e de 5% a mais de brasileiros viajando dentro do país, o setor deve movimentar R$ 10 bilhões na economia. De acordo com estimativas do Ministério do Turismo, os feriados prolongados devem fazer circular R$ 20 bilhões – não entrando nessa conta Carnaval, Natal e Réveillon.
O setor do turismo é de suma importância para o Brasil não apenas por ser nossa principal vocação, mas também em tempos de recessão econômica. Não faz sentido suscitar polêmicas entre setores neste momento de crise, principalmente entre aqueles que são complementares. O turismo é um grande impulsionador de outras 52 áreas, seja direta ou indiretamente. Entre elas, está justamente o comércio. Se os feriados impactam o varejo em algumas cidades, na maior parte delas o setor terciário é impulsionado pelo fluxo turístico.
É impossível comparar a vocações econômicas de estados diferentes, e até mesmo de regiões do mesmo estado. Como comparar cidades como Porto Alegre e Maceió, ou Manaus e Fernando de Noronha? Cada uma tem suas atividades e suas peculiaridades, que juntas, são importantes na composição do PIB brasileiro.
O mais sensato é que trabalhadores e empreendedores decidam entre si em que condições manterão as lojas fechadas ou abertas, e negociem diretamente as condições trabalhistas durante os feriados prolongados. Dessa forma, permitiremos que os envolvidos decidam diretamente sobre o funcionamento das empresas nas épocas de alta demanda turística e o impacto delas nos encargos trabalhistas. O que temos a ganhar são as economias locais aquecidas, emprego e geração de renda em alta, justamente o que o Brasil precisa para voltar a crescer em um ritmo sustentável.
Por essa razão, a FBHA defende fortemente a liberdade da negociação entre patrões e empregados, respeitando as realidades diferentes de cada local, para que estes escolham o que mais beneficiará ambos os lados de igual forma. A negociação é a ferramenta mais justa para que possamos garantir crescimento para todo o país. O momento é de união em prol de um bem maior: o fortalecimento da economia nacional e a redução do desemprego.