O que realmente importa discutir de política pública de Turismo, à Luz das Eleições 2016?

[Por Eduardo Mielke,  Diário do Turismo, 30/08/2016]
Prefeitáveis ouvem:  “…precisamos de mais divulgação dos nosso atrativos, mais propaganda … mais eventos. E respondem: “…nosso plano blaster está pautado mesmo no marketing…”. Clichê dos clichês como “o turismo é importante para gerar emprego local”, este senso comum se repete a cada dois anos. Credo!
Se você acha que se não for por esta demanda, não há mais o que discutir, então é melhor rever seus conceitos agora! Senão, não me venha reclamar no COMTUR que o prefeito não tem recurso para fazer divulgação. Também, você só pediu isso a ele! Olhe o histórico do mais do mesmo! Pense nisso.
Realize, nesta ordem: 1° É “desafiador” concatenar uma sequência e consistência de investimentos oriundos do poder público frente ao dinamismo de mercado turístico, ainda mais prevendo o futuro, pois os orçamentos são aprovados já no passado. 2° Mesmo que haja recurso, divulgar para quem e aonde? Ou vai atirar para todo lado? 3° E a reclamação dos turistas, será que é da propaganda que viram?
Para que você entenda esta ordem, vamos de trás para frente  :
3°: Pedir mais apoio da prefeitura, para que ela resolva os problemas do turismo da sua cidade, sobre a ótica da prefeitura, não é, nem de perto, a pauta. Segurança, transporte, lixo, pronto-socorro, informações, mobilidade e acessibilidade, são estes os itens que os turistas e eleitores reclamam de fato. Não que tudo isso perpasse pelas políticas públicas de turismo, não é mesmo?
2°: Antes de fazer divulgação, há um mínimo de consenso estratégico do que se quer para o turismo da cidade? A Política de Turismo inclui o C&VB e o COMTUR em seu modus operandi? Este último é deliberativo e tripartite? E a sazonalidade? A Política de Turismo condiciona a atividade como catalisador do perfil (is) econômico local? Naquela política, há diretrizes para que os roteiros estejam estruturados de forma cooperada? Todos entendem comissão?Aliás, o mercado pleiteado sabe que você existe?
1° Quando você viu, já foi. A lentidão e a falta de regularidade, que vai ao sabor de interesses desconexos compromete qualquer qualquer coisa, como por exemplo a competitividade da sua cidade. Só isso…e em todos os níveis!

Nas eleições municipais, antes de sair pedindo a esmo mais propaganda, peça algo mais nobre, como uma Política de Turismo governamental

Olhando esta dinâmica causa e efeito do 1, o não atendimento do 2°  e 3°, reflete o que realmente importa. Nas eleições municipais, antes de sair pedindo a esmo mais propaganda, peça algo mais nobre, como uma Política de Turismo governamental que crie condições mínimas de um ambiente sadio,  possamos exercer o (A) conceito de Cooperar para Competir. O resto vem a reboque…inclusive a propaganda.