Armando Campos Melo, presidente da Ubrafe: “As feiras paralelas atrapalham ainda mais o mercado”

[Por Armando Campos Melo , Diário do Turismo, 01/09/2015]
Considerada a maior e mais plural vitrine do setor produtivo, não há mais dúvidas de que as  feiras geram negócios para grandes, médias, pequenas e microempresas.  De acordo com a pesquisa FIPE/Ubrafe, só na cidade de São Paulo as feiras de negócios movimentam R$16,3 bilhões na economia.
No entanto, além do panorama econômico não ser dos melhores, o presidente executivo da União Brasileira de Feiras (Ubrafe), Armando Campos Melo – afirma que os organizadores de feira estão convivendo com um outro grave problema: as feiras paralelas. O DT ouviu o executivo.
“Criar e produzir uma feira tem vários e diferentes custos. Seja na contratação de mão-de-obra, sena no aluguel de um pavilhão, na contratação de segurança, tudo que envolve um grande evento é projetado em custos altos. O investimento é grandioso”, afirma Melo.
Puxadinho
Para Armando – que tem em seu quadro de associados as maiores empresas da cadeia produtiva do setor de feiras de negócios e promoção comercial do Brasil, os eventos “paralelos” são um empecilho ao setor produtivo. “São eventos que são criados à revelia, às pressas, sem planejamento, sem estudo e sem investimento. Não há nenhum esforço de mídia, nenhum esforço organizacional. Pessoas, geralmente sem preparo, oferecem negócios para expositores que não vão ter o resultado esperado. Fazer puxadinho para ganhar dinheiro, é muito ruim para o mercado, pois atrapalha. Atrapalha o mercado, por isso chama-se paralelo”, afirmou ao DT.
Ainda, segundo Armando, as verdadeiras feiras de negócios são feitas com muita dedicação, zelo e apreço.
“Precisamos fortalecer aquelas feiras que ocupam os hotéis que, ocupam os shopping, os restaurantes, que movimentam o chão-de-fábrica daquela cadeia produtiva representada em determinada feira. Toda feira, tem uma pré-feira, um pós-feira, a feira em si. Tudo feito com muita dedicação, muita alma, muito coração”, frisou.
Ato de coragem
Diante do quadro recessivo na economia brasileira, Armando garante que nem todos os setores da economia estão em declínio, e arrisca:
“As feiras como atividade de promoção comercial atravessam um momento difícil, mas nem todos os setores estão em dificuldade”.  “No primeiro semestre as feiras foram menores, mas muito efetivas. Elas reduziram um pouco em tamanho com redução de custos, mas quem acreditou fez bom negócios…”
“O que precisamos entender é que a atividade de promoção comercial pode alavancar os negócios mais fortemente numa situação adversa e a feira tem esse papel fundamental”, ensina.
“Fazer uma feira é hoje um ato de coragem, pois é uma mídia presencial . Nela se vende o futuro. As empresas brasileiras têm em seu Dna a participação em feiras, pois são nelas que se exerce a maior relação de custo-benefício”, arremata.