Rio 2016: qual será o legado dos Jogos Olímpicos?

[Por Panrotas, 05/08/2015]
Daqui a um ano o Rio de Janeiro será o epicentro do mundo. Todas as atenções estarão voltadas para a capital do Estado do Rio, a Cidade Maravilhosa. Os maiores nomes do esporte mundial estarão na cidade, turistas desembarcarão no Aeroporto do Galeão, hotéis estarão lotados e o Rio de Janeiro pronto para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.
A um ano dos Jogos Olímpícos, 82% das obras do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, estão prontas, segundo a prefeitura do Rio e o Comitê Rio 2016. A previsão é que a conclusão ocorra até o segundo trimestre de 2016, já que os trabalhos estão dentro do prazo.
Entre as instalações do complexo esportivo, apenas o Estádio Aquático Olímpico, que está 81% concluído, deve ser terminado em 2016, no primeiro trimestre. As arenas cariocas 1, 2 e 3 estão com 85%, 91% e 93% da construção pronta.
No dia 5 de agosto de 2016 o Maracanã será palco de abertura do maior evento esportivo do planeta, que pela primeira vez acontecerá no Brasil e o Rio de Janeiro ganhou o direito de ser sede do evento. Em setembro será a vez dos Jogos Paralímpicos.
E quando acabar, será o fim do ciclo olímpico? O que o Rio irá absorver e transformará em legado para a população?
O Portal PANROTAS ouviu dirigentes e agora traz um raio x sobre a expectativa e legado dos Jogos. Confira:
Legado Olímpico

Há 12 meses da abertura, a cidade do Rio ainda é um canteiro de obras. Os avanços estão sendo significativos e, segundo a Prefeitura do Rio, todas as obras estão dentro do prazo. Barra da Tijuca, onde estará concentrado maior parte do evento, e o Centro são os dois bairros onde reúnem as principais obras, mas é possível ver sinal de transformação em toda cidade.
“Aproveitamos os Jogos Olímpicos e os investimentos que chegaram para fazer obras que a cidade já deveria ter feito”, afirmou em recente entrevista o prefeito Eduardo Paes, que costuma dizer que a cidade do Rio deve se servir dos Jogos Olímpicos, aproveitando suas instalações como legado para a cidade.
Os jogos irão mudar a realidade dos cariocas, principalmente no que diz respeito ao transporte. A cidade ganhará novas linhas de metrô, chegando inclusive na Barra da Tijuca. Os acessos ao bairro também estão sendo ampliados e novos caminhos estão sendo criados. O principal acesso à Barra, pela Zona Sul, está sendo duplicado. O centro ganhará o VLT (veículo leve sobre trilho) e o Aeroporto do Galeão dezenas de novas linhas de ônibus.
Educação e esporte

O legado não diz respeito às obras de infraestrutura. Parte das áreas e arenas usadas pelos atletas ficaram para a cidade do Rio, pós Rio-2016. Das nove instalações do Parque Olímpico da Barra, duas darão origem a escolas após os Jogos. Construída com arquitetura nômade, a Arena do Futuro será desmontada e, das suas estruturas, serão erguidos quatro colégios da rede pública do Estado. Já a Arena Carioca 3 passará por adaptações para receber salas de aula e centros de treinamento esportivo – será uma escola construída no modelo do Ginásio Olímpico Experimental (GEO), com capacidade para 850 alunos.
Também projetado com arquitetura nômade, o Estádio Aquático Olímpico dará origem a dois centros aquáticos, que estarão disponíveis para a população. As outras seis instalações do Parque Olímpico serão centros de treinamento de alto nível para diversos esportes, como tênis, luta, levantamento de peso, badminton, esgrima, taekwondo, judô e inclusive o atletismo.
Já em Deodoro, a pista de canoagem slalom dará origem a um lago recreativo aberto à população. Trilhas, churrasqueiras e mirantes espalhados pelo Parque vão diversificar ainda mais a opção de diversão para os cariocas. Opções de esporte para todos os gostos também serão atrações no Parque Radical. Para quem se inspirar nos esportes disputados na região durante os Jogos Rio 2016 e quiser se aventurar em atividades mais radicais, pistas de skate, de mountain bike e de BMX para iniciantes estarão disponíveis. As tradicionais quadras poliesportivas e ciclovias também marcarão presença no Parque Radical pós-Jogos. Uma Nave do Conhecimento, uma Clínica da Família e equipamentos de educação ambiental vão prestar serviços à população local.
Turismo
No Rio, todos ganham com as Olimpíadas, inclusive o Turismo, que está vendo o número de visitantes aumentar, a quantidade de hotéis crescer e mais investimentos vindo para a cidade. A Barra da Tijuca lidera entre os bairros que mais estão recebendo aporte financeiro. Até abertura dos Jogos a Barra terá um total de 12,8 mil quartos de hotéis, se tornando a segunda maior região do Rio com maior oferta hoteleira, perdendo apenas para a Zona Sul.
Na Barra estão surgindo ou já estão operando hotéis de rede, como Sheraton, Hyatt, Hilton, Mercure e Meliã, por exemplo, e também redes locais, como a Windsor, que terá mais três unidades no bairro, dos quais dois sendo quatro estrelas e um como sendo cinco estrelas. “A cidade do Rio está se transformando num grande produto turístico e todo setor acompanha essa transformação. Com estes investimentos, a Barra da Tijuca se consolida como um grande destino dentro do Rio de Janeiro”, sentencia o secretário de Turismo do Rio de Janeiro, Antonio Pedro Figueira de Mello.
Até então “deixada de lado” pelas autoridades, a Barra está se transformando em um novo polo turístico, tanto para lazer quanto para corporativo. Se no lazer, a Barra se orgulha de ter as melhores praias do Rio, no corporativo pode se gabar de ter as maiores áreas de eventos corporativos, como o Riocentro, com 100 mil metros quadrados divididos por cinco pavilhões, e o complexo hoteleiro Windsor, em construção e que quando estiver pronto irá oferecer 20 mil metros quadrados de área para eventos.
Mas nem tudo que acontece no Rio diz respeito à Barra da Tijuca. Em Copacabana está prestes a inaugurar o Museu de Imagem e Som, um grande espaço cultural que vai reunir obras de importantes artistas, entre eles Carmem Miranda. Ainda na Zona Sul, novos restaurantes estão abrindo, entre eles um localizado no alto do Morro da Urca, no complexo Pão de Açúcar, um dos atrativos turísticos mais visitados da cidade. Já no Centro, o Rio de Janeiro ganhará literalmente um novo bairro. Antes abandonada, a Zona Portuária está renascendo e junto com ela uma série de investimentos está sendo feito. A região ganhará importantes hotéis, entre eles um do Grupo Donald Trump, milionário e agora pré-candidato à Casa Branca, nos Estados Unidos. Outras obras, como Píer novo, nova área para cruzeiros, hotéis, restaurantes, novo Teatro Municipal e um gigantesco aquário fazem parte do projeto, que estará 100% concluído antes dos Jogos Olímpicos.