Pensar no Turismo e Eventos, construir o futuro

[Por Sebastião Misiara, Revista Eventos, 19/06/2015]
O arquiteto Jaime Lerner, ao participar de um dos eventos sobre Plano Diretor, promovido pela União de Vereadores do Estado de São Paulo, enfatizou que “para mudar as cidades é preciso mudar a cabeça das pessoas”. Essa frase, dentro do contexto do desenvolvimento sustentável, torna-se um recado para novas atitudes que podem ser inseridas no município, na busca pela sustentabilidade.
Nesse quadro, o turismo é um dos principais vetores. Ele mudou e hoje é base de inclusão social. A cidade, por outro lado, é produto desse espaço.
Extremamente oportuna, sem dúvida, a nova lei, sancionada pelo governador Geraldo Alckmin, em São Paulo, que cria uma faixa que pode atingir 140 municípios, chamada de “municípios de interesse turístico”. Foram incorporados à Lei das Estâncias, hoje com 70 municípios, capacitados a receber recursos do Departamento de Apoio às Estâncias.
Com a legislação, começa uma grande disputa. De permanência ou não na Lei das Estâncias, analisada em cima de pontos referenciais de infraestrutura turística.
Por outro lado, oportuníssima, a criação, em Brasília, no Congresso Nacional, da FRENTUR – Frente Parlamentar Mista em Defesa do Turismo, com a participação de mais de 250 congressistas (deputados e senadores), sob a coordenação firme do deputado federal Herculano Passos (PSD-SP)
Hoje, temos claro que as cabeças das pessoas, representadas pela sociedade civil organizada e pela classe política nos municípios, estão voltadas para esse eixo de crescimento. Prova disso é o número de prefeitos, vereadores, secretários municipais que estão interessados nos critérios de planejamento turístico para credenciarem suas comunidades nesse novo contexto legal paulista.
Nunca é demais lembrar que o turismo é uma atividade econômica estratégica pela sua incomparável capacidade absorvedora de mão-de-obra, notadamente no setor de eventos, um dos itens que, certamente, será mais demandado no interior paulista.
Nesse segmento, a Agência de Desenvolvimento Paulista, a Desenvolve SP tem sido uma grande parceira dos municípios interessados em linhas de crédito, com os menores juros do mercado, para a infraestrutura.
Atualmente, apenas o setor de eventos no País representa 4,3% do PIB e responde por R$ 209,2 bilhões na economia brasileira, com 7,5 milhões de empregos, conforme dados da Revista Eventos, extraídos da pesquisa ABEOC/SEBRAE.
Gestores públicos e mercado precisam se unir para aproveitar o momento único que o Estado de São Paulo viverá com o turismo de eventos, lazer e de negócios, graças a essa saudável competição, cujo beneficiário é a sociedade.
Todavia, se é verdade que o turismo envolve crescimento acentuado nos meios sociais, culturais, históricos e geográficos, é também uma área sensível, cujas ações se não estruturadas devidamente e se não tiver o apoio do morador da cidade, percorrerá o caminho do insucesso.
A FRENTUR está pronta para mostrar os rumos, pois entende que o potencial turístico do Brasil está longe de ser totalmente explorado. Ela começou por São Paulo, com êxito, ao mostrar que o turismo está muito além de ser apenas produto de lazer.
*Presidente da Uvesp, Diretor da Associação Paulista de Municípios, Vice-presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, Conselheiro do CIEE – Centro de Integração Empresa Escola