Lemos Britto, um dos pioneiros do mundo dos eventos, feiras e entretenimento, faleceu

[Por Revista eventos,23/05/2015]
Arthur José de Lemos Britto, filho de um engenheiro e de uma dona de casa, nasceu na capital paulistana em 02 de dezembro de 1938.
Infância alegre, de brincadeiras de rua, naquele bairro de São Paulo chamado de Jardins. Com o irmão e com os amigos, Lemos Britto era feliz. Mas “o negócio pegou um pouco”, segundo ele, com referência aos estudos. Inteligente e irrequieto que era, nunca foi amigo dos bancos escolares. Nunca foi expulso das escolas, mas por várias vezes foi “convidado a sair”.
Ainda bastante jovem, conheceu Paulinho de Carvalho, filho do dono das Emissoras Unidas de Rádio e Televisão Record. Foi logo pedindo a Paulinho, então diretor da Televisão, para conhecer a emissora, e em seguida arranjou um cantinho, uma mesa e uma cadeira e partiu para trabalhar ali “sem remuneração”. Começava aí sua atividade de autônomo, que perdurou por toda a vida. Gostou então do negócio e com seus 17 anos iniciou sua carreira de “produtor independente”.
Para começar fundou a Revista “Augusta Chic”. E, em seguida passou a assinar dois programas de televisão, que não dependiam do dono para acontecer. Lemos Britto, seus sócios e funcionários eram responsáveis por tudo. Apenas prestavam contas no fim do mês. Em seguida fez parte da importante “Equipe A”, da TV Record, responsável pelos programas de maior audiência não só da Record, mas de toda a televisão.
A seguir trabalhou nos programas: “Hebe Camargo”, “Blota Junior” , Chico Anysio Show”, e vários outros. Sua carga de atividades foi crescendo, suas amizades também. O rapaz era um verdadeiro furacão. Não parava nunca de trabalhar. Magro, alto, não se atrevia a se aproximar das mulheres, e tinha no trabalho o seu verdadeiro esporte. A seguir montou uma empresa de eventos e já então não trabalhava só para a Record, mas para outras emissoras também, como Bandeirantes, TV Tupi, TV Excelsior, enfim todas elas.
Seu escritório era muito ativo, e começou a promover shows, contratando artistas de todo Brasil, e depois de todo o mundo. Para a TV Bandeirantes organizou uma Gincana, exatamente na data de sua inauguração, que foi grande sucesso. Para a TV Record fez o “1º Festival Nacional da Bossa Nova”, outro enorme sucesso. Realizou o “Troféu São Paulo”, que reuniu artistas como Elis Regina, Silvio Santos, Wilson Simonal, Jair Rodrigues, e todos os grandes cartazes da época.
Começou a ser chamado de “o homem das coisas impossíveis”, pois conseguia colocar 50.000 pessoas no Ibirapuera, onde só caberiam 18.000 pessoas. Trouxe a primeira Escola de Samba do Rio para São Paulo, e conseguiu um público de 500.000 pessoas. Claro que tinha apoio de pessoas como Tuta, também filho de Paulo Machado de Carvalho, de Orlando Negrão, Madruga Duarte, e outros. Aí resolveu organizar concursos de beleza. Fez “Miss São Paulo”, “Miss Café”, Miss Algodão”. Estes para a TV Tupi.
Passou também a organizar feiras e estas foram tantas, e com tanto sucesso, que é impossível enumerá-las. Em 1998, quando vendeu suas feiras para a Miller Freeman já era um dos grandes promotores de feiras do Brasil, detentor de seis datas no Anhembi, mas antenado, Lemos disse na oportunidade “A formação de blocos internacionais é uma tendência nessa área”.
Mas, além de seu lado empresarial, que começou antes dos 18 anos, Lemos Britto fez várias campanhas humanitárias. Fez a “Campanha do Cofrinho”, para ajudar o Lar Escola São Francisco, para deficientes visuais. Fez até “Campanha de Figurinhas”, com destinação assistencial. Conseguiu organizar a Praça da Paz, no Parque do Ibirapuera, que até hoje é um local que reúne até 200.000 pessoas, em festividades artísticas inteiramente franqueadas ao público.
Casou-se afinal o rapaz irrequieto com uma moça italiana de nome Ornella e com ela teve duas filhas, que o ajudam em suas constantes “batalhas”. Ornella, que é matemática, o ajuda na parte financeira. Lemos Britto, até hoje em inteira atividade, dormindo poucas horas por noite, quando perguntado quem é ele, responde o seguinte: “Alguém que ao nascer ganhou um passaporte vermelho, diplomático, que lhe dá direito a fazer tudo o que quiser, mas que para isso é preciso trabalhar dia e noite, noite e dia. E tem que colaborar com os demais, ou perde a validade”. Este é Lemos Britto, o primeiro produtor independente do país.
Uma das mais brilhantes trajetórias do setor de eventos e televisão no Brasil, Arthur José de Lemos Britto foi eleito para a Academia Brasileira de Eventos e Turismo em 2009, ocupando a Cadeira 22.
 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *