BH tem potencial para atrair mais eventos

[Por Diário do Comércio, 11/04/2015]
A boa notícia é que o Brasil e, em especial, Belo Horizonte, têm um grande potencial para ser explorado. Já o óbvio é que ainda é preciso muito trabalho e profissionalismo para torná-los casos de sucesso no turismo mundial. A conclusão veio ao final da palestra “Como promover e entender um Destino como destino de excelência para eventos”, proferida pelo consultor português da NewEvents Global, António Manuel Brito, que esteve na Capital para participar da primeira edição do Encontro Empresarial 2015, promovido pelo Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau (BHC&VB), em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), no dia 7 de abril, na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), no bairro Funcionários, região Centro-Sul.
Para ilustrar suas ideias, o consultor apresentou a experiência de Portugal, que a partir do Plano Estratégico Nacional do Turismo (Pent), implantado em 2010, transformou o pequeno país, de pouco mais de 10 milhões de habitantes, em um dos principais destinos turísticos do mundo e a figurar entre os 20 primeiros colocados no ranking da International Congress and Convention Association (ICCA) – maior organização mundial do setor – e Lisboa a ocupar o 23º lugar entre as cidades que mais atraem eventos no mundo.
Portugal recebe, anualmente, 14 milhões de visitantes. A atividade turística é responsável por 12% do Produto Interno Bruto (PIB), 8% dos empregos e 13% das exportações do país ibérico. No Brasil, a mesma atividade corresponde a 4,3% do PIB e emprega 7,5 milhões de pessoas direta e indiretamente. “Portugal não é um exemplo perfeito, mas pode ensinar algumas coisas. Compreendemos que é imprescindível conhecer suas características e defender seus diferenciais. Há 30 anos o Brasil se vende da mesma maneira e ressalta nas mensagens características intrínsecas que, na verdade, outros tantos destinos também possuem. Hoje ninguém compra nada, você é que tem que saber vender uma experiência única, exclusiva”, explicou Brito.
O Pent selecionou nichos e setores estratégicos para desenvolver cultura e paisagismo; saúde e bem-estar; natureza; negócios; gastronomia e vinhos; residencial; city/short breaks; golfe; náutico e sol & mar. Traçou, também, as linhas de desenvolvimento do turismo em 11 itens:
1º) Sustentabilidade como modelo de desenvolvimento: aposta na sustentabilidade como modelo de desenvolvimento econômico e social das regiões de implantação, motivando a preservação do patrimônio histórico-cultural, maximizando os benefícios e reduzindo os impactos negativos no meio ambiente e assegurando a sustentabilidade econômica do setor.
2º) Mercados emissores: mantém o enfoque principal nos mercados estratégicos do turismo nacional, explorando, em particular, o potencial do mercado espanhol; desenvolver o peso dos mercados de crescimento, com particular enfoque no Brasil, e crescer nos mercados de diversificação.
3º) Acessibilidades aéreas: mantém as rotas atuais com interesse para o turismo, reforça frequências em rotas importantes para a diversificação de produtos e angariar novas rotas, de modo a suportar os objetivos de crescimento de cada região.
4º) Estratégia de produtos: aumenta a qualificação da oferta de produtos turísticos, continuando a melhorar a qualidade dos produtos âncora atuais e potenciando os restantes produtos estratégicos de cada região através do reforço da sua estruturação.
5º) Regiões e polos: aprofunda o papel das entidades regionais do turismo/direções regionais do turismo enquanto entidades gestoras do destino e agregadoras dos esforços de desenvolvimento do setor e da oferta a nível regional.
6º) Promoção e distribuição: desenvolve a promoção e distribuição on-line, garantindo a adequação entre o esforço de promoção e os objetivos estratégicos de cada mercado e adequando o mix de investimento por instrumento de promoção, concentrando o investimento em zonas geográficas mais específicas, e aprofundando as parcerias entre entidades públicas e privadas na promoção externa através das Agências Regionais de Promoção Turística.
7º) Experiências e conteúdos: incorpora na oferta turística nacional, conteúdos únicos e genuínos que reforcem e valorizem a experiência do turista.
8º) Eventos: continua apostando em um calendário de eventos que melhore a notoriedade do destino e enriqueça a experiência do cliente.
9º) Qualidade urbana, ambiental e paisagística: melhora a qualidade urbana, ambiental e paisagística de modo a aumentar a atratividade e a envolvente dos destinos turísticos.
10º) Qualidade de serviço e dos recursos humanos: reforça a qualidade do turismo português em todos os pontos de contacto com o turista, continuando a apostar na formação dos recursos humanos, e na implementação de sistemas de gestão de qualidade e de monitorização da satisfação do cliente.
11º) Eficácia e modernização da atuação dos agentes públicos e privados: garante o aumento da eficácia e modernização dos agentes, apostando no desenvolvimento de competências chave, na divulgação do conhecimento e de melhores práticas e na simplificação administrativa.
“Não adianta querer vender de tudo. O esforço tem que ser concentrado e diferencial é o que todos buscam. A região do Algarve, por exemplo e por incrível que pareça, tem atraído cada vez mais brasileiros que buscam sol e praia. O que seria capaz de atrair os donos de um dos mais belos e extensos litorais do mundo para uma praia em Portugal?  dessa forma que devemos pensar quando queremos vender um destino, seja ele qual for”, aponta o consultor.
Para ele, posicionamento é palavra de ordem no segmento de eventos, António Manuel Brito, sobre o fortalecimento da vocação turística de Belo Horizonte para o turismo de eventos e negócios.
De acordo com estudo divulgado pela International Congress & Convention Association (ICCA) em maio do ano passado, Belo Horizonte é, hoje, a sexta colocada entre as cidades brasileiras na captação e realização de eventos de âmbito internacional. A ICCA inclui em seu ranking feiras, congressos e convenções itinerantes, realizadas por pelo menos três vezes, em três destinos internacionais diferentes e com periodicidade fixa. À frente de Belo Horizonte aparecem Rio de Janeiro, São Paulo, Foz do Iguaçu, Florianópolis e Porto Alegre.
“Mais importante que entender porque captamos um evento, é saber porque deixamos de captar. Atualmente, mais de 10 mil cidades competem pelo mesmo evento no mundo. Diante desse número é preciso ter estratégia. Saber qual diferencial oferecer e que tipo de evento queremos conquistar. Belo Horizonte tem boas características reconhecidas por todos, como gastronomia, segurança, qualidade de vida, hospitalidade, beleza natural, bom clima e pessoal qualificado, mas quantas outras cidades também tem?”, questiona Brito.
Segundo o consultor, para alcançar esse conhecimento é necessário desenvolver visão de longo prazo e planejamento estratégico com objetividade e persistência. Para encontrar o posicionamento correto trabalho em equipe – com perspectiva de parceria – e estudo das necessidades dos clientes são fundamentais. “Os componentes do trade devem entender que se a cidade tiver sucesso, todos também terão. Estudos demonstram que a cada euro investido rende outros 10 para a cidade. Todo destino deve ter uma marca pela qual seja reconhecido. Belo Horizonte tem no próprio nome uma marca excelente, que pode ser traduzida para qualquer idioma e que diz sobre o que é visto mais além”, destaca o especialista.