Brasil turístico: imagem arranhada pelo escândalo Petrobrás

[Diário do Turismo, 06/02/2015]
Essa coisa de zelar pela imagem é cavalo de batalha de todos: pessoas comuns, gente famosa, empresas e governo.
A maquiagem, o botox e a cirurgia plástica invasiva são maneiras artificiais de se mascarar a verdade estética e temos vários exemplos, antigos e atuais.
Para não cansar o leitor, citaremos dois: Roberta Close, que mudou de sexo e José Dirceu que mudou de rosto.
Vejamos o Brasil.
O país passou durante muito tempo carregando a peja de terra do carnaval, do futebol e da mulher de biquíne, epítetos que remetiam a uma pátria alegre, jovial, esportiva e sexual.
Durante muito tempo a propaganda que faziam do país – inclusive oficial! – era o ziringuindum e a mulata chacoalhando as cadeiras para gringo aplaudir.
Estes signos foram duramente criticados e combatidos pelo Ministério do Turismo assim que foi criado, em 2003, e aos poucos essa imagem foi descolando do país.
O ingresso do Brasil no mercado internacional oferecendo além de commodities, mentes, pesquisas, chefes de estado intelectuais, falantes, barbudos e uma forte dose de determinação marqueteira, aos poucos, mudou aqueles signos superficiais e generalizantes.
Em recente discurso, na primeira reunião ministerial, a presidente da República, Dilma Roussef, admitiu que, no início do segundo mandato, está perdendo a batalha da comunicação e recomendou aos seus ministros que partam para o contra-ataque, alimentando a mídia com boas notícias.
Como assim?
O atual escândalo da Petrobrás, com a devassa da vida privada de diretores da estatal, políticos, partidos e empreiteiros mancham, definitivamente a imagem de um país que luta para se estabelecer como nação economicamente forte, eticamente vigorosa no mercado internacional, inclusive no mercado do turismo.
O trabalho que a Polícia Federal tem feito é de dar inveja ao FBI. Ela tem colocado à mostra um tipo de gente tão espúria, tão vil… Estes, os diretores da Petrobrás, o doleiro, os representantes de partidos políticos estão colaborando de forma brilhante com o achincalhamento do país lá fora.
As corrupções relacionadas às negociações das refinarias de Pasadena (um dos piores negócios da Petrobrás), nos Estados Unidos, Okinawa, no Japão, e Bahía Blanca, na Argentina, nos faz constatar – melancolicamente – que quando éramos conhecidos por nosso carnaval, nossos biquines e nosso futebol o achincalhamento era menor.
Não sabemos o que é mais devastador para um país: ver um filho seu ser executado por um pelotão de fuzilamento em um país islâmico, ou ser motivo de chacota nos consensos de opinião pública internacionais.
Inclusive nas feiras de turismo, lugar onde se tenta vender um projeto ideal de nação.