Desafios do turismo em debate

[CNC, 14/11/2014]
Aprimorar a oferta de serviços, disponibilizar equipamentos modernos e adequados, proporcionar condições para uma boa experiência turística e, ainda, fazer com que mais eventos sejam realizados no Brasil. Esses são alguns dos itens necessários para alavancar o turismo brasileiro, que precisa desenvolver, com urgência, uma estratégia de captação e divulgação dos destinos nacionais. A opinião é de Jeanine Pires, ex-presidente da Embratur, convidada do Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Ela falou dos avanços e conquistas da última década do turismo e dos desafios que o setor tem à frente em reunião realizada no dia 12 de novembro, no Rio de Janeiro. Para ela, que também é diretora da Pires & Associados, é preciso planejar o aproveitamento da realização das Olimpíadas no Brasil. “Em termos de imagem, perdemos uma oportunidade com a Copa. Agora é preciso querer e fazer mais, e nos mobilizarmos, porque se ficarmos acomodados vamos perder outra oportunidade”, afirma Jeanine.
O momento atual, afirma Jeanine, é de novos desafios, e é preciso pensar uma estratégia tanto de competitividade como para o marketing turístico internacional, além da construção de uma plataforma de promoção para o setor de eventos e para os destinos turísticos brasileiros. “Em termos de imagem, perdemos uma oportunidade com a Copa, não tivemos uma mensagem global do País para levar ao mundo.
Precisamos pensar, com urgência, como vamos nos posicionar para aproveitar os Jogos Olímpicos e construir como queremos ser vistos depois de 2016 e qual nossa estratégia para 2017”, afirma.
Jeanine apresentou números que mostram como o turismo avançou de uma receita de 3,2 bilhões, gerada pelo turismo internacional em 2004, para alcançar 6,7 bilhões em 2013. Mas contextualiza que em relação à chegada de turistas internacionais, o Brasil avançou mais quanto à receita que no número de chegadas, que aumentou de 4,8 milhões de turistas em 2004 para 5,8 milhões em 2013, quase uma década depois.
“Nós crescemos mais do que a média mundial em termos de receita, mas ficamos abaixo em volume. Este ano deveremos crescer 10% no número total de visitantes, um ano atípico por causa da Copa. Mas o primeiro semestre não foi bom. Então vamos esperar”, disse.
Continuidade, divulgação e competitividade
Para Jeanine, o turismo brasileiro precisa se tornar mais competitivo, o que significa investir em qualidade, inovação e tecnologia. Esses pontos são fundamentais para conquistar um turista cada vez mais experiente e informado. “Essa é uma das minhas provocações, temos que vender essa experiência única, mas também entregá-la, porque o mecanismo de divulgação direta funciona”, explica Jeanine.
Alguns pontos críticos foram apontados pela palestrante quanto aos governos, como a falta de continuidade nas políticas públicas para o setor, além de não existir uma estratégia de divulgação dos destinos turística nas secretarias municipais e estaduais. “É inacreditável nos dias atuais um destino turístico não ter um site, redes sociais e política de comunicação integrada.
Os sites das secretarias de turismo misturam o institucional com o promocional. No mesmo site, o servidor entra para saber sobre o salário e o turista para procurar informações sobre o destino”, criticou Jeanine. Segundo ela, nos trabalho de consultoria que realiza junto a operadores estrangeiros e nacionais, eles apontam que a falta de conhecimento e informações sobre os destinos é a principal barreira para concretizarem as vendas.
“Todo mundo quer turista! O mundo inteiro está usando estratégias para chamar a atenção, são informações disponíveis com oportunidades diversas, e destinos com possibilidades parecidas com as nossas. Como o Brasil se diferencia nesse cenário?”, concluiu Jeanine.

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