Fomento ao mercado de eventos e turismo

Por Sergio Luiz Bicca
Sócio-fundador da Brasil Fidelidade Benefícios e Coordenador Nacional do Programa de Qualidade Abeoc Brasil. Ex-presidente da Abeoc-SP e ex-presidente do Campinas e Região Convention & Visitors Bureau.

[ Turismo em Pauta – Edição 17 -Maio/ Junho 2013]

Fomentar o mercado de eventos e turismo é tarefa para se desenvolver em grupo. Não me refiro apenas ao grupo de empresas do setor nem apenas aos empresários dessa categoria, mas sim a uma ação conjunta desses atores com outros nichos da economia e com forte apelo de comunicação com os consumidores.

Explicar a um médico que “pegar um avião para ir a um congresso” significa mover a cadeia produtiva do turismo é algo que vai surpreendê-lo. E mais: para a grande maioria das pessoas, o fato de “muitos brasileiros irem a Roma ou Paris significa que o turismo no Brasil vai bem”, enquanto, na verdade, esse movimento resulta em evasão de divisas.

Ainda são poucos os brasileiros que enxergam o turismo como fator fundamental para o desenvolvimento do País em razão do seu potencial. Poucos brasileiros têm ideia desse potencial, enxergando o turismo apenas pela vertente do lazer. De qualquer forma, o que nós, profissionais do turismo, já estamos cansados de saber é que o turismo é representado por uma enorme gama de produtos e serviços que demandam alta quantidade de profissionais, todos com necessidades de treinamento e capacitação e muitos sem necessidade de curso superior – perfil que representa a grande massa da nossa população.

Desenvolver o turismo significa, invariavelmente, contratar mais. Já na indústria química ou metalúrgica, por exemplo, desenvolvê-la poderá significar melhorar processos, automatizar, diminuir custos operacionais e, eventualmente, contratar menos para se fazer a mesma coisa. No turismo isso nunca acontece.

Fomentar o turismo sempre significará aumentar a utilização de mão de obra, tanto aquela altamente capacitada como, e principalmente, aquela menos especializada que poderá ser treinada para o desenvolvimento específico de funções diversas.

Gerar atividade para um povo significa melhorar a qualidade de vida. Portanto, fomentar o turismo significa muito mais do que simplesmente incrementar a economia ou fazer circular o dinheiro. Significa alavancar o desenvolvimento de uma nação. Mas de onde vem uma das maiores concentrações de consumidores que impulsionam essa grande cadeia produtiva? Do mercado de eventos como um todo. Sabemos que participantes de congressos, feiras, convenções, seminários e diversas outras categorias de eventos provocam altíssima circulação de recursos e geram um número de empregos cuja dimensão nem o governo sabe. Nós mesmos, profissionais dessa área, carecemos de números oficiais confiáveis.

Temos diversas formas de fomentar o turismo no Brasil, e uma das mais eficazes, na minha visão, seria promover um maior e melhor aproveitamento de todos os participantes de eventos realizados no País. Não vou citar aqui a Copa do Mundo nem as Olimpíadas, pois temos, a cada ano, diversas copas e diversas olimpíadas acontecendo simultaneamente e de forma pulverizada no Brasil. Apenas não nos damos conta disso.

Além de aumentar a quantidade de eventos captados, devemos aumentar a quantidade de participantes e o tempo de permanência desse imenso público de alto poder aquisitivo. Nesse momento é que nossos profissionais do setor de eventos têm uma missão fundamental no relacionamento com promotores de eventos de todos os setores da economia, que criam eventos de toda natureza e que recorrem ao mercado profissional de organizadores para obter apoio e know-how no desenvolvimento dessa atividade.

Imaginem o médico que está à frente de um congresso ou o diretor de uma entidade de um determinado nicho industrial que promove uma feira. Essas pessoas não estão preocupadas com as questões turísticas ou com o tempo de permanência dos participantes de seus eventos. Estão apenas preocupados com conteúdos e questões alusivos a seus setores de atuação. Cabe, portanto, aos profissionais de retaguarda a boa utilização das oportunidades prementes de todos os nichos da economia, pois todos eles realizam encontros e eventos de toda natureza.

Para tanto, a comunicação eficaz com o consumidor final participante de um evento é um dos fatores fundamentais nesse processo. Um produto, seja ele qual for, só é consumido após ser conhecido e ter conquistado a confiabilidade do consumidor.

Enquanto veículos de comunicação buscam as massas com o mais puro marketing dos diversos destinos brasileiros, a comunicação direta com cada indivíduo está nas mãos de poucos organizadores e promotores de eventos na relação com cada um dos participantes, assim como com as agências de viagens e outras empresas do setor que lidam cara
a cara com cada visitante consumidor.

Cabe a esses profissionais a comunicação eficaz a respeito dos serviços oferecidos pelo País ou pelo destino, para que os visitantes possam se planejar e consumir mais, deste ou daquele produto turístico, antes ou depois de um evento.

Queremos que cada participante se sinta incentivado a trazer também sua família em pelo menos um dos eventos dos quais participa durante o ano. Precisamos de uma forte comunicação no direcionamento dessa massa de consumidores a estabelecimentos em que possam confiar.

Cabe a todos nós a condução dessas pessoas que tanto buscam informações e que não consomem mais por não encontrarem o que desejam. Essas pessoas, assim como tantas vezes acontece também conosco, buscam locais com preços adequados e conhecidos, vantagens ou atratividades, conforto e facilidade de acesso. E pagam por isso.

Para que tudo isso ocorra é imprescindível que todos se beneficiem de alguma forma. Além de o consumidor obter informação confiável do próprio promotor do evento, ele deve ganhar, também, benefícios e ser acolhido com facilidade de acesso aos diversos produtos turísticos oferecidos.

Esse cliente satisfeito vai retornar e indicar o produto. Vai consumir mais e provocar o consumo de seus amigos e conhecidos. Vai utilizar as mídias sociais e divulgar aquilo que o agradou. Vai provocar o consumo por aqueles que estão fora de qualquer evento, incrementando também o turismo de lazer.

Em resumo, nossa missão, enquanto profissionais do setor de eventos e turismo, é atender, direcionar, informar e comunicar, em prol do consumo de nossos visitantes, brasileiros ou estrangeiros, que alimentam e enriquecem a economia do País. O caminho para atingirmos esses participantes de eventos está na ação conjunta de poucos profissionais com os interlocutores que se comunicam diretamente com milhões de consumidores por meio dos eventos do dia-a-dia.

Dessa forma, a roda gira, o dinheiro circula, a economia cresce e o País se desenvolve.