Aposta no "Boom" Latino

[Por Aquarela 2020, 05/11/2013]
De cada dois turistas que visitaram o Brasil em 2012, um veio de países limítrofes do nosso país, como Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Peru e tantos outros vizinhos sul-americanos. Foram 2,82 milhões de pessoas, o que representa um crescimento de mais de 18% em relação a 2010. “É um desempenho bem significativo, acima da média mundial, e que mostra que acertamos na aposta de aumentar a participação de turistas sul-americanos”, avalia o presidente da Embratur, Flávio Dino.
Ele lembra que, mundialmente, o turismo tem fluxo intrarregional. “Na Europa, 80% dos turistas são europeus. No México, mais de 80% são norte-americanos e no Sudeste Asiático, idem”, enumera. Segundo Dino, fenômenos históricos – como as ditaduras latino-americanas, o processo de recessão dos países da região e o baixo nível de conexão de transporte na região – fazem com que o Brasil não siga o fenômeno mundial. Em 2010, apenas 46% dos estrangeiros que nos visitavam eram sul-americanos. O crescimento dos últimos anos fez a participação chegar a 49,7%. A Embratur vai seguir apostando no aumento desse fluxo, como forma de garantir um novo patamar para o turismo internacional. “Somente teremos 10 milhões de turistas por ano, quando tivermos 8 milhões de latino-americanos”, prevê.
Dentro dessa aposta, a Embratur está abrindo, este mês, duas representações no continente. São os Escritórios Brasileiros de Turismo (EBTs), que terão uma dupla função, segundo a diretora de Mercados Internacionais, Leila Holsbach. “Por um lado, vão atuar como frentes avançadas de inteligência comercial. Vão prospectar novas tendências de segmentos turísticos nesses mercados, o que nos permitirá fazer um ajuste fino de nossas estratégias de promoção”, afirma a diretora. Por outro lado, os EBTs vão servir de apoio para as ações promocionais da Embratur nesses mercados.
A meta colocada pela Embratur pelos responsáveis pelos EBTs é bem clara: atingir os 7,2 milhões de turistas em 2014. Na América do Sul, os dois escritórios serão instalados em Buenos Aires, na Argentina, e em Lima, no Peru.
O escritório chamado América do Sul I, com base em Buenos Aires, atenderá Argentina, Uruguai e Chile. Os países estão entre os cinco maiores emissores de turistas para o Brasil. Eles ocupam respectivamente o 1º, 2º e 5º lugar no ranking de países prioritários para o Instituto. Os três juntos enviaram só em 2012 mais de 2,4 milhões de pessoas para o País. Este escritório será gerido pelo profissional de turismo, Ney Huberto Neves, que já passou pela Embratur, como chefe de gabinete da então presidenta Janine Pires e, depois, atuou nos Convention & Visitors Bureau do Rio de Janeiro, Brasília, Foz do Iguaçu e de Florianópolis.
Já o escritório América do Sul II, com base em Lima, ficará responsável pela Colômbia, Peru, Bolívia, Paraguai, Equador e Venezuela. Segundo dados do Anuário Estatístico de Turismo do Ministério do Turismo, em 2012, os seis países foram responsável por enviar mais quase 630 mil turistas para o Brasil. Com grande potencial de crescimento, esta região é uma das prioritárias para a Embratur. Neste caso, o papel do executivo será intensificar as relações e apontar para o Instituto as melhores oportunidades de negócios.
Em Lima, a gestora do EBT será a turismóloga Andresa Souza. A consultora já trabalhou na Embratur com a captação de eventos e na promoção dos eventos brasileiros no exterior. Além disso, participou do projeto “Brasil: Meu Negócio é Turismo”, uma parceria entre a Fundação Roberto Marinho e o Ministério do Turismo, como orientadora de aprendizado, coordenando e ministrando oficinas de qualificação de profissionais ligados ao setor turístico, no Distrito Federal.
“Ambos têm uma responsabilidade muito grande de promover o país nesses mercados que têm grande interesse pelo tema futebol e que devem ter cinco países classificados para a Copa do Mundo 2014”, afirma Dino. “Contamos com esses profissionais para aprimorar ainda mais nossas estratégias de promoção nesses países, garantindo que, com um aumento do fluxo de latino-americanos, cheguemos aos 10 milhões de turistas”.

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