Ainda bem que o Salvador da Pátria não chegou!

[Por Toni Sando, Mercado & Eventos, 13/11/2013]
Nos filmes do velho oeste americano era muito comum quase no final da história, o mocinho ser capturado pelos índios, que o colocavam amarrado no meio da aldeia sob um sol ardente ou quando não, próximo a uma grande fogueira.
Quando parecia que esse era o seu fim, eis que surgia do alto da montanha a cavalaria, com um dos soldados tocando sua corneta e o outro com uma bandeira, invadindo a aldeia e resgatando o suposto bom moço.
Talvez por influencia de Hollywood com a produção de filmes onde sempre tem um herói ou pela nossa suposta religiosidade, onde muitas crianças já são batizadas nos primeiros meses de vida, sem mesmo ter a oportunidade de optar pela própria religião, parece que estamos sempre em busca de um milagre. De um “Salvador”.
No mundo corporativo vivemos sob tensão constante do mercado, das políticas internas, da concorrência e não se pode esperar um “Salvador”, ou ficaremos reféns dos índios esperando a cavalaria.
No setor privado, apesar de todo o esforço, coaching e investimento em treinamento, ainda há o gestor que se considera e tem orgulho de parecer ser o “Salvador”, centralizando as decisões e transformando sua equipe em um grupo de pessoas dependentes, inibindo as iniciativas e se vangloriando de suas interferências.
Talvez não entenda que juniorizar a equipe é fazer mal a si mesmo. No setor público também é comum ver o servidor falando do governo na terceira pessoa, como se fosse uma entidade paralela, não trazendo para si a responsabilidade da solução.
E no mercado associativo, onde tenho dedicado parte da minha vida, nos últimos 7 anos também observo isso com muito clareza.
Há sempre uma expectativa de que é alguém que vai fazer acontecer.
No mundo das associações muitos estão envolvidos em um determinado debate, mas não estão necessariamente comprometidos com a missão.
Não se pode negar que há os persistentes, pessoas que por anos dedicam parte do seu tempo a participar de varias entidades. São como evangelizadores, pregando pela causa, mas que não conseguem avançar ou ter a agilidade necessária em um mundo de rápida transformação.
Ficam na expectativa de que alguém ou uma outra entidade tem que assumir o trabalho e ser o “Salvador”.
Neste compasso de esperar por soluções milagrosas, suporte financeiro ou convênios públicos é que muitos deixam de tomar atitudes concretas e liderar em sua própria aldeia.
Unir forças em sua própria tribo, buscar conhecimento e compartilhar experiências com outras tribos é mais importante do que esperar que um “Salvador”, que nem sempre trabalha pela Pátria, resolva o problema da aldeia ou defina o que deve ou não ser feito.
É confortável esperar o “Salvador”. Não requer esforço de sobrevivência. Fica a falsa sensação de que alguém virá ajudar.
Quando não existe a figura do “Salvador” as pessoas se unem se esforçam para sobreviver e têm a chance de compartilhar seus sonhos e angustias.
Recentemente li uma reportagem na Folha de S. Paulo sobre a história de grandes líderes mundiais que eram órfãos de pais. A necessidade fez com que se tornassem grandes. Não tinham a quem recorrer para sobreviver e venceram.
Pode ter também o caso de aparecer um suposto “Salvador” que, em nome da Pátria quer se dar bem, e tem todas as soluções magicas, mas isso é outra história…
Minha reflexão é que não adianta esperar que alguém nos fale o que tem que ser feito.
Ficar parado, esperando uma orientação para seguir em frente pode ser um passo para traz.
Quem mais sabe o que tem que ser feito é quem convive com o dia a dia. Basta um pouco de atitude para se libertar dos “Salvadores” de plantão e transformar sua missão em ação.
Atitude, salva!

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