Comtur condena extinção da Secretaria de Estado do Turismo

[Por h2Foz, 02/10/2013]
O Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) de Foz do Iguaçu vem a público repudiar a proposta de extinção da Secretaria de Estado do Turismo, anunciada pelo governador Beto Richa no último dia 27 de setembro – exatamente no Dia Mundial do Turismo.
Pela proposta do governador, as atividades de turismo no Paraná serão atreladas à Secretaria de Estado da Cultura. É uma prova cabal de desconhecimento do que representa o turismo para a economia e ainda do seu potencial para o desenvolvimento econômico e social de amplas regiões do nosso Estado, que muitas vezes carecem justamente de maior visibilidade de seus atrativos.
No momento em que o Paraná deveria fortalecer o setor, com uma política que estabeleça diretrizes e contribua para atrair mais visitantes, justamente às vésperas da Copa do Mundo, a medida adotada pelo governo do Estado é um contrassenso e vai à contramão de tudo o que se está fazendo hoje no Brasil.
O atrelamento do turismo à cultura é o detalhe estarrecedor que completa o quadro de miopia de nossos gestores estaduais. O turismo moderno agrega aspectos culturais, como todo intercâmbio humano, mas seu viés apenas cultural – o que se depreende da sujeição da atividade à área da cultura – é uma visão ultrapassada, que vem dos tempos em que se faziam viagens de estudos para conhecer museus e monumentos históricos.
O turismo é hoje a atividade econômica que mais cresce no mundo e também a que mais gera empregos, quase tudo às expensas da iniciativa privada. Do poder público, o que se espera é uma política que facilite a atividade e, por consequência, a atração de visitantes. Isso ocorre em todos os países, do mais pobre ao mais opulento. Atrair os turistas significa movimentar toda uma cadeia de negócios, que inclui o comércio em geral e a indústria, porque o visitante é também um consumidor.
Atualmente, 260 milhões de pessoas estão empregadas no setor de turismo, o que representa um em cada 11 empregos no mundo, o que ganha ainda mais importância ao se analisar a crise européia e suas consequências para o mercado de trabalho. No Brasil, mais de 10% dos novos postos de emprego criados durante o ano passado estão ligados ao setor, segundo publicação no portal da ABEOC Brasil – Associação Brasileira de Empresas de Eventos.
Para o Brasil, é vital atrair novos visitantes, já que o país tem déficit na conta turismo, embora tenha recebido no ano passado 5,7 milhões de turistas, que deixaram aqui 6,6 bilhões de dólares, de acordo com Ministério do Turismo. São números que se relacionam diretamente, turistas e dólares, visitantes e dinheiro que ingressa na nossa economia, gera empregos e renda para a nossa gente.
Mas o Paraná dá as costas a esses números e a essas questões, desprezando todo o trabalho que vinha sendo desenvolvido em prol das cidades turísticas do Estado, entra num processo que, irreversivelmente, poderá fazer do turismo mero coadjuvante de encenações teatrais ou shows de música.
Sem deixar nossa posição crítica de lado, ousamos ter otimismo e acreditar que o governador do Estado foi apenas mal assessorado nesta questão e que irá rever a decisão, para o bem do Paraná e dos paranaenses.