Pará: a porta de entrada para Amazônia

[Por Diário do Grande ABC, 26/09/2013]
O calor intenso, a Floresta Amazônica, os cursos sinuosos de rios e igarapés, a cultura autêntica, a receptividade do povo, a culinária exótica e os ingredientes que enlouquecem os chefs fazem do Pará a obra-prima da Amazônia, exatamente como no slogan proposto pelo governo do Estado.
Não por acaso, o Pará é considerado a porta de entrada da Amazônia. Mais da metade do território paraense é de área protegida. São 684 quilômetros quadrados distribuídos em 64 unidades de conservação pública e 43 terras indígenas demarcadas. Quem chega pela primeira vez logo se apaixona e sempre arruma um bom motivo para voltar.
Atrações não faltam. Festas seculares, como o Círio de Nazaré e a Marujada, mesclam fé, religiosidade e rituais profanos. Carimbó, xote bragantino, síria e o atual tecnobrega são alguns dos ritmos que representam a cultura paraense. A produção artesanal com fibras, sementes e minerais valoriza as matérias-primas da floresta e resgata as heranças das civilizações originais.
Boa pedida em Belém é andar à sombra das mangueiras, antes ou depois da chuva da tarde, provando o açaí com peixe frito na feira do Mercado Ver-o-Peso, os artesanatos do Polo Joalheiro, o pôr do sol na baía de Guajarás e os sorvetes de frutas como cupuaçu e cajá.
O Pará também oferece sol e orla. Algumas praias de Belém localizam-se nas ilhas de Mosqueiro e Cotijuba. O balneário da primeira possui algumas das poucas praias de rio com ondas existentes no mundo, a exemplo das de Chapéu Virado, Murubira, Farol, Baía do Sol, Marahu, Paraíso, Porto Artur, Ariramba, São Francisco e Carananduba.
Mosqueiro também é rica em pequenos rios e igarapés com ilhotas irresistíveis para os praticantes do ecoturismo.
Já a Ilha de Cotijuba é um lugar rústico, com costa de 15 quilômetros de lindas praias de água doce e uma natureza praticamente intocada.
Mas o Estado não vive só à sombra do turismo de lazer e dos fiéis que lotam as ruas durante as procissões do Círio de Nazaré. Além de ter economia consolidada nos extrativismos (mineral e vegetal) e na pecuária – com a criação de búfalos, principalmente na Ilha de Marajó –, é na cacauicultura que o Pará tem de destacado. O Estado é o segundo maior mercado produtor do fruto no Brasil – com 88 mil toneladas de amêndoas – e já caminha para pegar a dianteira do ranking, hoje ocupada pela Bahia. A meta do Estado é dobrar a produção até o ano de 2022 e alcançar por ano 230 mil toneladas, de acordo com a Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) do Pará.
O agronegócio também é responsável pelo crescimento do turismo de engravatados, com feiras e workshops que fazem o sucesso do Centro de Exposições Hangar, inaugurado em 2007, na capital paraense.
Belém recebeu entre os dias 12 e 15 de setembro o 1º Festival Internacional do Chocolate e Cacau da Amazônia, com casa lotada. O evento ocorreu paralelo à Flor Pará e recebeu, durante quatro dias, 22 mil pessoas, movimentando R$ 10 milhões em negócios.
Em outubro, a cidade servirá de palco para as procissões do Círio de Nazaré, que reúne milhares de devotos em atos de fé que seguem por terra e mar. A festa atrai turistas, fiéis e celebridades, como Fafá de Belém, a fervorosa que faz questão de participar da celebração religiosa todos os anos. Ocasião ideal para quem quiser conhecer a porta de entrada da Amazônia em seu momento mais efervescente.
A capital do Pará se tornou destino de feiras, congressos, simpósios e conferências após a inauguração de equipamentos capazes de abrigar grandes eventos. A aposta é oferecer infraestrutura multiuso em meio a atrativos naturais característicos da Amazônia, sem abrir mão da logística e tecnologia dos grandes centros urbanos.
Um desses equipamentos é o Hangar – Convenções e Feiras da Amazônia. Uma área de 24 mil metros quadrados, distribuídos em dois pavilhões projetados a partir do hangar existente no antigo Parque da Aeronáutica. O espaço, flexível e multifuncional, constitui um dos mais completos e versáteis centros de convenções do País.
Dentre os atributos estão sistema próprio de geração de energia para acionar os circuitos de emergência, escadas rolantes, rol que liga os dois pavilhões principais e também acessos para pessoas com deficiência. O auditório principal acomoda 2.000 pessoas e possui divisórias acústicas deslizantes que se transformam em miniauditórios com capacidade para 250 a 2.250 pessoas. Ainda dispõe de três salas que recebem entre 100 e 350 lugares, estacionamento para mais de 700 carros, caixas eletrônicos, cozinha industrial e uma praça de alimentação.
Outro fator que favoreceu a demanda pelo turismo de negócios é a infraestrutura hoteleira e de transporte. O Pará deve entrar na rota de voos internacionais da TAM, TAP e Avianca. O voo da TAM, que ligará Belém a Miami, já está consolidado e começa dia 15 de dezembro. O governo se articula para voltar a operar o voo direto para Lisboa, em Portugal. A Avianca também já mostrou interesse na região Norte, mas ainda não definiu rotas.
Os eventos esportivos são outro segmento de destaque, com o Estádio Olímpico do Pará e o parque aquático da Universidade do Estado do Pará, que já sediou campeonatos nacionais e internacionais.