Formação de novos profissionais: O atual desafio da Indústria do Turismo

[Por FBHA, 22/09/2013]
Passado a ABAV – Feira das Américas – adentramos na Equipotel, dois eventos que acontecem em São Paulo e que interagem com a hotelaria e a gastronomia, partes integrantes do universo de serviços brasileiros e com reflexos diretos no turismo nacional. Dois pontos em comum podem ser destacados nas conversas de corredores no Anhembi, aonde aconteceram ambos os eventos, e nos seminários e palestras paralelas, tanto na ponta de comercialização e vendas presentes na Feira das Américas, quanto na de compras, no encontro da Reed Alcântara Machado: a preocupação com o fator humano, ou seja, com a mão de obra qualificada.
Apesar da atual diminuição da atividade econômica, o índice de crescimento dos últimos anos nos remeteu a uma escassez generalizada de pessoas qualificadas para empregos básicos e, em um quadro não menos animador, para posições de chefia e gerencia. Ademais, nas profissões que exigem melhor nível educacional, principalmente nos hotéis, a alta rotatividade faz com que as empresas concentrem esforços na criação de programas de retenção de quadros, com benefícios inovadores, políticas salariais agressivas e treinamentos constantes, sem garantia nenhuma de estabilidade do “Turnover”.
E o que faz nossos colaboradores serem poucos estáveis?
Recentes pesquisas no Brasil deixam claro que o principal problema reside, especificamente, no nosso campo de atuação, ou seja: Trabalhar fim de semana; escala de plantão, pouco incentivo a processos de sugestões para melhorias das atividades funcionais por subalternos e, é claro, a concorrência com outros segmentos da economia que não exigem o sacrifico do lazer no fim de semana e o pouco convívio com familiares.
Enquanto discutimos aonde e como investir recursos públicos para formação profissional e requalificação dos já empregados, face a exigência dos grandes eventos, deveríamos nos voltar para analisar a natureza de nosso universo de atuação, seja hoteleiro ou gastronômico. Portanto a flexibilização da CLT, principalmente para o a hospedagem, alimentação fora do lar, eventos e parques temáticos, são inexoráveis. Devemos admitir que o trabalho intermitente, a interjornada e os contratos de curtíssimas durações, são uma política lógica e que permitiria a contratação, principalmente, de jovens que facilmente encontrariam na indústria do turismo seu primeiro emprego.
Mesmo nos EUA, com grande participação de imigrantes nos diferentes segmentos do turismo, a rotatividade é muito grande. Essa constatação nos permite afirmar que precisamos seduzir nossos futuros colaboradores e incentivá-los, desde a mais tenra idade, a entrar na magia da indústria do turismo.
Esse incentivo se dá com o aumento da oferta de cursos técnicos federais para formação de pessoas com expertise em nossa área. Essas ações são importantíssimas para aumentar a futura oferta de bons profissionais que, certamente, ganhariam mais e teriam o conhecimento prévio das filigranas de seus futuros empregos e, assim, teríamos melhores profissionais o que aumentaria a qualidade do atendimento aos nossos clientes.
A recente decisão do governo de conceder bolsas de estudos para cursos técnicos do Pronatec foi uma grande evolução. Agora, alguns de nossos jovens podem ter a perspectiva de uma colocação no mercado de trabalho. Lamentavelmente, entre os 10 cursos mais procurados – em 240 mil vagas abertas por 80 grupos privados que se cadastram no MEC – não está incluído (fora os Senacs) nenhum na área de nossas atividades.
Aqui, portanto, reside o desafio. Como incentivar a escolha dos jovens por capacitação nas áreas de turismo? Como tornar o Turismo uma profissão atraente para nossos futuros profissionais tanto de nível médio como superior?

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