O futuro dos estacionamentos dos estádios após a Copa

[Artigo de Jorge Hori, consultor e titular do blog Inteligência Estratégica – Portal 2014, 19/08/2013]
Dentro do “padrão Fifa” cada um dos novos estádios constituídos ou em construção para a Copa de 2014 contemplam amplos estacionamentos, parte coberta – dentro dos estádios – e parte descoberta, ao lado. Os primeiros serão utilizados para o estacionamento dos veículos dos VIPs, os abertos não poderão ser utilizados durante os jogos da Copa, sendo deixados vazios como área de escape dos espectadores, em caso de algum tumulto ou acidente que obrigue à rápida evacuação do estádio. O máximo previsto pela Fifa são oito minutos para o esvaziamento total.
O que acontecerá com os estacionamentos dos estádios após a Copa? Há situações distintas: em dois dos casos – Castelão e Arena Pernambuco – dada a grande distância do estádio às áreas urbanas de destino mais densas eles só serão utilizados em dias de jogos ou demais eventos. Correm o risco de ociosidade, juntamente com os estádios. Tanto um quanto o outro só conseguiram fechar acordo com um dos clubes locais, e mesmo assim para uso parcial. Arena Pantanal está próxima à área urbana, de média densidade, porém predominantemente residencial, com pouca necessidade de oferta de vagas adicionais além da próprias dos edifícios e das vias do entorno. Não terá grande ocupação, no caso, mesmo em dias de jogos, já que a perspectiva é de pouco público. Poderá ser o estacionamento de um “elefante branco”.
O Mineirão poderá ter grandes públicos e alta demanda pelos estacionamentos, nos dias de jogos, porém com baixa fora dos dias de jogos, reservadas as vagas apenas para os turistas que procuram conhecer o estádio. Na outra ponta estão as arenas incrustadas em áreas urbanas de grande densidade de destino, podendo ter alta utilização fora dos dias de jogos. Dentre eles estão dois estádios que poderão se transformar “elefantes brancos” com baixa utilização para jogos, ou com baixo público, mas poderão ter uma elevada utilização dos estacionamentos: são os casos da Arena Amazônia, em Manaus, das Dunas em Natal.
Os três estádios privados, Itaquerão em São Paulo, Beira-Rio em Porto Alegre e Arena da Baixada, em Curitiba, estão próximos de áreas urbanas densas podendo ter boa utilização, mesmo fora dos jogos. Por serem estádios de clubes não terão uma quantidade de uso menor do que os estádios públicos, porém com possibilidade de grandes públicos, com consequente demanda elevada por vagas.
O Maracanã ficou inteiramente cercado pela expansão urbana e o seu estacionamento poderá se amplamente utilizado fora dos dias de jogos. A questão é se para abrir a área de estacionamento serão (ou não) demolidos o Parque Aquático e a Pista de Atletismo o que, embora previsto no contrato de concessão, enfrenta grandes restrições.
A última posição do Governo Estadual é não promover a demolição. A alternativa seria utilizar uma área adjacente pertencente ao Exército. Esse concordaria?
O Maracanã é o estádio melhor serviço por transporte coletivo, podendo reduzir a oferta de estacionamentos.
A debilidade econômica do futebol carioca, associada à alternativa encontrada pelo Flamengo em levar parte dos seus jogos para Brasilia, onde fatura várias vezes o que consegue no Rio e a necessidade da concessionária em gerar caixa, em curto prazo, podem levar o Maracanã a ser um “elefante branco”, com a sua baixa utilização para jogos. No modelo de negócios que está estabelecido na concessão, não interessará à concessionária realizar muitos jogos, por cada um deles será deficitário, como ocorreu com a sua reabertura, para jogos regionais, como ocorreu no domingo, dia 21 de julho de 2013.
O Mané Garrincha, em Brasília, tem uma situação peculiar. Brasilia (isto é, o plano piloto) tem uma grande carência de estacionamentos e o da arena poderia ser um grande pulmão para abrigar os carros dos funcionários públicos e outros que querem deixar o carro estacionado durante todo o dia. Mas isso requer um serviço complementar de vans ou similares para levar o motorista do estacionamento até o seu destino usual. Compensaria para o usuário?
No Itaquerão, haverá uma área de estacionamentos com 3.000 vagas, sendo uma das grandes esperanças do Corinthians de conseguir uma receita adicional além dos ingressos para os jogos. Seus dirigentes teriam afirmado, segundo a mídia, que alcançariam R$ 150 milhões com as receitas acessórias, contando com o faturamento dos estacionamentos. Mais uma vez vendem (eventualmente a si mesmos) perspectivas otimistas, sem fundamento em dados reais.
O Itaquerão, por ser uma arena de clube, só receberá jogos comandados pelo Corinthians e, eventualmente, jogos da seleção brasileira. Considerando as tabelas dos torneios usuais (Brasileirão, Copa do Brasil, Estadual, Sulamericana ou Libertadores) o clube teria, normalmente, 42 jogos por ano.Para efeito de avaliação econômica da arena, podemos considerar 6 jogos mais importantes, como finais de campeonatos nacionais ou jogos decisivos da Libertadores, em que o estádio lotará, assim como o estacionamento. Tomando por base a experiência do Morumbi, o preço da vagas poderia ser de R$ 100,00. Nesse caso o estacionamento faturaria R$ 1.800.000,00.
Considerando mais 40 jogos, com lotação completa do estacionamento, a um custo da vaga de R$ 30,00, o que estaria em torno da média do que é cobrado pelos valets junto a restaurantes ou casas de shows o estacionamento faturaria mais R$ 3.600.000,00.
Fora dos jogos, o estacionamento poderia ser ocupado pelas pessoas que irão trabahar no polo institucional, fazer compras no shopping center do estádio ou se utilizar dos serviços dque serão oferecidos, ou como “park and ride” para os usuários do metrô ou da CPTM. Considerando 300 dias úteis com uma tarifa diária de R$ 20,00 o que é a média cobrada pelos estacionamentos centrais em São Paulo a arrecadação seria de R$ 18.000.000,00 o que somada às demais parcelas resultaria num faturamento de R$ 23.400.000,00, muito longe dos R$ 150.000.000,00 pretendidos pelo clube.
Mas essa seria a previsão otimista. Mesmo nos jogos mais imporantes, o estacionamento não poderia cobrar o mesmo que os “flanelinhas” achacam no Morumbi. Um valor razoável, mesmo assim, com muitas reclamações seria de R$ 50,00, o que reduziria a previsão de arrecadação para R$ 900.000,00.
Nos demais dias de jogos, a tarifa razoável, continuaria sendo de R$ 20,00, tendo em vista o interesse do Corinthians de oferecer mais lugares a preços populares. A lotação, mesmo a esse valor não alcançaria 100%, podendo ser estimado com 80%, o que levaria a previsão de arrecadação para R$ 1.920.000,00.
A diária fora dos jogos, tendo em vista uma demanda predominantemente de usuários de média a baixa renda, incluindo os usuários que deixariam o carro estacionado para seguir de metrô ou trem metropolitano, não poderia passar de R$ 15,00 que é o valor encontrável em estacionamentos no centro.
O estacionamento do Itaquerão terá que enfrentar a concorrência dos estacionamentos do Shopping Center Itaquera e do Metrô, que estão mais próximos da estação. Estimamos que a média de ocupação seja de 50%, com uma arrecadação anual de R$ 6.750.000,00, de tal forma que uma estimativa razoável (ou conservadora) seria de uma receita bruta do estacionamento do Itaquerão de R$ 10 milhões anuais.
Vencida a euforia da Copa, como ficarão os estacionamentos dos estádios, como um negócio? Serão uma fonte de recursos complementares, como prevêem os estudos de viabilidade, ou um custo adicional de um mau negócio?

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