Embratur prevê mais de 120 mil turistas em Cuiabá

[Por Mídia News, 18/08/2013]
Cuiabá pode receber, em média, 122.021 mil turistas, durante os 30 dias de realização da Copa do Mundo de 2014, segundo a estimativa feita pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), com base no público presente nas duas últimas edições do Mundial de Futebol, em 2006 (Alemanha) e em 2010 (África do Sul).
O levantamento feito pelo instituto prevê apenas o número de turistas brasileiros (provenientes de outros estados) que devem passar pela Capital, durante os meses de junho e julho, impulsionados pelo Mundial da Federação Internacional de Futebol (Fifa).
A estimativa está muito acima daquela esperada pelo Governo do Estado, com base em um estudo realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde o número de turistas flutua de 44,2 mil a, no máximo, 78,8 mil.
De acordo com o estudo da Embratur, cada turista deverá permanecer cerca de 10 dias na cidade, gastando, em média, R$ 538 por dia – valor obtido como resultado da tarifas hoteleiras + R$ 150 em gastos diversos.
Ou seja, espera-se que sejam injetados pelos turistas na economia da Capital mais de R$ 656,8 mil, em apenas um mês de evento.
Já no país, é esperada a circulação de três milhões de turistas brasileiros pelas cidades-sede da Copa, resultando em gastos superiores a R$ 18,3 bilhões durante todo a Copa.
Se somados ao público estrangeiro que virá ao país atraído pela Copa, os valores injetados na economia e o número de turistas nas cidades-sede devem aumentar ainda mais.
A Embratur estima ainda que ao menos 600 mil turistas estrangeiros circulem pelo país, durante os 30 dias, gastando, em média, R$ 11.412,50 por dia de estadia no país, o que irá resultar em uma gasto total de R$ 6,847 bilhõesl.
Previsão “otimista”
Para o empresário e presidente do Conselho Estadual da Confederação Nacional do Turismo, Jaime Okamura, os números divulgados pela Embratur estão longe da realidade.
“Acredito que essa projeção foi superestimada. Se for concretizada, será uma maravilha, mas não acredito nessa previsão, pelo menos em no que se refere a Mato Grosso. A média de gasto de um turista em Cuiabá é de R$ 300 por dia, não de R$ 538”, disse.
Segundo Okamura, o tempo de permanência de 10 dias apontado pelo levantamento e o gasto médio desses turistas na Capital não levam em conta o perfil do visitante durante a Copa do Mundo, que, de acordo com o empresário, se tratam predominantemente de homens com idade entre 19 e 40 anos, que têm por objetivo principal assistir aos jogos das seleções.
“O que eles utilizam da cidade? Onde dormir, onde comer e opções de lazer. Então, não é um turista especificamente do tipo que nós temos, voltados para o ecoturismo. Não é o perfil desse tipo de turista se hospedar em hotel de luxo e comer em restaurante de luxo. Normalmente, eles se organizam e já vêm em grupos, procuram hotéis mais simples, dividem apartamentos, ou seja, procuram opções mais simples de estadia”, afirmou.
Para Okamura, grande parte dos turistas brasileiros apontados pela Embratur será, na verdade, de pessoas residentes no interior do Estado que irão se deslocar para a Capital. A definição desse público, para ele, só poderá ser feita após o sorteio das chaves dos jogos da Copa de 2014, que será realizado em dezembro deste ano.
“[A movimentação] vai depender também das seleções que vierem jogar aqui, porque tem time que não traz público. Então, na verdade, os turistas que realmente nos interessariam, que são os estrangeiros e os brasileiros que venham para gastar, acredito que não teremos”, avaliou.
“Gargalos” para a Copa
Com o aumento da estimativa de público durante o Mundial, aumentam também os problemas a serem solucionados na Capital, que vão desde o baixo numero de profissionais bilíngues no setor de serviços – como hotéis, táxis, comércio e restaurantes – até o alto risco desabastecimento no setor de alimentação.
O estudo feito pela UFMT e coordenado pelo professor do curso de Economia, Dilamar Dallemole, analisa questões como hospedagem, segurança, serviços bancários, saúde básica, alimentação, serviços gerais e as características culturais da Capital e das cidades do entorno que também poderão ser focos dos turistas durante o Mundial.
O resultado final é preocupante. Problemas não foram encontrados apenas no que se refere à capacidade do Aeroporto Internacional Marechal Rondon para o ingresso de turistas e delegações, bem como à demanda de energia elétrica, água e saneamento básico –, caso os investimentos previstos sejam realizados.
Em todos os demais quesitos analisados, há ajustes a serem planejados, segundo o estudo. A mobilidade interna dos municípios, por exemplo, é uma delas, com muitas rotas e rodovias necessitando de sinalizações verticais e horizontais.
Outro ponto ressaltado no estudo é quanto à oferta inconstante do serviço de telefonia móvel, “que pode comprometer o fluxo de informações para um montante considerável de turistas”.
O serviço, aliás, é um dos quesitos considerados essenciais pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), juntamente com a internet, nas cidades que sediarão a competição.
A adesão de cartões de crédito e débitos nos estabelecimentos, como restaurantes e lanchonetes, também é apontado como um fator a ser solucionado nos municípios vizinhos.
“Em Cuiabá e Várzea Grande, 100% dos estabelecimentos aceitam cartão de crédito/débito e 37% ofertam atendimento bilíngue. São indicadores que necessitam de ajustes importantes para atender plenamente aos turistas em 2014”, diz trecho do estudo.
O destino turístico também foi avaliado na pesquisa e serve como um indicador da necessidade de incremento de leitos e qualificação dos profissionais nos municípios citados a fim de garantir que haverá oferta de espaço e serviços para suprir a demanda.
“O maior atrativo demandado em Mato Grosso é o Pantanal, com destaque para o município de Poconé, seguido por Cáceres e Barão de Melgaço. Todos os turistas que visitam Mato Grosso demandam o Pantanal e somente Poconé concentra cerca de 70% dos visitantes”, aponta o estudo.
Na sequência, também deverão ser visitados os municípios de Chapada dos Guimarães, Nobres e Jaciara.
Outro setor avaliado na pesquisa como prioritário para garantir uma boa recepção durante o evento se trata da segurança – faltam policiais, bombeiros e serviços técnicos em todos os municípios estudados, não só na Capital.
“A situação se agrava com o incremento populacional […] que desconhecem as condições adversas e tendem a demandar, pelo menos, mais informação. […] não há profissionais fluentes em língua estrangeira suficiente para garantir um tratamento adequado”, resume o estudo.
Também requer atenção a situação atual da saúde básica e do Pronto-Socorro de Cuiabá (PSMC), pois falta planejamento em caso de acidentes e não é possível – devido à superlotação e da precariedade de serviços – deslocar todos os turistas para o PSMC.
“Essa rotina precisa ser revista e alternativas devem ser criadas para que possíveis acidentes não tenham repercussões mais graves, tanto para as pessoas quanto para o evento”, aponta o levantamento.
Sem vagas
A pesquisa ressalta, porém, que “a falta de hotéis pode se tornar um fator determinante na limitação dos turistas durante a Copa em 2014”.
De acordo com a pesquisa, em um cenário em que todos os leitos estivessem disponíveis apenas para os visitantes, o déficit já seria de 1.738 leitos diários. Em um cenário de maior fluxo, a falta de leitos por dia pode chegar ao total de 6.458.
Levando-se em conta a taxa de ocupação dos hotéis na Grande Cuiabá normalmente, sem o efeito Copa do Mundo, o déficit poderia chegar a 15 mil leitos por dia.
Okamura afirma que, independente do número de visitantes, a Capital não terá meio de hospedagem suficiente durante os jogos.
“Será necessário pensar em meios de hospedagem alternativos, como o projeto cama e café, alojamentos, hotéis que não estão cadastrados no Cadastur (cadastro dos prestadores de serviços turísticos), e outras alternativas, que já aconteceram em outras cidades como o Rio de Janeiro, que é adequar os motéis para servirem como hotéis durante a Copa, o que já aumentaria significativamente o número de leitos”, disse.
Ele explicou que a previsão para junho de 2014 é de que tenhamos 14 mil leitos na Grande Cuiabá, mas a grande preocupação do setor é em como suprir essa semana após o evento mundial.
“Se hoje nós temos em torno de sete mil leitos com uma taxa de ocupação de 70%, que já é considerada boa, ao duplicar [o número de leitos], já complica, porque vai haver a concorrência que, para o consumidor é excelente, mas causa problemas ao setor hoteleiro”, explicou.
Outros meios tomados pela da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), para suprir a demanda foi por meio de parcerias fechadas com o Lions Clube, Rotary Internacional e Maçonaria.
Desabastecimento
A falta de alimentos também deverá ser um problema sério, segundo a pesquisa da UFMT, uma vez que o Estado depende do fornecimento de cidades como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
O estudo aponta que para atender a demanda, considerando um fluxo de turistas mínimo (44 mil), serão necessários 64 toneladas de legumes e hortaliças, 56 toneladas de frutas e 77 toneladas de laticínios adicionais ao que é consumido normalmente na Capital.
Já para o cenário superior de visitantes os montantes se ampliam: serão necessárias 115 toneladas de legumes e hortaliças, 100 toneladas de frutas e 137 toneladas de laticínios, independentemente da demanda cotidiana dos municípios pesquisados.
“A situação se torna ainda mais complexa devido ao fato de que, em média, 39% destes alimentos são produzidos em outros estados brasileiros, que também sediarão jogos da Copa em 2014 e sofrerão incremento semelhante ou até maior por alimentos”, ressalta o estudo.
Okamura afirmou que, nesse caso, não acredita que a criação da nossa Central de Abastecimento (Ceasa) – mesmo que em funcionamento na época, como prometido pelo Governo do Estado – irá resolver o problema.
“Alguns produtos que devem ter problemas são do setor hortifrutigranjeiro, devido à grande demanda que haverá nesse período. Pode não ter ou encarecer, então as pessoas terão que optar por outras coisas. O Ceasa não resolve, porque é uma medida que deveria ter sido tomada há muito tempo. Agora, o que é necessário é que o setor de alimentação, os abastecedores (atacadistas e supermercados) e o poder público se entendam e discutam fórmulas, façam planejamento”, disse.
Otimismo
Apesar dos pontos levantados pela pesquisa da UFMT, o secretário de Estado de Turismo, Jairo Pradela, se diz otimista quanto à capacidade da Capital – e dos municípios vizinhos – de suprirem toda a demanda gerada pelo Mundial de 2014.
“Nós estamos trabalhando com uma estimativa de público de 70 mil a 100 mil. Estamos trabalhando para suportar isso e até mais, se for preciso. Não vejo gargalo nenhum para a Copa do Mundo. Se cada um fizer a sua parte bem feita, não ‘inventando mais moda’, até lá a gente consegue alinhar e organizar toda a cadeia produtiva do turismo para receber o pessoal da Copa”, afirmou.
Pradela salientou que a pasta já está criando estratégias com o setor hoteleiro e com os donos de bares e restaurantes para que todos possam estar preparados para receber os turistas, se organizando individualmente com os seus fornecedores.
“Porque isso tudo é uma cadeia. Não deve ficar apenas a cargo do Estado. Cada um tem que fazer a sua parte. O Estado está promovendo a infraestrutura e oferecendo qualificação, e os entes privados devem colaborar fazendo a parte deles”, disse.
Quanto à falta de leitos, Pradela se diz tranquilo, uma vez que os 120 mil turistas estimados pela Embratur não deverão vir todos de uma vez para a cidade.
“Teremos uns 14 mil leitos e temos também leitos no entorno para serem ocupados, como em Poconé, Chapada dos Guimarães, Santo Antônio, Rondonópolis. E já há uma consultoria fazendo levantamento e qualificação dos hotéis nesses locais desde a semana passada”, afirmou.

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