Conselho de Turismo debate a sustentabilidade da aviação no Brasil

[Por CNC, 09/05/2013]
A reunião do Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) debateu a sustentabilidade nos transportes turísticos, em 8 de maio, e recebeu como convidado o vice-presidente Comercial e de Marketing da Avianca Brasil, Tarcísio Gargioni.
O executivo abordou a sustentabilidade sob dois aspectos do tripé econômico, social e ambiental, dando ênfase à gestão corporativa que busca a longevidade das empresas e ao investimento em capital humano. “A questão ambiental ainda é embrionária, o combustível na aviação continua sendo fóssil, apesar de seu uso ser muito mais eficiente”, afirmou. O olhar do executivo, que era um dos diretores da Gol quando a empresa foi criada, demonstra preocupação com a sustentabilidade das empresas aéreas como negócio. “Todos nós temos memórias de gigantes da aviação, como a Varig e a Vasp, que hoje não existem mais. O que devemos fazer para que a aviação comercial brasileira seja sustentável?”, questiona Gargioni.
Nos anos de 2012 e 2013, o transporte aéreo ultrapassou o rodoviário no número de pessoas conduzidas nas viagens interestaduais. Para Tarcísio Gargioni, esse dado demonstra que a aviação comercial, vista no passado como “seletiva e restrita, e um sinônimo de glamour”, hoje é um transporte de massa e por isso deve estar entre as preocupações governamentais e ter políticas públicas para o setor. “O Brasil é o terceiro maior mercado do mundo, atrás apenas dos EUA e da China. São 100 milhões de passageiros transportados por ano, hoje mais pessoas viajam de avião do que de ônibus”, lembra o vice-presidente da Avianca.
O palestrante fez uma retrospectiva da história da aviação comercial brasileira e das principais empresas que fizeram parte desse cenário e concluiu que os anos entre 2002 e 2012 podem ser considerados “a década de ouro da aviação”, nas palavras do executivo. O crescimento das empresas foi impulsionado pelo aumento do PIB e da classe média no País. O RPK, que é o número de passageiros pagantes por quilômetro voado, índice que mede a demanda na aviação, foi de 28 bilhões em 2002 para 87 bilhões em 2012 e a ocupação das aeronaves, no mesmo período, saltou de 57% para 73%.
“Mas o sucesso do passado não garante o sucesso do futuro”, afirma Gargioni, demonstrando preocupação com os números mais recentes do setor, que no terceiro trimestre de 2013 teve uma taxa negativa de 1.24%. “A luz amarela acendeu. As duas empresas líderes estão tendo prejuízos bilionários”, confirma Gargioni. Para o palestrante existem obstáculos que precisam ser superados para a sustentabilidade do setor e, para isso, é preciso conjugar esforços entre a iniciativa privada e o Governo.
Entre os 12 maiores aeroportos do País, oito estão operando no limite ou acima da sua capacidade. Por isso, as reformas e privatizações são vistas como uma necessidade pelo setor, como também uma possível desoneração do combustível, que está entre um dos mais caros do mundo, prejudicando a competitividade. Quanto às empresas, Tarcísio Gargioni lembra que o investimento nas pessoas é o grande diferencial para as organizações, especialmente no turismo, onde o receptivo faz a diferença. “É preciso treinar e motivar permanentemente”, defende. Outras metas apontadas são a regionalização, com a criação de novos aeroportos, e a redução de custo, com o uso máximo das tecnologias disponíveis.
A reunião foi presidida por Anita Pires, vice-presidente do Conselho de Turismo da CNC.