10 anos de uma nova Embratur

[Artigo de Flávio Dino, presidente da Embratur, Aquarela 2020, 20/05/2013]
Há 10 anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou o Ministério do Turismo, com competências para elaborar políticas públicas para esse setor tão dinâmico de nossa economia. Simultaneamente, Lula definiu que a Embratur – criada há 47 anos – passasse a se dedicar mais à promoção turística do Brasil no exterior.
Foi uma decisão extremamente sensata. Os destinos turísticos mais consolidados do mundo possuem importantes órgãos de promoção turística, a exemplo do Visit Britain, do Reino Unido. Vários países emergentes, como África do Sul e México, seguiram o mesmo caminho visando um lucrativo mercado internacional de turismo, que contou com mais de 1 bilhão de viagens no mundo no ano passado.
Não seria o Brasil, com todas as suas belezas naturais e com a hospitalidade de seu povo reconhecida internacionalmente, que ficaria atrás. A constituição de um órgão responsável por promover os atrativos turísticos do Brasil foi essencial para garantir um crescimento impressionante para o turismo internacional no país.
Em 2003, eram 4 milhões de turistas por ano. No ano passado, chegamos a 5,7 milhões. E, este ano, tenho convicção de que, pela primeira vez na história do Brasil, alcançaremos o recorde de 6 milhões de turistas estrangeiros, consolidando um crescimento de 35% no período analisado. Importante lembrar que essa década foi marcada pela quebra da Varig – nosso principal elo internacional – e pela gigantesca crise que se estende de 2008 até hoje, colhendo em cheio países essenciais para nosso turismo, tais como Espanha, Portugal e Itália.
Para alcançar novos recordes, temos algumas barreiras. As geográficas são bem evidentes: um oceano nos separa dos principais emissores de turistas no mundo, os europeus. Também guardamos certa distância dos EUA, que podem escolher no Caribe praias mais próximas que as brasileiras, e estamos do outro lado do mundo em relação ao país que mais cresce em emissão de turistas, a China. Tudo isso faz com que o trabalho de promoção turística seja essencial para garantir o crescimento da entrada de estrangeiros no país, aumentando assim o ingresso de divisas.
Por essas razões, decidi priorizar as ações voltadas para as Américas. Basta observar um dado científico: em todo o mundo, mais de 80% do turismo é intrarregional. Portanto, 8 em cada 10 turistas que visitam a França, são europeus. O mesmo ocorre com o México, que recebe grande aporte de turistas norte-americanos.
Assim, somente alcançaremos a meta ambiciosa – mas factível – de 10 milhões de estrangeiros após os Jogos Olímpicos de 2016, se tivermos algo como 7 milhões de turistas latino americanos.
Para além das questões geográficas, temos um desafio central para o produto turístico Brasil: os altos custos de elementos básicos para o turismo, como as passagens aéreas e hotelaria. Não poderemos avançar sem enfrentar essa questão. Por isso, criei, no ano passado, a Pesquisa Internacional de Preços da Hotelaria, para acompanhar o preço cobrado pelos hotéis dos principais destinos turísticos do Brasil e do mundo. É uma forma de colocar o problema sobre a mesa para que possamos conversar, governo e mercado, para chegar a soluções – a exemplo da redução das tarifas de energia e a desoneração tributária efetuadas pela presidenta Dilma.
Somente com atitudes como essas vamos superar possíveis desvantagens competitivas e reforçar nossas imensas vantagens de um destino turístico único, preparado para a visita de ao menos 10 milhões de estrangeiros por ano. E esse trabalho tem um importante reflexo interno. Graças à extensa cadeia produtiva do turismo, que vai do dono de restaurante ao artesão, cada dólar que entra no país pela mão de um estrangeiro vai diretamente para o bolso de milhares de profissionais envolvidos nessa atividade. É esse fruto do meu trabalho que me satisfaz e enche de orgulho. Seguirei trabalhando por mais e melhores resultados neste ano de 2013, que será ainda melhor do que 2012.