Copa rende bons negócios para empresários de todo o país

[Por Revista PE & GN, 23/04/2013]
Mesmo faltando 14 meses para a Copa do Mundo da FIFA 2014, pequenos negócios já estão lucrando com as oportunidades que o torneio de futebol proporciona a diversos setores da economia. Até o momento, o mundial rendeu mais de R$ 100 milhões em vendas para empresas de micro e pequeno porte de todo o país. Um levantamento encomendado pelo Sebrae à Fundação Getúlio Vargas mapeou 930 possibilidades de negócios em dez setores: agronegócio, madeira e móveis, vestuário, serviços, comércio varejista, construção civil, turismo, Economia Criativa, artesanato e tecnologia da informação.
Um exemplo de empresário que apostou na Copa de 2014 é Carlos Mota, engenheiro de produção em Fortaleza (CE). Pra ele, a Copa já terminou, pois as obras do estádio do Castelão e a ampliação do aeroporto foram entregues recentemente. Dono da empresa Camol, ele forneceu estruturas metálicas para as fachadas, corrimão e escadas. Entre julho de 2011 e dezembro de 2012, o faturamento da empresa aumentou em R$ 1,5 milhão. Em comparação com outros anos, o empreendimento registrou crescimento de 30% nas vendas.
A receita da empresa no ano anterior às obras por conta da Copa chegava a R$ 4 milhões. Com a oportunidade de grandes eventos esportivos, a Camol faturou R$ 5 milhões. O quadro de funcionários também foi ampliado. Houve contratação de mais 50 colaboradores, totalizando 135 empregados. No ritmo normal da empresa, a Camol, fundada em 1998, contava com 85 empregados.
Há oito anos no mercado de cursos de idiomas in company (dentro de empresas), a Business Language investe em novos produtos para preparar lojas, restaurantes e quiosques do Rio de Janeiro, visando à ampliação das vendas durante a Copa de 2014. “Vender todo mundo consegue, mas se for na língua do visitante, essas vendas podem ser potencializadas”, ressalta o empresário Rodrigo Amaral. A empresa também atua na tradução de documentos e em tradução simultânea em eventos, além de testes de proeficiência em línguas para áreas determinadas.
Em contato com o Sebrae, Rodrigo descobriu que precisava desenvolver novos cursos para atrair clientes com foco nos turistas do mundial. No Encontro de Negócios Sebrae 2014, em dezembro, o empresário conheceu parceiros e possíveis clientes. A Business Language chegou a apresentar o portfólio de cursos para treinar funcionários da Mega Matte, rede de lanches naturais, que também participou do encontro. “Eles relataram dificuldade em vender aos estrangeiros durante a Rio+20 e querem melhorar o atendimento para a Copa”. O cardápio em inglês não foi suficiente para garantir totalmente as vendas ao público estrangeiro durante a Rio+20. Para esclarecer dúvidas dos clientes, a diretora-executiva da Mega Matte, Fátima Rocha, remanejou de função funcionários fluentes em inglês para assegurar a satisfação do público. “Foi a forma que encontramos de contornar o problema, pois nossa prioridade é atender bem sempre e acabou dando certo”, garante.
A história da Mega Matte começou com lojas e quiosques de lanches naturais em 1994 e já conta com 103 lojas, sendo mais de 80 no Rio de Janeiro. Nos quatro estados brasileiros onde a lanchonete está presente, cerca de 500 colaboradores serão qualificados em inglês. “Temos lojas em diversos pontos turísticos e vemos a qualificação como um importante fator de motivação dos funcionários”, ressalta. Além da capacitação dos atendentes e caixas, a Mega Matte também trabalha para disseminar entre os turistas da Copa as práticas sustentáveis adotadas pela empresa. “Estamos desenvolvendo uma embalagem tetrapak sustentável que mantém as propriedades naturais do nosso mate artesanal sem necessidade de conservantes”, explica Fátima. A empresa pretende formatar parcerias para vender o mate nos estádios e em seus arredores durante a Copa do Mundo.
Gol de Bandeja
As bandejas com acabamento em almofadas servem para decorar, mas também funcionam como apoio para lanches, livros e notebooks. A ideia surgiu em 1990, quando a empresária e artista Maria Lídia Martuscelli produziu um exemplar para uso pessoal. A “bandoca”, como apelidou a bandeja, ganhou o gosto de amigos e artistas do Rio de Janeiro e foi parar na internet, como a loja de mesmo nome. Desde 2009, a Bandoca fornece para lojas de brindes, de decoração e grandes revendedoras de móveis e utilitários.
Com orientação do Sebrae, a pequena empresa trabalha no desenvolvimento de bandejas específicas para o mundial de futebol. “Queremos aliar sustentabilidade, ‘carioquice’ e Copa”, revela Lidoka, como é conhecida. As novas bandejas ganharam almofadas com tecido 100% reciclado e tampos que estampam a calçada de Copacabana, os arcos da Lapa e até o Cristo Redentor. “Arrematamos com pequenas bandeiras dos países que vêm disputar a Copa. Queremos levar a bandoca aos hotéis e fechar parceria com as delegações. Imagina só os atletas usando as bandejas”, planeja. Atualmente, a Bandoca vende cerca de oito mil bandejas por mês, em todo o país. Com as parcerias e os novos produtos, a empresária pretende ampliar o número para 50 mil durante o Mundial de 2014.
Cachaça com turismo
Em Canela (RS), a Flor do Vale acumula os títulos de primeiro alambique brasileiro artesanal certificado pelo ITQI (instituto europeu de avaliação de alimentos e bebidas) e de ponto turístico da região. A cachaçaria tem canavial próprio e produz licor de canela, mas a vedete dos turistas que lotam a Serra Gaúcha no inverno é a cachaça branca, resultado de pesquisa de cinco anos. Em 2012, o alambique recebeu mais de 55 mil visitantes ao longo do ano. Para o período dos jogos, em 2014, a Flor do Vale estará preparada para a passagem de 30 mil pessoas e deve vender sete mil litros de cachaça.
Preocupado com o desenvolvimento turístico da cidade, a 140 km de Porto Alegre, o alambique disponibiliza transporte próprio para buscar visitantes e fazer passeio panorâmico. Na cachaçaria, há ainda cachoeiras para banho e prática de esportes de aventura. “Estamos até mudando o nome da empresa para Flor do Vale – Alambique e Parque Ecológico”, avisa o proprietário Antônio Cardoso Júnior. A cachaçaria já tem miniestação de tratamento de esgoto, que permite o reaproveitamento da água e dos resíduos. “O Sebrae está nos ajudando a reduzir o impacto ambiental. Assim, os turistas vão conhecer a bebida nacional em um local que respeita o meio ambiente”, destaca o empresário.
Horta ampliada
Cláudio Teixeira é outro empresário muito confiante nos rumos que seu negócio está tomando graças à Copa. Ele é um dos donos da Multi Horta Alimentos, fundada há cinco anos em Belo Horizonte (MG) e que atua no setor de agronegócios fornecendo frutas, legumes e verduras a hotéis, restaurantes e bufês. Animado, o empresário já investiu na troca do galpão da empresa, saindo de uma área de 100 m², para um espaço de 360 m². “Com isso, aumentamos a área de refrigeração, essencial para quem trabalha com alimentos”, diz o empresário. O investimento chegou a R$ 1,5 milhão.
A ideia original era aumentar a empresa apenas perto do mundial, mas Cláudio Teixeira optou por antecipar a decisão. “As empresas precisam se estruturar para atender ao aumento da demanda”, diz Teixeira. Além do acréscimo no galpão – e na área de refrigeração –, ele não descarta que a Multi Hortas poderá trabalhar em quatro turnos durante a Copa.