Carnaval 2013 deve movimentar R$ 5,7 bilhões em turismo

[Por DCI, 28/01/2013]
Quem ainda quer aproveitar o carnaval para viajar e curtir as festas com amigos ou família deve se preparar: principalmente nas cidades com carnavais tradicionais, os hotéis já estão com quase toda a capacidade ocupada, as passagens de avião estão cada vez mais escassas e caras e as atrações turísticas bastante concorridas. A expectativa do Ministério do Turismo é que o carnaval brasileiro deste ano tenha uma movimentação de viagens 4% acima do que foi registrado no ano passado e uma movimentação financeira 2,5% maior. Considerando os setores não atrelados diretamente ao mercado turístico, como indústria têxtil e comércio varejista, o volume de dinheiro rodando no período é bem maior.
Apenas com relação a viagens, o Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo estima que o carnaval deste ano gerará aproximadamente 6,2 milhões de viagens dentro do País, tanto por turistas brasileiros e estrangeiros, entre a sexta-feira (8 de fevereiro) e a Quarta-Feira de Cinzas (13 de fevereiro). Já a movimentação financeira da festa popular, em todo o País, deve alcançar os R$ 5,7 bilhões. No ano passado, esses números eram de seis milhões de viagens e R$ 5,5 milhões em geração de divisas.
A perspectiva otimista é calcada principalmente pelo mercado doméstico, que já tem gastado mais em lazer e turismo também em outras datas – tanto que a quantidade de famílias que passou a gastar com viagens aumentou de 38,5% do total em 2007 para 44% em 2012. “O brasileiro, pelo crescimento da classe C e da renda, além da facilidade de pagamento de viagens, está incorporando o turismo em sua estrutura de consumo”, explica o diretor do Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo, José Francisco Salles Lopes.
O consumo doméstico já é confirmado pelas agências de viagens, que esperam um movimento 10% maior no carnaval deste ano. Os dados da rede hoteleira não se restringem ao carnaval, mas segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hoteis (Abih), a alta temporada também leva 10% a mais de consumidores às hospedagens. A promessa de crescimento da movimentação financeira é alta, já que, em 2012, apenas a capital fluminense recebeu mais de quatro milhões de pessoas, que ocuparam 95% dos leitos da rede hoteleira carioca.
Os turistas estrangeiros parecem que não vão se intimidar muito com a crise econômica que vivem em seus países. A Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav) calcula que neste ano virão 10% a mais de foliões internacionais do que vieram no ano passado. “Está vindo bastante turista, o carnaval chama a atenção e Brasil também é bem visto por causa da Copa e das Olimpíadas”, afirma o presidente da associação em São Paulo, Edmar Bull.
Ainda assim, os dados indicam que a parcela de estrangeiros não vai aumentar com relação aos brasileiros. A rede hoteleira em todo o País deve manter a proporção de 8% a 10% de turistas estrangeiros, segundo a Abih.
Setores adjacentes
Além dos setores ligados diretamente ao turismo, como hotéis, companhias e agências de viagens, outros setores também se beneficiam da movimentação de pessoas nas cidades turísticas. O setor mais óbvio é o de bares e restaurantes e comércio de souvenirs, que devem refletir as porcentagens de gastos do setor turístico, e outro é o têxtil. As empresas que produzem e comercializam fantasias, sprays, confetes e acessórios típicos de carnaval são tão dependentes da festa que 40% das vendas anuais desses produtos ocorrem nesse período.
O volume de turistas é fundamental para as vendas específicas do carnaval. De acordo com o vice-presidente de comunicação e marketing da Associação Brasileira de Eventos (Abeoc), José Eduardo Rodrigues, como o turista de lazer gasta menos do que aqueles que viajam a negócios, as cidades com carnaval tradicional recebem maior afluxo por causa do volume de visitantes.
Oportunidades
Mas não são só os empresários que vêm boas perspectivas para o período do carnaval. Muitas pessoas conseguem um emprego nessa época por causa da abertura de vagas temporárias em hotéis, comércio e serviços em geral. Segundo Rodrigues, muitos empregos são gerados em restaurantes, hotéis e nas atividades da cadeia produtiva com o público.
No caso da rede hoteleira, as hospedagens costumam aproveitar os empregados que foram contratados para trabalhar temporariamente no Natal e no Reveillón para ficarem até o carnaval. Em Pernambuco, “[essa contratação] já começou no dia 15 dezembro”, segundo o presidente da Abih-PE, Eduardo Cavalcante. “[Os hotéis] contrataram para o Reveillon e mantiveram para o carnaval para manter pessoal qualificado e treinado.”
Parte desses trabalhadores, inclusive, consegue se efetivar no cargo após o período de folia. Segundo Cavalcante, geralmente 5% dos 25% de trabalhadores temporários dos hotéis pernambucanos são efetivados após o feriado.