Notícias desagradáveis para os pessimistas

[Por Exame, 15/08/2012]
Alguns dados econômicos pós Olimpíadas, contradizem os arautos do caos.
Para aqueles que acreditam que mega eventos não produzem nenhum impacto econômico positivo para o país e cidades sedes, o prefeito de Londres divulgou alguns dados que contradizem essa tese.
Entre outros indicadores, a cidade deverá lucrar o equivalente a R$ 50 bilhões, advindos do turismo (300 mil estrangeiros e 600 mil britânicos), ocupação da rede hoteleira (84% em média), movimento de restaurantes e bares (aumento de 24%), cinemas e teatros (aumento de 114%), além da criação de 22 mil empregos permanentes.
Além disso, as 6 bilhões de libras investidas na infra estrutura esportiva e em sua manutenção, foram parar nos cofres de empresas britânicas (que criaram empregos e recolheram impostos).
Outro dado, divulgado pelo Escritório Nacional de Estatísticas britânico, é o aumento do nível de emprego (mais 46 mil postos de trabalho) no Reino Unido em relação ao mesmo período de 2011, com os jogos Olímpicos exercendo papel importante nesse dado.
Curiosos foram os comentários do economista Nouriel Roubini, famoso pelas previsões apocalípticas, afirmando, inclusive em seu twitter, que Londres durante os Jogos se transformaria numa cidade-zumbi, completamente deserta. Os dados acima desmentem essa teoria, mas é preciso salientar que Londres viveu um momento com dois tipos de turistas diferentes. O turista tradicional, que foi visitar Londres pela cidade, e o turista “olímpico” que foi lá para acompanhar os Jogos. Ou seja, houve uma inversão de consumo. A região do parque Olímpico, antes deserta, encheu, e alguns pontos de turismo tradicional, esvaziaram.
Porém, no saldo geral, “mister” Roubini quebrou a cara, pois o metrô londrino bateu recordes históricos de passageiros transportados, atingindo picos sucessivos nos dias 09/08 (4,3 milhões), e 10/08 (4,4 milhões), e o sistema, que segundo os seguidores dos Maias iria pifar, aguentou muito bem o “pico” (e todos pagaram, quer dizer, não eram fantasmas). Interessante, é que muitos comerciantes que sofreram redução de movimento, agora culpam o Governo e a mídia por terem nos últimos tempos dado ênfase ao fato de que a infra estrutura da cidade iria sofrer com a chegada dos visitantes, e aconselhado os londrinos a trabalhar e permanecer mais em casa, e se deslocar menos (principalmente de metrô), fazendo com que os habitantes da cidade consumissem menos.
Pelo jeito, os urubus acabaram dando um tiro no pé.
Conforme percebi, inclusive em Kiev por conta da Eurocopa, a realidade é bem diferente daquela propagada pelos “alarmistas”. Apesar de pequenos incômodos durante poucos dias, não há caos nenhum.
Volto a lembrar. Mega eventos são oportunidades, e não certezas. Existem os países/cidades que sabem aproveitá-las, e os que não sabem, ou conseguem. Parece que Londres conseguiu.
E agora Mr. Roubini, será que o Rio sobreviverá a 2016 ?