Economia Criativa

Tive o privilégio de participar, em Londres, de uma Conferência Mundial de Redes ligadas a Economia Criativa e Cidades Criativas, realizada entre os dias 28 e 29 de maio de 2012. O público do evento abrangia desde líderes empresarias, representantes de governos bem como artistas, artesãos, designers, produtores de cinema, profissionais da moda, música, TV, tecnologia, gastronomia e arquitetura. O objetivo do encontro era propiciar a troca de informações, apresentação de cases e principalmente fortalecer as redes internacionais e criá-las onde ainda não estão instaladas.
A industria criativa é a que mais cresce no mundo, movimentando US$ 592 bilhões, conforme dados de 2010 (os mais recentes) da Unctad – Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – Unctad. Mesmo nos países em crise ela continua em expansão. No Brasil, tem um apoio significativo do Sebrae Nacional e mais recentemente do Ministério de Cultura, a partir da criação da Secretaria de Economia Criativa, em janeiro de 2011, e do lançamento do OBEC – Observatório da Economia Criativa, agora em junho. De acordo com estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), divulgado em outubro do ano passado, a economia criativa no Brasil alcançou 2,5% de participação no Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, movimentando R$ 93 bilhões. Em atividades diretas, o setor empregou, formalmente, 771 mil pessoas.
A Industria Criativa, segundo John Hopkins em seu livro The Criative Economy, inclui os processos que envolvem criação, produção e distribuição de produtos e serviços usando o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como principais recursos produtivos. Sem dúvida abrange o trabalho que desenvolvemos na Pires e Associados, voltado ao desenvolvimento regional a partir do turismo.
Na Europa, a Industria Criativa já é debatida e tem politicas públicas e de mercado há 20 anos. No Brasil, estamos iniciando esse processo. Com apoio governamental e financiamento, milhares de pequenos produtores, artistas e artesãos poderão ser incluídos no setor produtivo, gerando riqueza e cidadania.
Esperamos que neste ano eleitoral os candidatos a prefeitos e vereadores dos mais de 5 mil municípios brasileiros incluam na agenda a discussão sobre a vocação e o potencial dos municípios para a economia criativa. A partir de uma política adequada, milhares de brasileiros podem ser integrados às redes sociais e produtivas das pequenas e microempresas, gerando desenvolvimento regional e preservando também a cultura local e o patrimônio intangível de seus habitantes.
Nosso compromisso a partir da Conferencia é estimular o debate e a criação das redes de Cidades Criativas, viabilizando parcerias público-privadas para o fortalecimento da economia criativa.
[Por Pires e Associados, 27/06/2012]