O que falta para o turismo de eventos decolar em Santa Catarina

[Por  Diário Catarinense, 05/05/2012]
O governo do Estado recuperou, há duas semanas, o projeto de um centro de convenções às margens da BR-101, em Balneário Camboriú. Mas não de qualquer centro de eventos. O edifício poderia ter três vezes o tamanho do CentroSul, em Florianópolis, e custaria mais de R$ 100 milhões.
A necessidade de um espaço como este, em SC, é consenso entre empresários e organizadores de congressos. O Estado é a bola da vez do turismo e depende, especialmente, de uma estrutura apropriada para alavancar o turismo de negócios, capaz de movimentar mais de 50 atividades econômicas e suprir as necessidades do trade turístico em meses de baixa temporada.
O Parque Vila Germânica, em Blumenau, é o centro de eventos com a maior capacidade do Estado. Em suas convenções e congressos, consegue receber 6 mil pessoas. A estrutura, porém, não é a ideal. O pavilhão precisa ser adaptado, com o acréscimo de cadeiras e palco, para então ser transformado em uma plenária. A mesma coisa no Costão do Santinho, em Florianópolis, que abriga 5 mil pessoas, mas metade delas, no salão Tuguá, que também exige modificações quando usado como auditório. O CentroSul, por outro lado, tem a maior área para exposições do Estado, 7,2 mil metros quadrados, assim como salas especiais para convenções, mas a capacidade é limitada, para 3,5 mil pessoas.
Ou seja, não temos estrutura para receber as grandes convenções, tão importantes para regiões litorâneas, porque movimentam o turismo também na baixa temporada. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Eventos (Abeoc), o turista de eventos gasta três vezes mais do que o de temporada. Em congressos internacionais, o gasto médio diário de um único turista é de R$ 583.
— Recentemente, a comissão organizadora do Congresso Brasileiro de Cardiologia se interessou por Florianópolis, pelas belezas naturais, segurança e rede de hotéis, mas não fechou o evento porque os espaços de convenções não preenchiam os requisitos mínimos — exemplifica Marco Aurélio Floriani, presidente da Abeoc-SC.
Juliana Castanho, diretora executiva do Convention & Visitors Bureau de Florianópolis, afirma que o espaço ideal é aquele que comporte mais de 5 mil pessoas em salas equipadas com carpete, ar-condicionado, divisórias modulares e cadeiras móveis.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-SC), João Moritz, lembra que é preciso aproveitar o potencial turístico dos municípios do Estado, que, independentemente da estrutura para convenções, são atrativos. Quem participa de um congresso, comenta ele, também quer sair para passear e conhecer a cidade. É por isso, segundo Moritz, que SC precisa melhorar muito a infraestrutura.
O presidente da Abeoc-SC destaca um paradoxo na estrutura para congressos do Estado. Cidades com uma rede de hotéis robusta, como Florianópolis e Balneário Camboriú, cada uma com 20 mil leitos, são deficientes em espaços adequados. Já municípios do Norte do Estado, carentes em hotéis, oferecem mais opções de centros de eventos. Para Floriani, a localização do futuro centro de convenções, em Balneário Camboriú, é estratégica. Além de oferecer hotéis e opções de lazer, a cidade fica a meia hora do aeroporto de Navegantes e a cerca de uma hora do Aeroporto Hercílio Luz, na Capital. Outro ponto positivo é o acesso duplicado pela BR-101, que faz a ligação entre as capitais do Sul.
Novo projeto de R$ 100 milhões
O centro de convenções de Balneário Camboriú começou a ser pensado há sete anos. Hoje, depois de uma série de adaptações do projeto, o complexo ainda está no papel, mas caminha para a fase de execução.
Segundo o prefeito de Balneário Camboriú, Edson Dias, a primeira versão prevê um espaço destinado aos congressos, em salas com carpete e cadeiras, outro para exposições e feiras, e um teatro. A fase inicial, somente para a construção das salas de convenções, sairia por R$ 40 milhões: R$ 10 milhões da prefeitura e R$ 30 milhões do governo estadual. Mas todo o complexo custaria entre R$ 100 milhões e R$ 120 milhões.
Como o projeto está sendo aperfeiçoado, não há informações técnicas consolidadas sobre o empreendimento. Mas o presidente da Santur, Valdir Walendowsky, afirma que ele seria erguido no terreno do antigo zoológico da Santur, de 108 mil metros quadrados, às margens da BR-101, e teria entre 20 mil e 50 mil metros quadrados de área construída. Para se ter uma ideia do tamanho, o edifício do CentroSul, da Capital, tem 15 mil metros quadrados.
Ulrich Kuhn, presidente do Sindicado das Indústrias Têxteis de Blumenau (Sintex), que promove a Feira Internacional da Indústria Têxtil (Texfair), no Parque Vila Germânica, em Blumenau, há 12 anos, sugeriu ao governo que o centro seja modulado, com divisórias adaptáveis para o melhor aproveitamento do espaço. Para ele, a localização do futuro centro de convenções de SC é ideal.
Norte da Ilha na expectativa
O centro de eventos de canasvieiras, no Norte de Florianópolis, é outra novela no turismo de negócios do Estado. Em março, o governador Raimundo Colombo assinou ordem de serviço para o reinício das obras de construção do complexo, que estavam paradas desde 2010.
Inicialmente, uma arena multiuso seria levantada no terreno doado pelo Sapiens Parque para a prefeitura, em 2008, no trevo de Canasvieiras. Mas, a pedido dos moradores da região e da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif), que consideram o centro de eventos mais rentável, o projeto foi revisto. O governo estima que o centro fique pronto em março de 2012 e custe R$ 20 milhões.
Marco Aurélio Floriani, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Eventos em SC, acredita que um centro de eventos agrega muito mais à cidade do que uma arena multiuso.
— O espaço multiuso acaba servindo apenas para utilização doméstica, porque cada equipamento, separadamente, costuma não ter estrutura suficiente para receber eventos nacionais e internacionais.

1 thought on “O que falta para o turismo de eventos decolar em Santa Catarina”

  1. Seguimos aguardando as definições deste assunto!!! Cabe destacar que a parte técnica do trabalho foi conduzida e concluída primando por princípios como transparência e constante participação popular, com audiência na ALESC, diversas reuniões, entre outras iniciativas que levaram a proposição do novo Equipamento.
    Agora não compete mais aos técnicos da SOL, sendo que os mesmos esperam e torcem para que o principal trabalho de um ano todo (2011) não tenha sido em vão!!!
    Respeitosamente,
    Daiko lima e Silva
    Turismólogo – DPE/SOL

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